Eritema multiforme: diagnóstico, tratamento e recorrência

O padrão das lesões e o envolvimento das mucosas orientam o diagnóstico. Episódios recorrentes ligados ao herpes podem receber prevenção antiviral.

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O eritema multiforme é uma reação inflamatória que costuma surgir após infecção, sobretudo herpes simples. As lesões típicas são alvos elevados, com anéis de cores diferentes, fixos por dias e distribuídos de forma simétrica nas mãos, nos pés, braços ou pernas. Boca, olhos ou genitais também podem ser atingidos. A maioria dos episódios melhora em algumas semanas; o cuidado alivia os sintomas e trata o gatilho quando ele está ativo.1, 2

Como são as lesões e como confirmar o diagnóstico

Um alvo clássico tem três áreas em anéis: centro mais escuro, anel intermediário mais claro e borda vermelha. As lesões costumam começar nas extremidades e permanecer no mesmo lugar por vários dias. Na urticária, em contraste, cada placa tende a desaparecer em menos de 24 horas e reaparecer em outro ponto. Distribuição, evolução, sintomas de mucosa e medicamentos recentes completam a avaliação desse padrão.1, 2

O exame clínico costuma bastar em um quadro típico. Quando a aparência é atípica, há bolhas extensas ou o diagnóstico continua incerto, a biópsia pode ajudar a separar eritema multiforme de outras doenças bolhosas ou reações a medicamentos. Exames de sangue e testes para infecção são escolhidos conforme os sintomas e o possível gatilho. Em crises repetidas, a investigação procura herpes simples e pode incluir coleta de material de uma lesão na pele ou mucosa. A ausência de ferida herpética visível no momento da consulta não encerra essa investigação.1, 2

Outras reações que atingem pele e mucosas

O eritema multiforme costuma produzir alvos elevados e bem desenhados, sobretudo nas extremidades. Na síndrome de Stevens–Johnson e na necrólise epidérmica tóxica (SJS/NET), são mais comuns manchas planas, arroxeadas ou dolorosas, bolhas e desprendimento da camada superficial da pele, acompanhados por erosões dolorosas em uma ou mais mucosas e mal-estar. Medicamentos novos são um gatilho importante para SJS/NET. São diagnósticos diferentes, não etapas de uma mesma doença.1, 3

Uma erupção dolorosa que se espalha rapidamente, bolhas ou pele soltando junto de feridas em boca, olhos ou genitais — principalmente após iniciar um medicamento — requer avaliação de urgência. Olho vermelho com dor, sensibilidade à luz ou visão alterada também precisa de avaliação imediata, porque inflamação ocular pode deixar sequelas. Se a ingestão de líquidos ficou difícil por feridas na boca, a hidratação pode exigir suporte médico.3

Em crianças e adultos jovens, uma infecção respiratória por Mycoplasma pneumoniae pode ser seguida por inflamação importante das mucosas e poucas lesões na pele. Esse quadro é chamado de erupção mucocutânea infecciosa reativa (RIME) e é classificado separadamente do eritema multiforme e da SJS/NET. Tosse ou febre recentes, junto de mucosite predominante, mudam a investigação e o suporte necessários.4

Gatilhos e evolução

O herpes simples é o gatilho identificado com maior frequência; a erupção pode aparecer depois que a ferida de herpes já melhorou. Outras infecções, alguns medicamentos e, raramente, vacinação também foram associados. Um remédio iniciado ou alterado pouco antes do quadro é avaliado junto do padrão das lesões e das outras possíveis causas. Quando há suspeita de reação ao medicamento, a equipe que avalia o quadro decide sobre a retirada e registra o que deve ser evitado.1, 2

Um episódio isolado costuma regredir por conta própria em algumas semanas; podem restar manchas temporárias depois que as lesões cicatrizam.1, 2

Tratamento do episódio agudo

Quando a pele está envolvida sem sintomas importantes, muitos episódios precisam apenas de alívio dos sintomas enquanto desaparecem. Anti-histamínico oral pode ajudar na coceira; corticoide tópico pode aliviar inflamação e desconforto da pele. Para feridas leves na boca, enxaguatórios com anestésico local ajudam a reduzir a dor ao comer e beber. Na mucosite extensa ou que impede a hidratação, o cuidado hospitalar controla a dor e repõe líquidos. Corticoide oral pode ser considerado para aliviar os sintomas quando as mucosas estão muito comprometidas.1, 2

O eritema multiforme é uma reação do sistema imune ao gatilho, como o herpes. O antiviral controla o herpes ativo e ajuda a prevenir novas crises, mas a reação inflamatória já iniciada pode seguir seu curso; por isso, começar o antiviral após o eritema estar estabelecido costuma ter pouco efeito na duração daquele episódio.1, 2

Quando as crises se repetem

Em eritema multiforme recorrente, sobretudo quando associado a herpes simples, aciclovir ou valaciclovir por via oral em uso contínuo pode reduzir novos surtos. O antiviral também pode ser indicado quando o herpes não foi identificado. O tratamento costuma ser testado por pelo menos seis meses e acompanhado pela frequência e intensidade das crises. Se elas cessam, a equipe avalia quando reduzir ou interromper; se continuam, pode prolongar ou trocar o antiviral. Se as crises persistem apesar do antiviral, o dermatologista pode considerar dapsona, que tem ação anti-inflamatória, ou outras opções para controlar a doença.1, 2, 5

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Referências

  1. DermNet. Erythema multiforme. Quadro clínico, investigação, tratamento e evolução.
  2. Trayes KP, Love G, Studdiford JS. Erythema Multiforme: Recognition and Management. American Family Physician. 2019;100(2):82–88. Artigo clínico.
  3. DermNet. Stevens–Johnson syndrome / toxic epidermal necrolysis. Apresentação e urgência da SJS/NET.
  4. Canavan TN, Mathes EF, Frieden I, Shinkai K. Mycoplasma pneumoniae-induced rash and mucositis as a syndrome distinct from Stevens-Johnson syndrome and erythema multiforme: a systematic review. J Am Acad Dermatol. 2015;72(2):239–245. DOI.
  5. Soares A, Sokumbi O. Recent Updates in the Treatment of Erythema Multiforme. Medicina. 2021;57(9):921. Texto completo.