A profundidade do peeling define até que camada da pele o agente atua e ajuda a prever o tipo de recuperação. A escolha combina diagnóstico da mancha, alterações de textura, área tratada e tendência individual a pigmentação após inflamação. A concentração e a forma de aplicação também influenciam a profundidade; o nome do ácido, sozinho, não define a intensidade do peeling.1, 2, 6
Peelings superficiais removem células da epiderme, a camada mais externa da pele, e podem suavizar pigmentação superficial e aspereza. O pigmento situado na derme não é alcançado por esse peeling.3 Ácido glicólico, salicílico e solução de Jessner — uma mistura de agentes esfoliantes — são exemplos.
Os médios, frequentemente feitos com ácido tricloroacético (TCA), atingem também a parte superior da derme, camada que sustenta a pele, e podem ser escolhidos quando manchas se associam a dano solar e alterações de textura. Os profundos alcançam mais a derme e ficam reservados a situações específicas de renovação facial, pois exigem recuperação prolongada e têm maior risco de cicatriz ou alteração duradoura de cor.1, 5
Diagnóstico e escolha da profundidade
No melasma recorrente, o peeling superficial pode complementar os clareadores e a manutenção. Na pigmentação após acne ou irritação, o controle da inflamação prepara a pele para tratar a marca residual. Manchas solares confirmadas (lentigos) podem receber tratamento focal; lesões de aspecto atípico passam primeiro por investigação diagnóstica.3, 4
A inflamação pode estimular a produção de melanina e escurecer a pele. Essa resposta é mais frequente em peles mais escuras, o que favorece a escolha de peelings mais superficiais em quem tem tendência a manchar. Bronzeamento recente, dermatite e irritação ativa podem adiar o procedimento até a recuperação da barreira. Alterações difusas de textura e pigmento pedem avaliação da área como um todo.2, 5
Recuperação acompanha a profundidade
Depois de um peeling superficial, a vermelhidão e a descamação costumam ser leves e durar dias. Peelings médios podem causar vermelhidão, inchaço, crostas e exigir uma a duas semanas de recuperação; os profundos podem levar duas a três semanas ou mais. São faixas gerais: agente, área tratada e resposta individual mudam a evolução.1
Nos primeiros dias, a pele tratada precisa de cuidados de recuperação e proteção solar para reduzir o risco de escurecimento da área tratada; ativos irritantes são retomados conforme a pele cicatriza. Ardor que se prolonga, escurecimento progressivo, bolhas ou ferida mudam o plano e pedem contato com a equipe que realizou o procedimento.
Depois de um peeling superficial, a melhora pode se acumular em sessões posteriores, espaçadas conforme a recuperação. Nos procedimentos mais profundos, o acompanhamento inicial se concentra na cicatrização; a aparência final é avaliada mais tarde, quando a vermelhidão e as crostas cederam. Clareamento parcial, sem inflamação persistente e com boa recuperação, pode permitir outra sessão superficial. Se a mancha não muda ou escurece, o exame revê o diagnóstico e a distribuição do pigmento antes de escolher a próxima técnica.5
Referências
- American Society for Dermatologic Surgery. Chemical Peels.
- American Society for Dermatologic Surgery. Position Statement: Chemical Peels.
- DermNet New Zealand. Postinflammatory hyperpigmentation.
- DermNet New Zealand. Solar lentigo.
- DermNet. Chemical peels.
- Soleymani T, Lanoue J, Rahman Z. A Practical Approach to Chemical Peels. Journal of Clinical and Aesthetic Dermatology. 2018;11(8):21–28.