O peeling superficial pode complementar o clareamento do melasma ao renovar a camada mais externa da pele e reduzir parte do pigmento ali acumulado. Fotoproteção e clareadores tópicos ajudam a manter a uniformidade obtida.1
Enquanto o peeling remove células superficiais que acumulam melanina, os clareadores ajudam a controlar a formação de novo pigmento.4, 6
Indicação do peeling
O peeling superficial atua na epiderme, a camada externa da pele. Ele ajuda quando parte do melasma vem de melanina acumulada nessa camada e permanece visível apesar dos cremes. Se a pigmentação está mais profunda ou é mista, o componente superficial pode clarear enquanto sobra uma tonalidade acinzentada; aprofundar o peeling para tentar alcançar essa cor aumenta a lesão sem resolver de forma previsível o melasma. O exame e, quando úteis, a dermatoscopia ou a luz de Wood ajudam a estimar essa distribuição, que nem sempre cabe em uma única categoria.1, 4, 6
Em pele que já escureceu após acne, depilação ou outro procedimento, a inflamação pode produzir pigmento novo durante a recuperação. Por isso, a escolha favorece uma renovação superficial e uma rotina clareadora tolerada antes e entre sessões. Quando os cremes já estão clareando de forma contínua, o ganho de acrescentar uma lesão química à pele pode ser pequeno.2, 6
Como o ácido é escolhido
O ácido glicólico reduz a aderência entre células da superfície, facilitando a eliminação das que contêm excesso de melanina. É uma opção para clarear pigmentação epidérmica espalhada. O salicílico tem afinidade pela gordura e age também no interior dos folículos; quando há cravos e oleosidade junto do melasma, essa ação atende a duas queixas na mesma área. Essa diferença de alvo pesa mais que escolher simplesmente o ácido de maior concentração.5, 6, 7
O efeito final também depende da formulação, do tempo de contato e de quantas camadas são aplicadas. Uma pele sensibilizada por retinoide, como a tretinoína, absorve e reage de outra maneira; o preparo pode incluir uma pausa no retinoide ou em ácidos irritantes antes da sessão. O dermatologista define essa pausa conforme o produto e o peeling planejado, além de ajustar a aplicação.9, 6, 7
Como é a sessão
Após limpar a pele, o dermatologista aplica a solução e acompanha o ardor e a vermelhidão, observando se algum ponto reage de forma mais intensa que o restante da área. No glicólico, a aplicação é interrompida com neutralização no momento escolhido; outros agentes têm formas próprias de encerramento. A sensação durante a sessão é diferente da descamação que pode aparecer nos dias seguintes, quando as células superficiais se desprendem.5, 7
Recuperação e resposta
A recuperação de um peeling superficial costuma ocupar de um a sete dias, com vermelhidão passageira e possível descamação fina. Descamar bastante não é a medida de sucesso: o resultado procurado é menor contraste da mancha depois que a superfície se recupera. Se a área fica mais uniforme e tolera a rotina, o peeling pode continuar como complemento. Peelings superficiais podem ser espaçados em duas a quatro semanas, com a pele recuperada e revisão da cor e da tolerância antes de repetir.7 Se o clareamento deixa de avançar ou resta sobretudo pigmento profundo, a revisão volta ao tratamento do melasma como um todo.8, 6
Mesmo quando há clareamento, o melasma pode reaparecer com exposição à radiação ultravioleta e à luz visível. A fotoproteção diária, inclusive filtro com cor e óxidos de ferro quando indicado, e o tratamento tópico individualizado continuam importantes entre procedimentos.1, 3
Entre sessões, o hidratante ajuda a reduzir o ressecamento durante a recuperação. Os clareadores que causam ardor ou descamação são retomados conforme a pele cicatriza e o plano prescrito, para preservar a tolerância da rotina. A passagem para manutenção está explicada em rotina para melasma.2
Referências
- American Academy of Dermatology Association. Melasma: Diagnosis and treatment.
- American Society for Dermatologic Surgery. Chemical Peels.
- American Academy of Dermatology Association. Melasma: Self-care.
- DermNet. Melasma.
- DermNet. Chemical peels.
- Sarkar R et al. Chemical Peels in Melasma: A Review with Consensus Recommendations by Indian Pigmentary Expert Group. Indian J Dermatol. 2017;62(6):578–584.
- Khunger N. Standard guidelines of care for chemical peels. Indian J Dermatol Venereol Leprol. 2008.
- American Academy of Dermatology. Chemical peels: FAQs.
- Oregon Health & Science University. Chemical peel instructions.