Fototipo: como a pele orienta lasers, peelings e clareadores

A resposta ao sol e à inflamação influencia a escolha do tratamento. Veja como melanina, comprimento de onda e profundidade mudam a indicação.

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O fototipo descreve como a pele costuma queimar ou bronzear. A quantidade e a distribuição da melanina orientam a escolha do laser e a profundidade do peeling. Na escolha dos clareadores, o tipo de mancha e a tolerância da pele também contam. Como a inflamação pode deixar pigmento residual, a intensidade do tratamento precisa equilibrar o efeito desejado e a reação da pele.1

O fototipo é uma parte do exame

A classificação de Fitzpatrick vai de I a VI: no extremo I, a pele queima com facilidade e não bronzeia; nos tipos IV a VI, há maior pigmentação basal e maior facilidade para bronzear. São esses os fototipos mais altos citados na escolha do laser. A classificação é combinada ao exame da área que será tratada.6 Uma mesma pessoa pode ter bronzeamento recente, melasma, irritação ou pigmentação residual que muda o risco da sessão. O histórico de manchas após acne, eczema ou depilação também mostra como aquela pele responde à inflamação.

Comprimento de onda e alvo

Na depilação a laser, o pelo escuro contém melanina, que absorve a energia e aquece o folículo. A pele ao redor também tem melanina. Em fototipos mais altos, o Nd:YAG de pulso longo a 1064 nm é uma opção porque sua energia penetra mais e é menos absorvida pela melanina superficial do que comprimentos de onda mais curtos; o resfriamento da pele ajuda a proteger a epiderme. A escolha também depende da cor e espessura do pelo, área e bronzeamento recente.2

Para manchas delimitadas, lasers como o Nd:YAG Q-switched de 532 nm podem atingir pigmento mais superficial; a mesma afinidade pela melanina da superfície também pode provocar inflamação e hiperpigmentação. Por isso, o histórico de manchas após irritação também entra na escolha. O laser de 1064 nm alcança pigmento mais profundo. A escolha acompanha o diagnóstico: melasma difuso e recorrente costuma ser controlado primeiro com tratamento tópico e fotoproteção, e o laser fica como opção complementar selecionada.3

Laser, peeling e pigmento residual

Peelings superficiais renovam camadas externas da pele e podem ajudar quando parte do pigmento está na epiderme, como no componente superficial do melasma. Nesse caso, entram como complemento ao controle tópico e à fotoproteção. Em fototipos que pigmentam com facilidade, profundidade e inflamação precisam ser controladas; peelings médios ou profundos podem deixar manchas persistentes.

Para hiperpigmentação pós-inflamatória, o tratamento controla primeiro a causa, como acne ou dermatite. Ácido azelaico, hidroquinona ou retinoides tópicos podem ajudar a clarear o pigmento residual, conforme a área e a tolerância. Em pele que costuma manchar após irritação, um clareador que provoca ardor e descamação pode manter esse ciclo. Com retinoides, por exemplo, ajustar a frequência de uso e a hidratação ajuda a melhorar a tolerância, em vez de insistir na mesma rotina irritante.8, 9

Se o pigmento persiste apesar desse cuidado e a inflamação está controlada, laser pode ser discutido como segunda opção. Isso difere de tratar melasma, em que a tendência à recidiva mantém fotoproteção e tratamento tópico como base mesmo quando se acrescenta um procedimento.4, 5, 7

Se houve bronzeamento recente ou queimadura, a melanina superficial pode competir ainda mais com o alvo e a sessão é adiada até a pele voltar ao seu padrão. Com a pele estável, comprimento de onda e intensidade são escolhidos para o pigmento e a profundidade que se pretende tratar.

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Referências

  1. Dreifus EM, Burke OM, Alexis AF, Dover JS, Eber AE. Laser and energy-based device use in skin of color: A clinical review of safety, efficacy, and best practices. Journal of the American Academy of Dermatology. 2026. PubMed.
  2. Tanzi EL, Alster TS. Long-pulsed 1064-nm Nd:YAG laser-assisted hair removal in all skin types. Dermatologic Surgery. 2004;30(1):13–17. PubMed.
  3. Kang HJ, Na JI, Lee JH, et al. Postinflammatory hyperpigmentation associated with treatment of solar lentigines using a Q-Switched 532-nm Nd:YAG laser: a multicenter survey. Journal of Dermatological Treatment. 2017;28(5):447–451. PubMed.
  4. Sowash MG, Alster TS. Review of Laser Treatments for Post-Inflammatory Hyperpigmentation in Skin of Color. American Journal of Clinical Dermatology. 2023;24(3):381–396. PubMed.
  5. Passeron T, Desai SR, Abdallah M, et al. Global consensus on the management of melanin hyperpigmentation disorders. Journal of the European Academy of Dermatology and Venereology. 2026;40(5):760–772. Texto completo.
  6. DermNet New Zealand. Skin phototype (Fitzpatrick skin type). DermNet.
  7. Sarkar R, et al. Chemical Peels in Melasma: A Review with Consensus Recommendations by Indian Pigmentary Expert Group. Indian Journal of Dermatology. 2017;62(6):578–584. Fonte.
  8. American Academy of Dermatology. How to fade dark spots in darker skin tones.
  9. American Academy of Dermatology. Acne: Diagnosis and treatment — orientações sobre tolerância aos retinoides.