O exame dermatológico distingue pintas estáveis, lesões que merecem fotografias para acompanhamento e alterações que precisam de biópsia. Uma pinta que cresce, muda de forma ou cor, sangra ou não cicatriza deve ser examinada.3, 4, 9
Quem já teve câncer de pele, tem muitas pintas atípicas ou apresenta imunossupressão precisa de um plano de acompanhamento conforme o risco. Para adultos sem sinais suspeitos nem histórico pessoal ou familiar de câncer de pele, não há evidência suficiente para recomendar a favor ou contra o rastreamento de rotina. Essa conclusão da USPSTF, grupo americano que avalia medidas de prevenção, não estabelece um exame anual obrigatório para todos.1
Quem tem risco maior
A avaliação combina histórico pessoal e familiar, quantidade e padrão dos nevos, queimaduras e exposição ultravioleta. 1
Câncer de pele prévio
Melanoma, carcinoma basocelular, carcinoma espinocelular e lesões pré-malignas anteriores elevam a necessidade de um plano próprio.1 Depois de melanoma, o seguimento considera estágio, risco de recorrência e possibilidade de um novo tumor.4
Família e muitos nevos
Melanoma em familiares, múltiplos casos na família, síndromes hereditárias, muitas pintas ou pintas atípicas elevam o risco.1
Imunossupressão
Após transplante de órgão sólido, o risco de câncer de pele e a frequência do exame dependem da idade, órgão transplantado e histórico de câncer. A equipe de transplante pode articular vigilância com dermatologia.8
Sol e queimaduras
Queimaduras repetidas, bronzeamento artificial, exposição ao ar livre, pele clara e facilidade para queimar elevam o risco. 1
Exame da pele
O exame registra número, localização, tamanho, forma, cor, superfície e relação entre as lesões. Áreas que a própria pessoa não enxerga precisam ser incluídas; palmas, plantas e unhas entram quando o padrão e o risco indicam. Comparar cada nevo com o conjunto ajuda a identificar uma lesão destoante.9, 3, 4
A história de mudança e os sintomas são considerados junto do aspecto encontrado naquele dia.3, 4
Dermatoscopia
Na dermatoscopia, o médico aproxima da pele um aparelho com lente de aumento e iluminação. Ele revela estruturas de pigmento e vasos que não aparecem na inspeção comum; esses padrões ajudam a escolher entre acompanhar a lesão e indicar biópsia.10, 5
Fotografia seriada
Em pessoas com muitos nevos, lesões atípicas ou risco elevado, fotografias corporais e dermatoscopia digital ajudam a comparar a pele ao longo do tempo. O dermatologista seleciona as lesões e define quando repetir as imagens.3
Uma mudança entre imagens pode indicar a necessidade de biópsia.3, 6, 7
Biópsia
Biópsia é indicada quando a hipótese de melanoma ou outro câncer permanece relevante depois da história, inspeção e dermatoscopia. Na suspeita de melanoma, costuma-se retirar a lesão inteira com uma pequena margem de pele ao redor, permitindo examinar o conjunto. Quando tamanho ou localização dificultam essa retirada, pode ser escolhida uma amostra parcial, que precisa alcançar profundidade suficiente para avaliar a invasão do tumor.10 O patologista descreve o tipo de tumor e, no melanoma, dados como a espessura ajudam a definir a ampliação cirúrgica e se é necessário avaliar os gânglios linfáticos (linfonodos).3, 4
Seguimento
No retorno, o exame atual e as imagens disponíveis são comparados aos registros anteriores para identificar lesões novas ou modificadas. Após carcinoma basocelular ou espinocelular, contam o número de tumores, áreas de dano solar e imunossupressão.1, 4, 8
Referências
- US Preventive Services Task Force. Screening for Skin Cancer: US Preventive Services Task Force Recommendation Statement. 2023. Recomendação oficial.
- Henrikson NB, et al. Skin Cancer Screening: Updated Evidence Report and Systematic Review for the US Preventive Services Task Force. 2023. Texto completo.
- Garbe C, et al.; EADO, EDF e EORTC. European consensus-based interdisciplinary guideline for melanoma. Part 1: Diagnostics — Update 2024. Publicado em 2025. PubMed.
- Swetter SM, et al. Guidelines of care for the management of primary cutaneous melanoma. 2019. PubMed.
- Dinnes J, et al. Dermoscopy, with and without visual inspection, for diagnosing melanoma in adults. Cochrane, 2018. PubMed.
- Ji-Xu A, Dinnes J, Matin RN. Total body photography for the diagnosis of cutaneous melanoma in adults: a systematic review and meta-analysis. 2021. PubMed.
- Soyer HP, et al. 3D Total-Body Photography in Patients at High Risk for Melanoma: A Randomized Clinical Trial. 2025. PubMed.
- Crow LD, et al. Initial skin cancer screening for solid organ transplant recipients in the United States. 2019. PubMed.
- American Academy of Dermatology. How can I tell if I have skin cancer? Acessado em 2026. Página oficial.
- American Cancer Society. Tests for melanoma skin cancer. Dermatoscopia e tipos de biópsia.