O laser fracionado de picossegundos pode suavizar cicatrizes atróficas de acne, que formam depressões na pele, quando o problema principal é a textura irregular em uma área maior. Picossegundos descreve a duração muito curta de cada pulso de luz. A energia é distribuída em pontos microscópicos que alcançam a derme e ativam remodelação de colágeno, deixando pele entre os pontos sem tratamento direto. A melhora da textura aparece gradualmente conforme esse tecido se reorganiza.1, 2
Diagnóstico das marcas
Cicatrizes ice-pick são estreitas e profundas; boxcar formam depressões mais largas, com bordas nítidas; rolling deixam ondulações porque bandas fibrosas puxam a pele para baixo. Marcas marrons ou vermelhas podem permanecer após a acne sem criar depressão. Na cicatriz elevada, o objetivo é reduzir o excesso de tecido, em vez de elevar uma depressão. Relevo, cor e aderência orientam quais técnicas combinar.3
Quando ainda surgem lesões inflamadas, controlar a acne primeiro reduz novas cicatrizes e ajuda a escolher o momento do procedimento. Bronzeamento ou queimadura solar recente podem exigir adiar a sessão, pois aumentam a chance de queimadura e alteração de cor com o laser.8, 1
Escolha da técnica pelo tipo de cicatriz
“Resurfacing” é o termo usado para procedimentos que renovam a superfície e suavizam as bordas das depressões; lasers ablativos, como CO₂ fracionado, removem colunas microscópicas de tecido e costumam ter recuperação mais visível. A modalidade fracionada de picossegundos é não ablativa: produz microlesões que estimulam o reparo, sem remover essas colunas de tecido. A escolha equilibra a melhora desejada com a reação da pele: em uma comparação direta, o CO₂ teve maior melhora na avaliação visual, enquanto o picossegundos causou menos efeitos adversos. Para depressões fundas ou presas, a decisão inclui também as técnicas focais descritas a seguir.2, 4, 5
Para cicatriz rolling aderida, a subcisão passa sob a pele e rompe as bandas que puxam a depressão para baixo; essa liberação pode ser combinada à remodelação da superfície pelo laser. Para algumas cicatrizes ice-pick, o dermatologista pode tratar cada trajeto com reconstrução química focal (TCA CROSS) ou remover a cicatriz com uma pequena cirurgia focal, chamada punch. Cicatrizes boxcar rasas podem responder a resurfacing; as mais fundas às vezes precisam de elevação cirúrgica da base da depressão ou de outra técnica focal. Manchas planas direcionam a escolha para o tratamento da pigmentação.1, 6, 7
Curso e experiência do procedimento
Na sessão, a pele é limpa e o aparelho percorre a área com passagens de pontos fracionados; anestésico tópico pode ser usado conforme a região e a sensibilidade. Depois, podem ocorrer vermelhidão, inchaço, ardor ou pequenos pontos de crosta por alguns dias. Fotoproteção e cuidados da barreira ajudam a atravessar a recuperação e a reduzir escurecimento pós-inflamatório.
O número de sessões varia com profundidade, extensão e combinação de técnicas. Como referência de planejamento, um ensaio com 25 pacientes utilizou três sessões, separadas por quatro semanas, e avaliou o resultado um mês após a última. A maioria teve redução superior a 30% na contagem das cicatrizes; esse resultado descreve a resposta do grupo, não o desaparecimento de todas as marcas.2
Na prática, a pele e o relevo são reavaliados antes de continuar. A remodelação continua após a sessão, então fotografias padronizadas são comparadas depois da recuperação e ao longo dos meses. Se a superfície melhora mas a depressão presa permanece, o próximo passo pode ser liberar a aderência, em vez de repetir o laser.2
Se houver infecção na área, o procedimento é adiado até sua resolução. Depois da aplicação, dor que aumenta, secreção ou vermelhidão que se expande pedem contato com a equipe para avaliação, sem esperar pela próxima sessão.
Referências
- American Academy of Dermatology. Acne scars: Consultation and treatment. AAD.
- Lee SH, et al. The efficacy and safety of low- versus high-fluence fractional picosecond Nd:YAG 1064-nm laser in the treatment of acne scars: A randomized split-face comparison study. 2024. PubMed.
- American Academy of Dermatology. Acne scars: Signs and symptoms. AAD.
- Kwon HH, et al. Comparison of a 1064-nm Nd:YAG picosecond laser using a diffractive optical element vs. a nonablative 1550-nm erbium-glass laser for facial acne scarring. 2020. PubMed.
- Yuan Y, et al. Comparison of the fractionated Nd:YAG 1064-nm picosecond laser with holographic optics and the fractional CO₂ laser in atrophic acne scar treatment. 2025. PubMed.
- Bhardwaj D, Khunger N. An Assessment of the Efficacy and Safety of CROSS Technique with 100% TCA in the Management of Ice Pick Acne Scars. Texto completo.
- Alam M, Omura N, Kaminer MS. Subcision for acne scarring: technique and outcomes in 40 patients. 2005. PubMed.
- American Academy of Dermatology. Laser treatment for scars. Bronzeamento, preparo e recuperação.