Queloide: diagnóstico e escolha do tratamento

Espessura, crescimento e sintomas orientam a combinação de infiltrações, silicone, pressão, laser ou cirurgia.

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Queloide é uma cicatriz que cresce além da área da ferida original. O tratamento busca reduzir o relevo, amolecer o tecido e aliviar coceira ou dor. Infiltrações, silicone, pressão, laser e cirurgia têm funções diferentes; a combinação é escolhida pela espessura, localização, atividade da cicatriz e resposta ao que já foi feito.1, 2

Queloide e cicatriz hipertrófica

Os dois podem ser elevados e endurecidos. A cicatriz hipertrófica permanece dentro dos limites da lesão inicial e pode achatar com o tempo. O queloide avança lateralmente sobre a pele ao redor e tende a persistir. Comparar o desenho atual com a ferida que o originou é mais útil para essa distinção do que a cor isolada: uma cicatriz pode ser rosada, avermelhada, arroxeada ou escura.2

O diagnóstico costuma ser clínico. Quando a forma de crescimento, o aspecto ou a história não combinam com uma cicatriz, uma biópsia permite examinar uma amostra e distinguir outras lesões de pele antes de iniciar infiltrações ou laser. Dor, coceira e limitação de movimento também entram na avaliação, pois ajudam a definir o objetivo do tratamento.2

Formação e evolução

Durante a cicatrização, células chamadas fibroblastos produzem colágeno, que dá sustentação ao tecido. No queloide, essa produção e os sinais inflamatórios permanecem ativos por mais tempo. Ele pode surgir após cirurgia, acne, queimadura ou perfuração da orelha; algumas pessoas formam lesões mesmo depois de traumas pequenos. A tendência pessoal e familiar, a região e a tensão sobre a ferida influenciam esse comportamento.1, 3

Tórax, ombros e orelhas são locais frequentes. Uma lesão em crescimento pode coçar ou ficar dolorida, enquanto outra antiga pode estar estável e incomodar principalmente pelo volume. Essa diferença ajuda a escolher entre controlar a atividade, reduzir uma massa já formada ou acompanhar uma cicatriz que não causa incômodo.1

Infiltração de corticoide e outras medicações

A triancinolona é um corticoide aplicado dentro do queloide para reduzir a inflamação e a produção excessiva de tecido cicatricial. Costuma ser uma das primeiras opções para lesões elevadas e sintomáticas. As primeiras aplicações podem aliviar coceira e amolecer a cicatriz; a redução da altura é acompanhada ao longo das sessões.3, 4

O tratamento pode exigir aplicações espaçadas por algumas semanas, ao longo de meses. A cada retorno, o dermatologista verifica relevo, consistência e sintomas para ajustar ou encerrar as infiltrações. Afinamento ou clareamento da pele no ponto tratado podem levar a espaçar aplicações ou mudar a combinação.1

Quando a resposta é parcial ou o uso repetido de corticoide precisa ser reduzido, o especialista pode associar 5-fluorouracil, ou 5-FU. Ele interfere na multiplicação das células que participam da fibrose e é aplicado na própria cicatriz. A combinação com triancinolona é uma alternativa para reduzir espessura; sua escolha considera a resposta anterior e a tolerância da pele às aplicações.3, 5

Silicone e pressão

Gel ou placa de silicone formam uma cobertura que mantém a hidratação da superfície e pode ajudar a amolecer e achatar a cicatriz. São usados sobre pele já fechada, por um período de meses, como parte do tratamento ou após um procedimento. Gel pode se adaptar melhor a áreas em que uma placa adere mal; a escolha também considera atrito e conforto durante o uso.2, 3

Para queloide de orelha, um dispositivo de pressão feito para a região pode complementar infiltrações ou cirurgia. A pressão contínua procura reduzir a atividade da cicatriz. Após a cirurgia, o uso pode ocupar 12 a 20 horas por dia durante vários meses. O tempo de uso e o ajuste do dispositivo são definidos conforme a pele e a circulação local.4

Crioterapia e laser

A crioterapia congela o tecido cicatricial e pode reduzir dureza e volume, sobretudo em queloides menores. Essa redução pode tornar as infiltrações de corticoide mais eficazes, por isso as duas técnicas podem ser associadas. Forma-se uma área que precisa cicatrizar após o congelamento; o clareamento persistente é uma possibilidade especialmente relevante em pele escura e pode orientar a escolha de outra técnica.4

O laser de corante pulsado atua nos vasos da cicatriz e é escolhido principalmente para vermelhidão e coceira. Em lesões muito espessas, o tratamento do volume costuma precisar de infiltrações ou outra abordagem associada. O laser fracionado cria pequenas zonas de remodelação e pode ser usado para melhorar textura e flexibilidade em cicatrizes selecionadas. O componente predominante — vascular, espessura ou rigidez — orienta a modalidade.3

Cirurgia e prevenção de recorrência

A cirurgia pode ser considerada quando o volume é importante, a forma prejudica a função ou outras medidas não atingem o objetivo. Ela permite remover ou reduzir a massa e reorganizar o fechamento da pele. O plano já inclui uma medida para controlar a nova cicatrização, como infiltrações, pressão ou radioterapia em casos selecionados; essa associação é importante porque o tecido pode voltar a crescer na área operada.6

Quando indicada, a radioterapia é programada junto com a cirurgia para começar logo após a retirada, em geral nas primeiras 24 horas, conforme o protocolo do serviço. A radiação é dirigida à região tratada para diminuir os sinais que sustentam a formação excessiva de cicatriz. O risco tardio de induzir um tumor pesa nessa escolha para uma cicatriz benigna, especialmente em crianças e em regiões próximas à mama ou à tireoide, onde outras opções são preferidas.6, 3

Acompanhamento da resposta

A melhora pode aparecer primeiro no conforto e na maciez, antes de uma mudança visível no volume. Nas reavaliações, comparam-se altura, extensão, cor, flexibilidade e sintomas. A diminuição do relevo permite ajustar o tratamento restante: se a cicatriz já está plana, a vermelhidão persistente pode ser alvo do laser de corante pulsado. Se ela volta a engrossar, reavaliam-se as infiltrações e as combinações para reduzir o volume.3, 4, 5

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Referências

  1. British Association of Dermatologists. Keloids. 2021. Evolução e opções de tratamento.
  2. DermNet. Keloid and hypertrophic scar. Diagnóstico, diferenciais e silicone.
  3. Ogawa R, et al. Diagnosis and Treatment of Keloids and Hypertrophic Scars — Japan Scar Workshop Consensus Document 2018. Burns & Trauma. 2019;7:39. Mecanismos e seleção dos tratamentos.
  4. American Academy of Dermatology. Keloid scars: diagnosis and treatment. 2023. Infiltrações, pressão, crioterapia e resposta.
  5. Acharya R, et al. Efficacy and safety of intralesional triamcinolone acetonide alone and its combination with 5-fluorouracil in keloids and hypertrophic scars. Skin Health and Disease. 2024;4:e450. Combinação de infiltrações.
  6. Royal College of Radiologists. Recommendations for using radiotherapy for benign disease in the UK. 2023. Seção 2.1. Cirurgia e radioterapia para queloide.