A indicação do laser começa pelo alvo e pela substância que absorve a luz, chamada cromóforo: melanina em manchas, hemoglobina nos vasos, tinta de tatuagem e água quando lasers ablativos como CO₂ ou Er:YAG removem tecido superficial. A profundidade do alvo, o tom e o estado da pele orientam a modalidade e a intensidade da aplicação.1, 5, 6, 8
Alvo e diagnóstico
Melasma costuma formar áreas acastanhadas, muitas vezes simétricas no rosto e com períodos de escurecimento. Lentigos solares são manchas delimitadas em áreas expostas ao sol; pigmentação pós-inflamatória aparece onde houve acne, dermatite, ferida ou outro processo inflamatório. A dermatoscopia e, em alguns casos, a lâmpada de Wood ajudam a estimar a profundidade do pigmento; a inspeção clínica e a história da mancha definem a hipótese.2
A escolha acompanha a causa. Um lentigo solar confirmado pode ser tratado diretamente com laser ou luz; congelamento localizado também é uma opção, enquanto cremes clareadores costumam exigir uso contínuo por semanas ou meses. A proteção solar reduz o reaparecimento de novas manchas.7 No melasma, fotoproteção e tratamento tópico formam a base; laser ou luz podem complementar casos selecionados. Na hiperpigmentação pós-inflamatória, primeiro se controla a inflamação e o pigmento residual; energia fica para situações resistentes, pois irritação adicional pode escurecer a área.2, 3
Quando o alvo são vasos superficiais — por exemplo, pequenos vasos vermelhos visíveis na rosácea — lasers de corante pulsado ou KTP podem reduzir o vermelho e os vasos aparentes. Vasos azulados mais profundos podem favorecer uma modalidade de maior penetração, como Nd:YAG de pulso longo. O laser melhora esse componente visível; vermelhidão difusa e crises inflamatórias da rosácea podem precisar também de tratamento clínico.4, 6
Para textura, linhas finas e algumas cicatrizes, lasers fracionados criam colunas microscópicas de tratamento entre áreas de pele preservada. Os não ablativos aquecem a derme e favorecem remodelação gradual, geralmente com recuperação mais curta e mudança mais discreta. Os ablativos removem a camada superficial e aquecem a derme; costumam produzir uma renovação mais intensa, com ferida e recuperação mais longas. A escolha depende de quanto relevo ou dano de superfície se quer tratar e do tempo de recuperação que a pessoa pode acomodar.5
Profundidade, fototipo e histórico
A melanina da epiderme também absorve parte da energia usada para manchas. Em pele mais escura, a escolha busca atingir o alvo com menor agressão à epiderme: nem toda modalidade é adequada, mas o tom da pele, sozinho, não exclui tratamento com laser. Bronzeamento recente acrescenta pigmento à superfície e pode exigir adiar a sessão.1, 3, 10
O fototipo descreve a tendência da pele a queimar e bronzear ao sol. O histórico de manchas após acne ou procedimentos acrescenta informação sobre como ela reage à inflamação.9 Quando a pele costuma pigmentar após inflamação, pode-se começar por uma área limitada e observar a resposta antes de ampliar o tratamento.3
Melasma ativo, acne inflamada, dermatite ou infecção na área podem levar a controlar a pele antes da sessão. Uma mancha nova, assimétrica ou em mudança deve ser examinada antes de receber energia, para confirmar que se trata de um alvo benigno.1, 2
O que a resposta muda
A melhora deve ser medida no alvo tratado: redução do contraste da mancha, diminuição dos vasos visíveis, mudança do relevo ou clareamento de tinta de tatuagem. A comparação é feita após a recuperação da vermelhidão, do inchaço ou do escurecimento inicial. Pigmentação nova ou irritação persistente orientam pausa e ajuste; o relevo ou a cor que permanecem ajudam a escolher a próxima modalidade.
Um tratamento ablativo pode levar uma semana ou mais para recobrir a superfície e várias semanas para a recuperação completa. Remodelação de colágeno continua depois que a vermelhidão inicial passa. Na remoção de tatuagem, o organismo continua eliminando fragmentos de tinta entre sessões. A reavaliação para uma nova sessão acompanha esse ritmo de cicatrização e resposta do alvo.5
Para entender a diferença entre laser de picossegundos e outras opções na tatuagem colorida, veja o artigo sobre tatuagem colorida.
Referências
- Passeron T, Genedy R, Salah L, et al. Laser treatment of hyperpigmented lesions: position statement of the European Society of Laser in Dermatology. Journal of the European Academy of Dermatology and Venereology. 2019;33(6):987–1005.
- American Academy of Dermatology Association. Melasma: diagnosis and treatment.
- Sowash M, Alster T. Review of laser treatments for post-inflammatory hyperpigmentation in skin of color. American Journal of Clinical Dermatology. 2023;24(3):381–396.
- American Academy of Dermatology Association. Lasers and lights: how well do they treat rosacea?
- Mayo Clinic. Laser resurfacing.
- Dahan S. Laser and intense pulsed light management of couperose and rosacea. Annales de Dermatologie et de Vénéréologie. 2011;138(Suppl 3):S219–S222.
- American Academy of Dermatology Association. What can get rid of age spots?
- Omi T, Numano K. The Role of the CO2 Laser and Fractional CO2 Laser in Dermatology. Laser Therapy. 2014;23(1):49–60. doi:10.5978/islsm.14-RE-01.
- DermNet. Fitzpatrick skin phototype.
- American Academy of Dermatology Association. Skin conditions that lasers can treat. Seleção em diferentes tons de pele e bronzeamento.