Lasers faciais: saiba o que são e para que servem

Lasers faciais

O uso de laser para tratamentos médicos e estéticos faciais é uma inovação recente, mas que já apresenta muitos adeptos e muita procura.

Os lasers ganharam destaque por apresentarem alta qualidade de resultados. Também são caracterizados por resultarem em menos desconforto e efeitos colaterais mais brandos, em comparação a outros tipos de tratamento.

Há diversos tipos de laser usados em tratamentos médicos e cosméticos, com várias aplicações diferentes, e com atuação em diversas partes do corpo.

Em geral, são utilizados para tratamentos mais superficiais, contribuindo para a saúde e o rejuvenescimento da pele. Isso se torna mais evidente em procedimentos que envolvem o rosto, o que também os torna mais requisitados para esses tratamentos. Ao longo desse artigo você irá saber mais sobre os famosos lasers faciais.

Uso de lasers faciais

Existe uma grande gama de aplicações dos lasers faciais. Visto que o rosto é a parte do corpo geralmente mais visível no cotidiano, ele também é a parte do corpo mais focada em tratamentos estéticos.

O objetivo do laser é agir nas camadas exteriores da pele. Isto é, agir na epiderme, a camada mais externa, e na derme, a camada presente logo abaixo à epiderme.

É um procedimento minimamente invasivo. Não requer a realização de cirurgias ou inserção de agulhas. Ele consiste no uso de feixes concentrados de luz para estimular a produção de colágeno e elastina pelo corpo e, com isso, estimular a regeneração da pele.

Apresenta efeito local, não sistêmico, os efeitos provocados pelo laser afetam apenas a região onde os feixes de luz atingiram, sem afetar substancialmente o resto do corpo.

Os feixes são projetados para penetrarem minimamente na pele, apresentando também baixa energia. Portanto, não causam danos significativos à região que atingem, nem afetam consideravelmente o tecido ao redor e as camadas mais profundas do local.

A recuperação rápida também é um grande atrativo. No dia seguinte após cada sessão já é possível retornar às atividades diárias. O procedimento pode ocasionar vermelhidão, ardência e inchaço dos locais afetados, mas os sintomas duram até 48 horas, no máximo.

Deve-se atentar, porém, às recomendações do pós-tratamento. O procedimento sensibiliza a região afetada, portanto, é recomendado o uso de protetor solar facial durante uma semana após cada sessão, com fator mínimo de 30. Seu dermatologista pode também recomendar o uso de medicamentos tópicos, a depender do tratamento e dos efeitos colaterais.

Porém, há também contraindicações. Em geral, o tratamento não é recomendado para pessoas cardíacas, grávidas e lactantes. Também não o é para pessoas que apresentem comprometimento do sistema imunológico e doenças autoimunes.

Caso faça uso regular de Aspirina (ácido acetilsalicílico) ou anticoagulantes, o uso deve ser cessado a partir de três dias antes de cada sessão. Consulte com o médico que acompanha o uso do medicamento para saber se isso seria possível. Consulte também o dermatologista sobre quando poderia ser retomado o uso dos medicamentos.

O número de sessões, duração de cada sessão e espaçamento entre elas varia para cada aplicação.

Para que servem os lasers faciais

Os lasers faciais apresentam uma grande gama de aplicações que visam melhorar a aparência do rosto e combater as marcas do envelhecimento.

É importante saber que os resultados proporcionados pelo laser, em geral, não são imediatos. O laser elimina algumas camadas de células, o que é mais imediato, mas também estimula a regeneração do corpo para melhores resultados.

Como essa regeneração é um processo natural e gradual, os resultados finais comumente são observados por volta de seis meses após o fim do tratamento.

Conheça as principais indicações: 

Cicatrizes

Os lasers podem ser utilizados para a remoção de todos os tipos de cicatrizes. Isto é, cicatrizes atróficas, hipertróficas e queloides.

Cicatrizes atróficas são as que se apresentam como depressões no rosto. São o resultado da regeneração da pele sem a regeneração das camadas inferiores dela, como a camada de gordura que ela normalmente apresenta. Comumente ocorre como resultado da acne.

Cicatrizes hipertróficas são as que apresentam relevo e textura diferentes da pele ao redor. São o resultado de uma regeneração incorreta decorrente da produção excessiva de colágeno durante essa reconstrução. Sua ocorrência depende do tamanho do ferimento e fatores genéticos.

As queloides são cicatrizes hipertróficas que não cessam seu crescimento. Sua ocorrência também depende de fatores genéticos.

Rejuvenescimento da pele

O envelhecimento da pele é consequência da diminuição progressiva da produção de colágeno pelo corpo, em conjunto com outros fatores, como diminuição das camadas de gordura e musculares.

Neste caso, o procedimento é utilizado para estimular a produção de colágeno em locais específicos do rosto, fortalecendo a pele e estimulando seu preenchimento.

O tratamento com lasers faciais contribui para a diminuição de rugas e linhas de expressão, assim como para a melhoria do aspecto da pele em geral, tornando-a mais firme e elástica.

No resto do corpo, o laser também pode ser utilizado para fins semelhantes, o que contribui para diminuição da flacidez e o tratamento da celulite e de estrias.

Com o passar do tempo, a produção de colágeno volta a diminuir, e os sinais de envelhecimento retornam progressivamente. Porém, é possível repetir o tratamento, caso desejado.

Lesões pigmentadas

Uma lesão pigmentada é uma concentração de pigmentos na pele que diverge significativamente da pele ao redor.

Pode ser benigna e comum, como é o caso das pintas e marcas de nascença, mas também pode atingir grandes proporções e ser mais visível, como o melasma. Em alguns casos, pode ocasionar em complicações, como no caso do raro Nevo de Ota.

Neste caso, o objetivo do laser é destruir os melanócitos, ou seja, as células responsáveis pela produção e manutenção desses pigmentos. O laser pode ser utilizado tanto para lesões superficiais, como as marcas de nascença, quanto para lesões dérmicas, como o Nevo de Ota.

Olheiras

Olheiras são marcas escuras que podem surgir próximo aos olhos. Podem ser originadas principalmente do aumento da concentração de vasos sanguíneos ou do aumento da produção de melanina, proteína que causa o escurecimento da pele.

O laser age destruindo os pigmentos, sejam eles a melanina ou a hemoglobina acumulada. E também estimula o corpo a regenerar essa região. Com isso, também fortalece a pele e diminui as rugas do local. Com o tempo, a pele retorna ao seu aspecto anterior.

Lasers faciais

Tipos de lasers faciais

Existem diversos tipos de laser disponíveis para tratamentos faciais, que podem apresentar modificações para facilitar seu uso em aplicações específicas. Porém, há três tipos de lasers que são referência na área: o laser de CO2, o Er:YAG e o Nd:YAG.

Esses lasers também podem ser utilizados com diversos tipos de feixe: feixe único, fracionado, Q-Switched (pulsado), ablativo e não ablativo.

Funcionamento de um laser

O laser é um feixe de luz concentrado que apresenta energia relativamente alta. Ele apresenta potencial para causar grandes danos devido a essa energia, mas no caso de aplicações médicas e estéticas, essa energia é calibrada para minimizar os danos.

Porém, danos ainda são causados, e o que torna o laser tão eficaz é justamente a leve danificação da pele. Esse processo estimula a regeneração da pele, rejuvenescendo-a e estimulando a correção de imperfeições. Felizmente, esse processo não prejudica os tecidos ao redor, nem ocasiona sangramentos.

A luz do laser pode ser formada de diversas maneiras, e a forma como é criada é o que normalmente o nomeia. O uso de gases e cristais para isso é comum. Essa luz apresenta um comprimento de onda característico, que define o quão penetrativo será o laser.

Após ser gerada, a luz é concentrada em um feixe único pela combinação de lasers e espelhos, sendo posteriormente emitida. Modificações podem ser realizadas em diferentes fases desse processo para obter lasers com características diferentes.

Laser de CO2

O laser de CO2 foi um dos primeiros a serem utilizados em aplicações médicas e estéticas. Consiste em um laser de baixa capacidade de penetração e energia relativamente alta. O laser é formado pela excitação de gás carbônico (CO2) misturado com outros gases, o que lhe rendeu o nome popular “laser de CO2”.

É caracterizado por apresentar efeitos colaterais de maior intensidade em comparação aos lasers mais recentes. Isso deve-se ao uso de feixes de maior energia, e que, portanto, causam danos de maior intensidade.

Seu uso está sendo progressivamente substituído por lasers mais recentes, mas ele ainda é usado em diversos consultórios. Isso deve-se ao fato de ser mais antigo, portanto mais testado e mais confiável que lasers mais recentes.

Suas principais aplicações são o rejuvenescimento da pele e o tratamento de cicatrizes atróficas.

Laser Er:YAG

O termo “Er:YAG” é a abreviação comum do laser de Érbio:YAG. Seu feixe é produzido a partir de um cristal denominado “granada de ítrio e alumínio” (mais conhecido pela abreviação inglesa YAG). Para mudar as propriedades do feixe, ele teve a adição de partículas do elemento érbio, processo conhecido como dopagem.

Como o laser de CO2, sua área de atuação é a epiderme, apresentando gama de aplicações similar. Porém, ele apresenta menor energia. Isso resulta em menos efeitos colaterais sem prejudicar a qualidade dos resultados.

Laser Nd:YAG

Semelhantemente ao Er:YAG, o Nd:YAG (Neodímio:YAG) é mais recente e utiliza a granada de ítrio e alumínio. Porém, ao invés de ser dopado com érbio, é dopado com o elemento neodímio.

Como resultado, apresenta comprimento de onda maior, o que o permite maior capacidade de penetração. Portanto, é ideal para tratamentos que envolvam o nível da derme. Também apresenta energia um pouco maior.

Ele é muito usado no tratamento de cicatrizes hipertróficas e lesões pigmentadas dérmicas, como o Nevo de Ota.

Ablativo e não ablativo

Em alguns casos, pode-se optar por utilizar a versão ablativa ou não ablativa do laser. A principal diferença entre elas é a capacidade de penetração e a energia envolvida.

A versão ablativa de um laser é a versão usual, que apresenta maior capacidade de penetração e danificação do tecido. É especialmente útil para o tratamento da derme, visto que permite a penetração da epiderme.

A versão não ablativa é uma versão menos potente e penetrativa, projetada para atingir apenas a epiderme.

A presença da capacidade ablativa e não ablativa torna o laser mais flexível, aumentando sua gama de aplicações, sem a necessidade de ter múltiplas máquinas de laser disponíveis para realizar fins semelhantes.

Feixe único, fracionado, Q-Switched

O formato do laser também pode ser modificado para ser mais eficiente em diferentes aplicações.

O feixe único e contínuo é o formato usual do laser, e o formato com o qual estamos acostumados. Ele se mostra efetivo para diversos tratamentos, mas, como envolve maior energia e energia mais localizada, tende a resultar em efeitos colaterais mais intensos.

O laser fracionado é uma modificação do feixe único que o torna menos desconfortável. O feixe do laser é dividido em múltiplos feixes menos intensos, aumentando sua área de atuação e distribuindo melhor sua energia. Com isso, há menos efeitos colaterais, sem prejudicar os resultados.

O Q-Switched é outra variação comum que também resulta em ótimos resultados com leves efeitos colaterais. Ao invés de ser um feixe contínuo, é um feixe pulsado que apresenta maior energia.

Dessa forma, o laser pode ser usado para fins que exigem maior energia, como a remoção de lesões pigmentadas dérmicas e tatuagens, mas de forma mais segura. Caso fosse utilizado um laser contínuo de maior energia, isso poderia resultar em maior desconforto durante e após as sessões. O uso de pulsos permite que a energia seja melhor focada, e o tecido seja melhor preservado.

Conclusão

Lasers faciais são uma tecnologia segura e altamente efetiva, apresentando uma alta gama de aplicações. Os resultados tendem a ser satisfatórios, embora demorem alguns meses para o resultado final ser obtido.

O procedimento é minimamente invasivo, visto que não requer cirurgia ou o uso de agulhas, e ocasiona efeitos colaterais leves. A tecnologia utilizada está em constante evolução, e a tendência é que a efetividade aumente e o desconforto diminua.

Eles são uma ótima ferramenta para melhorar o aspecto do rosto e rejuvenescê-lo. Porém, também é importante aliá-los a hábitos cotidianos saudáveis para a manutenção dos resultados. Felizmente, é possível realizar o tratamento novamente caso desejado.

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Sobre o autor:

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CRM-SP: 156490 / RQE: 65521. Médica pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP/EPM). Residência Médica em Dermatologia pela UNIFESP. Pós-Graduação em Dermatologia Oncológica pelo Instituto Sírio Libanês (SP). Fellow em Tricologias, Discromias e Acne pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HC-FMUSP). Pós-Graduação em Pesquisa Clínica pela Harvard Medical School – EUA (Principles and Practice of Clinical Research).

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