O laser de picossegundos, que entrega pulsos de luz muito breves, pode clarear tatuagens coloridas. Os pigmentos absorvem comprimentos de onda diferentes; numa tatuagem com várias cores, o vermelho, o verde e o preto podem exigir ondas distintas. A sessão fragmenta parte da tinta e o organismo remove esses fragmentos gradualmente, por isso o clareamento aparece ao longo da recuperação.1, 2
Cor da tinta e escolha do laser
Em termos gerais, tinta preta ou azul-escura costuma ser abordada com comprimentos de onda mais longos, como o Nd:YAG de 1064 nm. A luz de 532 nm é uma opção para tons vermelhos e alaranjados; lasers de picossegundos em torno de 755 nm podem atuar em pigmentos verdes e azuis. Amarelo, branco e misturas claras podem ser mais difíceis de clarear. A composição da tinta, sua profundidade e o tom da pele definem qual dessas opções pode alcançar o pigmento.1, 2
Mesmo entre lasers de picossegundos, o comprimento de onda é escolhido conforme a cor da tinta. A entrega rápida da luz fragmenta partículas pequenas por uma variação de pressão. Essa modalidade pode clarear melhor algumas tintas azuis, verdes e amarelas do que certos lasers de nanossegundos, mas essa vantagem depende da composição da tinta e do laser disponível. Se a onda não alcançar o pigmento residual, outra modalidade ou um objetivo de clareamento parcial pode fazer mais sentido.2
Maquiagem definitiva e pigmentos bege, brancos ou da cor da pele merecem avaliação específica. Alguns compostos podem escurecer quando recebem luz, transformando um pigmento claro em tom cinza ou preto. Um teste localizado mostra a reação dessa tinta antes de tratar o restante do desenho. Se houver escurecimento, a estratégia é revista antes de ampliar a área tratada.1
O que define o curso
Além da cor, entram no plano a quantidade e a profundidade da tinta, a idade da tatuagem, a densidade do traço e o local do corpo. Desenhos profissionais e camadas de retoque podem conter mais tinta ou pigmento mais profundo; mãos, pés e áreas de menor circulação podem clarear mais devagar. Cicatriz ou relevo prévio é avaliado separadamente do clareamento da tinta.
Na sessão, a equipe delimita a área e protege os olhos com proteção compatível com o laser utilizado. Pulsos breves atingem a tinta; a sensação pode ser de pequenos estalos ou beliscões, com anestesia local escolhida conforme área e tolerância. A pele pode ficar vermelha, inchada e sensível; às vezes surgem pequenas bolhas ou crostas. A área é mantida limpa e protegida por curativo conforme a orientação para aquela sessão; a proteção do sol acompanha a cicatrização.1, 3
Entre sessões, fragmentos de tinta continuam sendo removidos pelo organismo. O intervalo dá tempo para a pele se reparar e o clareamento se tornar visível; uma nova aplicação é considerada depois que a área cicatrizou e a cor residual foi reavaliada. A comparação por cores e por regiões mostra se o mesmo comprimento de onda ainda tem alvo ou se outra estratégia faz mais sentido.1
Fototipo, objetivo e expectativa
A melanina, pigmento natural da pele, também pode absorver parte da luz destinada à tinta. Por isso, o fototipo, o bronzeamento recente e o histórico de manchas após inflamação pesam na escolha da onda e no ritmo do tratamento. Além do pigmento residual da tinta, podem ficar áreas mais claras ou escuras na própria pele e, menos frequentemente, cicatriz. A meta pode ser clarear o desenho para cobri-lo com outra tatuagem, reduzir o contraste ou buscar a maior remoção possível. Para a cobertura, pode bastar menos clareamento. Mesmo com o tratamento, pode restar tinta; o ponto de parada depende da resposta de cada cor e da condição da pele.1, 4
Uma reação com coceira, inchaço ou placas elevadas sobre a tatuagem muda a avaliação antes do laser, especialmente quando envolve pigmento vermelho, mais associado a reações alérgicas.5 Dor que piora, bolhas extensas, secreção ou ferida que não cicatriza também precisam de avaliação clínica antes de prosseguir. Para a visão geral das opções de remoção e da recuperação, consulte o artigo sobre remoção de tatuagens.
Referências
- American Academy of Dermatology Association. Tattoo removal: lasers outshine other methods.
- Gurnani P, Williams N, Al-Hetheli G, et al. Comparing the efficacy and safety of laser treatments in tattoo removal: a systematic review. Journal of the American Academy of Dermatology. 2022;87(1):103–109.
- Glover C, Richer V. Preventing eye injuries from light and laser-based dermatologic procedures: a practical review. Journal of Cutaneous Medicine and Surgery. 2023;27(5):509–515.
- U.S. Food and Drug Administration. Tattoo removal: options and results.
- DermNet. Tattoo-associated skin reactions.
- DermNet. Laser therapy in skin of colour.