Medicamentos e procedimentos de pele: como a conduta muda

Isotretinoína, antitrombóticos, fotossensibilizantes e imunossupressores interferem de formas distintas. Veja como a técnica e a doença em tratamento orientam a decisão.

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Alguns medicamentos mudam o tipo ou o momento de um procedimento dermatológico porque alteram sangramento, cicatrização ou reação à luz. A decisão depende do efeito do remédio e da profundidade da técnica: isotretinoína pede distinção entre laser totalmente ablativo e fracionado; anticoagulantes pesam mais em técnicas que perfuram ou cortam a pele.

Isotretinoína e renovação da pele

A isotretinoína oral pode deixar a pele mais seca e sensível, mas o ponto central é quanto tecido o procedimento remove. Na renovação totalmente ablativa, o laser remove de forma contínua a superfície tratada e cria uma ferida ampla que precisa formar uma nova cobertura de pele. A dermoabrasão mecânica também produz uma lesão extensa. Renovação totalmente ablativa e dermoabrasão mecânica não são recomendadas durante o uso de isotretinoína pelo consenso citado.1

O laser fracionado cria colunas microscópicas de tratamento e mantém pontes de pele intacta entre elas. Essas áreas ajudam a pele a fechar os pontos tratados. Laser fracionado, peeling superficial e pequenas cirurgias cutâneas podem ser considerados durante ou após o tratamento em situações selecionadas, sem uma espera obrigatória de seis a 12 meses para todos esses procedimentos. A irritação atual e a recuperação da pele orientam o momento, sem transferir a recomendação do laser totalmente ablativo para o fracionado.1

Anticoagulantes e antiagregantes

Varfarina, apixabana, rivaroxabana e dabigatrana interferem na coagulação; clopidogrel e AAS (aspirina) reduzem a ação das plaquetas. Podem aumentar manchas roxas ou sangramento em injeções, biópsias e cirurgias. Uma aplicação injetável pode deixar um roxo maior, enquanto uma excisão com retalho ou enxerto exige planejamento do controle de sangramento e do curativo.

Em muitas cirurgias dermatológicas, manter o antitrombótico é preferível a interrompê-lo, porque um coágulo pode causar AVC, embolia ou evento cardíaco. Se houver motivo para ajustar o esquema, a decisão é feita com quem prescreveu e considera o procedimento e a indicação do remédio.2 Em preenchimento ou toxina, a possibilidade de um hematoma maior também entra na escolha da data e no cuidado local; ela, isoladamente, não justifica suspender a proteção prescrita contra trombose.

Fotossensibilizantes e tratamentos com luz

Doxiciclina e outras tetraciclinas, amiodarona e alguns diuréticos podem causar fotossensibilidade: a luz, em especial a ultravioleta, desencadeia uma reação semelhante a uma queimadura solar ou uma erupção. A reação ao sol interfere na recuperação quando a área fica exposta ou já está inflamada. Para avaliar uma interação com fototerapia, luz intensa pulsada (IPL) ou laser, importa comparar a faixa de luz que provoca a reação ao remédio com a emitida pelo aparelho: fotossensibilidade ao ultravioleta, por si só, não significa a mesma reação a todo laser. Se houver reação ativa, trata-se a pele antes da sessão eletiva; uma troca de medicamento depende também da doença que ele controla.3

Imunossupressão e cicatrização

Imunossupressores e corticoides sistêmicos merecem atenção sobretudo em cirurgia cutânea e renovação ablativa da pele, que deixam uma ferida para cicatrizar. O medicamento específico, a intensidade da imunossupressão e a atividade da doença ajudam a decidir se é possível tratar agora. Uma cicatrização lenta anterior pode levar a tratar uma área menor e acompanhar a ferida mais de perto; uma infecção ativa ou doença descompensada favorece tratar primeiro esse problema. Qualquer ajuste do medicamento considera em conjunto o controle da doença, a cicatrização e o risco de infecção.4

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Referências

  1. Spring LK, Krakowski AC, Alam M, et al. Isotretinoin and Timing of Procedural Interventions: A Systematic Review With Consensus Recommendations. JAMA Dermatology. 2017;153(8):802–809. PubMed.
  2. British Society for Dermatological Surgery. BSDS Guidance on Antithrombotics and Skin Surgery. 2023. PDF da diretriz.
  3. Hofmann GA, Weber B. Drug-induced photosensitivity: culprit drugs, potential mechanisms and clinical consequences. Journal der Deutschen Dermatologischen Gesellschaft. 2021;19(1):19–29. PubMed.
  4. Strickler AG, Shah P, Bajaj S, et al. Preventing Complications in Dermatologic Surgery: Pre-surgical Concerns. Journal of the American Academy of Dermatology. 2021;84(4):883–892. Texto completo.