O ácido tranexâmico é uma opção para reduzir o contraste do melasma persistente ou recorrente. O creme atua nas áreas em que é aplicado e pode compor o clareamento quando outros ativos irritam a pele. O comprimido é discutido principalmente em melasma moderado a intenso ou que continua recidivando apesar de uma rotina tópica bem conduzida, desde que o histórico de saúde permita seu uso.1, 2, 9
Como age e quando usar o creme
A luz ultravioleta ativa sinais entre as células da superfície da pele e os melanócitos, que produzem melanina. O tranexâmico bloqueia parte dessa comunicação ao reduzir a conversão de plasminogênio em plasmina. A pele passa a receber menos estímulo para fabricar pigmento; a mancha clareia gradualmente conforme esse excesso diminui. É uma ação diferente da esfoliação de um peeling: o medicamento não precisa provocar descamação para agir.1, 9
O tranexâmico tópico oferece uma alternativa despigmentante quando a hidroquinona causa irritação ou quando se busca uma fórmula sem ela. O objetivo é clarear mantendo conforto suficiente para uso regular. A escolha considera também os outros ingredientes do creme: trocar o ativo ajuda quando o problema é a tolerância à hidroquinona, mas uma fórmula com vários irritantes pode manter o ardor. A resposta é acompanhada pela redução do contraste das manchas.7
A via oral alcança o organismo inteiro e costuma complementar o tratamento tópico. Injeções na pele e aplicação após microagulhamento levam o medicamento à área tratada e acrescentam o procedimento ao clareamento; não são uma etapa obrigatória entre creme e comprimido.1, 3
Quando discutir a via oral
No Brasil, usar o ácido tranexâmico oral para melasma é um uso fora das indicações aprovadas em bula, chamado off-label.13, 9
Antes de acrescentar o comprimido, é útil conferir há quanto tempo os produtos são usados e se a irritação tem interrompido o tratamento. Um tratamento tópico usado de forma consistente costuma ser reavaliado após cerca de 8 a 12 semanas. Se houve clareamento contínuo e boa tolerância, ele pode seguir como principal tratamento. Se permanecem áreas extensas e escuras ou o ganho se perde repetidamente, o tranexâmico oral pode acrescentar controle por outra via. Ardor e vermelhidão causados pelos próprios produtos pedem primeiro ajuste da fórmula, pois a inflamação também estimula pigmentação.10
O benefício do comprimido aparece ao longo de semanas; uma comparação por volta de três meses ajuda a avaliar a resposta. A mancha pode ficar mais clara sem desaparecer de toda a área que ocupava: por isso, o retorno compara tanto o contraste quanto a extensão, além da tolerância. Havendo ganho, define-se a duração do curso; ausência de melhora relevante leva a rever o diagnóstico e a estratégia, em vez de manter o medicamento indefinidamente.3, 9
Histórico de trombose e contraceptivo combinado
Trombose ativa impede o uso oral. Antecedente de trombose ou uma predisposição conhecida, como trombofilia — condição que favorece a formação de coágulos — também afastam essa opção para o clareamento do melasma. Com contraceptivo hormonal combinado em uso, o tranexâmico oral fica fora do plano: a associação pode aumentar o risco de trombose. O clareamento segue com alternativas tópicas, sem suspender o anticoncepcional por conta própria.6, 4, 5
Durante o uso oral, dor e inchaço novos em uma perna precisam de avaliação urgente; falta de ar súbita ou dor forte no peito exigem atendimento de emergência, pois podem indicar um coágulo.11
O controle continua depois
Parte do clareamento pode se perder nos meses após a retirada do comprimido. Por isso, a suspensão é acompanhada de um plano de manutenção: fotoproteção e uma rotina tópica tolerável continuam controlando os estímulos à pigmentação.8 A luz visível também pode escurecer o melasma; protetores com cor que contêm óxidos de ferro ajudam a reduzir essa exposição.12 Veja como escolher protetor solar com cor e como organizar tratamento e manutenção.
Referências
- Ocampo-Candiani J, Alas-Carbajal R, Bonifaz-Araujo JF, et al. Latin American consensus on the treatment of melasma. International Journal of Dermatology. 2025;64(3):499–512. doi:10.1111/ijd.17522.
- American Academy of Dermatology Association. Melasma: Diagnosis and treatment.
- Minni K, Poojary S. Efficacy and safety of oral tranexamic acid as an adjuvant in Indian patients with melasma: a prospective, interventional, single-centre, triple-blind, randomized, placebo-control, parallel group study. Journal of the European Academy of Dermatology and Venereology. 2020;34(11):2636–2644. doi:10.1111/jdv.16598.
- Barros VIPVL, Valério EG, Teruchkin MM. Usos do ácido tranexâmico e risco de trombose na mulher. Femina. 2025;53(11):1273–1277. doi:10.61622/0100-72545311202503.
- Legrand Pharma. Bula do paciente: ácido tranexâmico, comprimido 250 mg. Bulário Eletrônico da Anvisa. Bula registrada.
- U.S. National Library of Medicine. Tranexamic acid tablets: prescribing information. Contraindicações e risco tromboembólico.
- Janney MS et al. A Randomized Controlled Study Comparing the Efficacy of Topical 5% Tranexamic Acid Solution versus 3% Hydroquinone Cream in Melasma. J Cutan Aesthet Surg. 2019;12(1):63–67.
- Del Rosario E et al. Randomized, placebo-controlled, double-blind study of oral tranexamic acid in the treatment of moderate-to-severe melasma. J Am Acad Dermatol. 2018;78(2):363–369.
- Godse K et al. Oral Tranexamic Acid for the Treatment of Melasma: Evidence and Experience-Based Consensus Statement from Indian Experts. Indian J Dermatol. 2023;68(2):178–185.
- Global consensus on the management of melanin hyperpigmentation disorders. Reavaliação da resposta ao tratamento tópico e seleção de terapias adicionais.
- NHS. Side effects of tranexamic acid. Sinais que exigem avaliação urgente.
- American Academy of Dermatology Association. Melasma: Self-care. Luz visível e protetores com cor.
- Ministério da Saúde / Conitec. Relatório de Recomendação nº 1.066: ácido tranexâmico e DIU-LNG para leiomioma uterino. Dezembro de 2025. Quadro 2, p. 19: indicações aprovadas na Anvisa.