Entenda mais sobre a dermatite atópica: o que é, suas causas, os sintomas, seu tratamento, prevenção e prognóstico!

1. O que é dermatite atópica?

Antes de avançarmos sobre outros tópicos dessa doença, precisamos, primeiro, entender o que ela é.

De modo geral, a dermatite atópica é um tipo de eczema (grupo de doenças o qual iniciam com um edema intracelular da epiderme e se caracterizam por pele seca, pruriginosa e, comumente, evolução crônica) com origem endógena.

Ou seja, essa patologia faz parte de um grupo de doenças que geram uma alteração específica nas células da pele as quais possuem como características: coceira, ressecamento da pele e evolução crônica.

Além disso, quando dizemos que ela tem uma origem endógena é porque existem outros eczemas que são caracterizados por se instalarem graças a questões externas, como por exemplo a dermatite por contato.

Entretanto, ainda que os fatores internos sejam o destaque para o aparecimento da doença, não podemos perder de vista que os fatores internos (como explicaremos mais adiante) também influenciam no seu aparecimento e melhora/piora.

Outro ponto importante a se destacar é onde e quem esse problema atinge.

Pois, de acordo com a epidemiologia, essa dermatite é bastante comum nos países desenvolvidos e atinge, em especial, as crianças.

Desse modo, se formos simplificar, podemos definir a dermatite atópica como uma doença inflamatória crônica da pele a qual está associada a diversos fatores, sejam eles genéticos e/ou ambientas.

2. O que causa a dermatite atópica?

Após compreendermos sobre o que é e quem essa doença mais atinge, podemos passar para o próximo passo: compreender qual é a sua causa.

Infelizmente, ainda não se sabe ao certo o que causa a dermatite atópica. Porém, já são conhecidos diversos fatores os quais contribuem para o seu aparecimento.

Para explicar, dividiremos esses fatores em dois grupos: os externos e os internos. Leia mais abaixo:

2.1. Fatores externos

Os fatores externos se referem as questões ambientas que predispõe o aparecimento de dermatite atópica.

Eles são diversos e vão variar de pessoa para pessoa, mas dentre os principais, podemos citar:

  • Alguns alimentos (trigo, leite, ovos, peixe, etc.);
  • Substâncias alérgicas encontradas no ar (poeira, ácaros, pólen, etc.);
  • Produtos de utilização local (esmalte, shampoo, cremes, etc.);
  • Ter a pele colonizada por um tipo específico de bactéria (Staphylococcus aureus);
  • Intensa sudorese;
  • Utilização de roupas com tecidos mais ásperos.

Ademais, a importância de se ter conhecimento acerto dos fatores externos é porque eles são de caráter modificável.

Assim, é possível retirar, ou pelo menos reduzir, o contato deles com a pessoa, o que acaba sendo uma essencial na hora de tratar essa patologia.

2.2. Fatores internos

Ao contrário do que foi visto anteriormente, e como o próprio nome sugere, os fatores internos dizem respeito as questões que são internas do organismo humano.

Logo, esses fatores não poderão ser modificáveis, mas direcionarão bastante para o diagnóstico clínico dessa patologia.

Sendo assim, o principal destaque desses fatores diz respeito a genética com a presença de genes geradores de modificações estruturais na pele e no sistema imunológico.

Consequentemente, a dermatite atópica está frequentemente associada ao aumento dos níveis de imunoglobulina por causa das modificações genéticas existentes.

Por conta disso, não fica difícil entender o motivo que uma história familiar positiva para o problema influencia muito no seu aparecimento.

E, ainda relacionada a história familiar, vamos elencar um ponto importantíssimo no aparecimento dessa dermatite: a presença de distúrbios atópicos.

Esses distúrbios são um grupo de doenças que predispões reações alérgicas. Assim, ter um histórico pessoal ou familiar que tenha: asma, eczema ou rinite alérgica, fala muito a favor do diagnóstico de dermatite atópica.

Mas, como definiríamos, fisiologicamente uma pessoa atópica?

Simplificadamente, podemos dizer que os pacientes atópicos possuem uma elevação de IgE e eosinófilos e uma diminuição de IgA e da resposta celular.

E, de maneira fisiológica, o IgE e os eosinófilos são responsáveis pela a resposta alérgica no nosso corpo, enquanto o IgA e a resposta celular são o que ajudam o nosso corpo a combater corpos estranhos.

Dessa maneira, é possível compreender que as pessoas atópicas respondem de maneira aumentada a diversos estímulos.

Por isso, os fatores internos influenciam diretamente nos fatores externos, pois são eles o motivo para que quem é atópico tenha uma reação exagerada a algumas substâncias.

3. Como se faz o diagnóstico da dermatite atópica?

Após compreender a definição e as principais causas da dermatite atópica, é necessário entender como funciona o seu diagnóstico.

Entretanto, é importante deixar claro que apenas um médico pode realizar o diagnóstico correto dessa patologia.

Por isso, durante uma consulta, o especialista investigará a história (tanto da pessoa como dos seus familiares), observará como se apresentam as lesões de pele e todos os sinais e sintomas associados a ela.

Ademais, serão avaliados alguns critérios os quais podem ser definidos em: maiores e menores.

Dentre os critérios maiores, destacam-se:

  • Prurido (coceira com piora pela noite);
  • História familiar de atopia;
  • Forma das lesões e local atingidos por elas.

Já entre os critérios menores, destacamos:

  • Prega de Dennie-Morgan (consistindo na presença de uma dupla prega embaixo dos olhos);
  • Escurecimento periocular (olheiras);
  • Sinal de Hertoghe (uma rarefação dos pelos no terço mais distal das sobrancelhas);
  • Pitiriase Alba;
  • Queratose pilar;
  • Hiperlinearidade palmoplantar (aumento das linhas das palmas das mãos e dos pés).

Além de conhecer todos os principais critérios para diagnosticar a dermatite atópica, também é necessário entender como é a morfologia dessas lesões.

Desse modo, precisaremos compreender melhor o curso da doença para poder classifica-la corretamente.

Sendo assim, as lesões relacionadas com a progressão da dermatite atópica, podem ser divididas em dois momentos:

  1. O primeiro momento se refere a fase aguda, onde as lesões observadas serão mais vermelhas e com presença de edema (inchaço). Ademais, elas serão classificadas como manchas ou placas as quais podem apresentar vesículas e exsudato.
  2. Já com a progressão da doença, por ser bastante comum que as pessoas cocem os locais afetados, consequentemente, irão aparecer lesões com características mais secas e liquenificadas (espessamento da pele com aumento das marcas cutâneas).

Outro ponto importante para se falar, diz respeito ao local que essas lesões acometem.

Porém, precisamos ter em mente que a localização das lesões está relacionada a idade que a pessoa apresenta.

Isso porque, quando estamos diante de uma criança que é atingida por essa doença observaremos que as lesões aparecerão mais na região da face.

Entretanto, se estamos falando dos adultos, o comum é que essas lesões apareçam em regiões de dobras (como joelhos e cotovelos).

A importância de se saber disso se relaciona aos diagnósticos diferenciais que serão feitos em relação a outras dermatites.

4. Como funciona o tratamento para a dermatite atópica?

O tratamento da dermatite atópica deve comtemplar dois objetivos principais:  a redução dos sintomas e a prevenção da piora do quadro.

Dessa forma, os fármacos mais utilizados serão preparações anti-inflamatórias locais (com destaque para corticoides).

Outra medida importante diz respeito a realização de uma boa hidratação da pele com soluções, as quais podem ser manipuladas, para evitar o aparecimento da doença.

Entretanto, se a pessoa estiver em crise também é recomendado o uso de anti-histamínicos sedativos (principalmente, por conta da grande dificuldade de se dormir pela noite).

No mais, se o quadro for mais grave, pode ser utilizados outras formas de tratamentos como a fototerapia e alguns imunobiológicos.

Também é preciso deixar claro que antibióticos podem ser utilizados de maneira sistêmica em casos em que se observa uma infecção na pele (muitas vezes causada pelo ato de coçar o local).

Mais uma vez, é preciso deixar claro que apenas um médico qualificado pode realizar um tratamento correto para essa doença.

Isso porque apenas um especialista poderá definir qual é a melhor forma de manejar cada caso.

Principalmente, porque alguns medicamentos (como os corticoides) precisam de ter recomendações e cuidados específicos na hora do seu uso. Visto que, se forem utilizados de qualquer maneira, podem agravar o quadro e, talvez, até levar a outras complicações.

5. Existe prevenção para a dermatite atópica?

Em relação a prevenção da dermatite atópica, ganha destaque o uso de hidratantes e a retirada de fatores externos que podem está causando uma predisposição ao aparecimento da patologia.

Desse modo, algumas medidas simples podem ser adotadas em vista de reduzir o aparecimento dessa doença, são elas:

  • Retirar tapetes, cortinas e outras tapeçarias, além de evitar a presença de animais domésticos por conta dos pelos;
  • Lavar as roupas de cama com água quente;
  • Evitar o uso de travesseiros com penas e preferir os que são sintéticos e impermeáveis;
  • Reduzir fatores que levam ao estresse emocional;
  • Evitar banhos quentes e muito demorados para não desidratar a pele;
  • Tentar manter a casa sempre arejada e sem foco de locais úmidos.

6. Qual o prognóstico para quem tem dermatite atópica?

Por ser uma doença de característica crônica, normalmente, a pessoa precisará tomar cuidado para o resto da vida.

Todavia, ainda que seja bastante comum se observar esse problema em crianças, podemos notar uma melhora, mais ou menos, a partir dos cinco anos de idade.

Porém, se estamos diante de um quadro mais grave da doença pode ser que ela demore um pouco mais tempo para começar a se atenuar.

Mesmo assim, é comum que na juventude e na idade adulta os surtos se tornem cada vez menos frequentes, principalmente o tratamento e as medidas de prevenção forem aplicados de maneira correta.

7. Quais são os diagnósticos diferenciais?

São vários os diagnósticos diferenciais relacionados a dermatite ectópica, mas, dentre os principais, podemos citar outros tipos de dermatite, as quais são:

  • Dermatite seborreica (eritema e descamação gordurosa, principalmente, do couro cabeludo);
  • Dermatite de contato alérgica (contato da pele com alérgenos da qual foi previamente sensibilizada);
  • Dermatite de contato por irritante primário (reação alérgica causada por agente externo);
  • Dermatite numular (acomete principalmente homens com mais de 50 anos);
  • Eczema desidrótico (uma forma de dermatite crônica que afeta mais mãos e pés).

Conclusão

Terminando esse texto é possível se conhecer bem mais a respeito da dermatite atópica.

Mas, pelo fato do texto ser extenso, deixaremos abaixo os principais pontos encontrados.

Primeiro em relação a definição e quais os fatores que causam essa doença, podemos destacar:

  • A dermatite atópica é uma doença inflamatória crônica da pele associada a diversos fatores;
  • A causa específica dessa patologia não é conhecida.
  • Os fatores relacionados podem ser externos (ligados ao ambiente) e internos (ligados a genética);
  • Pessoas que têm histórico familiar ou pessoal de atopia tem maior chance de desenvolver a doença;

Já quando colocamos em foco o diagnóstico, vimos que:

  • O diagnóstico é feito por um médico que observa os critérios maiores e menores;
  • A coceira das lesões tende a piorar no período noturno;
  • A morfologia das lesões varia conforme a progressão da doença;
  • Na fase aguda se observam mais manchas e placas com a presença de edema e vermelhidão.
  • Na fase aguda, também podem aparecer vesículas e exsudato;
  • Na fase crônica, por conta do atrito, as lesões se observam mais secas e liquenificadas;
  • Os mais jovens apresentaram mais lesões em face, enquanto os adultos serão mais afetados em regiões de dobras;

Por fim, o que merece maior destaque em relação ao tratamento, a prevenção e o prognóstico é:

  • O tratamento é feito por um médico que pode usar: anti-inflamatórios locais, hidratantes e anti-histaminicos sedativos;
  • Em casos mais graves pode ser recomendado o uso de imunobiológicos e fototerapia;
  • Se ocorrer infecção bacteriana antibióticos são recomendados;
  • A prevenção é focada na retirada de agentes externos e hidratação da pele;
  • A doença costuma ter melhora a partir dos 5 anos de idade;
  • Em casos mais graves a atenuação da patologia pode demorar um pouco mais, porém não costuma se estender para a juventude e vida adulta.

Gostou? Então compartilhe com outras pessoas que também podem ter curiosidade a respeito da dermatite atópica para que elas também aprendam quais são os pontos principais dessa patologia!

Sobre o autor:

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CRM-SP: 156490 / RQE: 65521. Médica pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP/EPM). Residência Médica em Dermatologia pela UNIFESP. Pós-Graduação em Dermatologia Oncológica pelo Instituto Sírio Libanês (SP). Fellow em Tricologias, Discromias e Acne pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HC-FMUSP). Pós-Graduação em Pesquisa Clínica pela Harvard Medical School – EUA (Principles and Practice of Clinical Research).

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