Em peles mais pigmentadas, o Discovery Pico é uma opção para alvos como tinta de tatuagem ou pigmentação dérmica, após identificar o pigmento e avaliar a pele. A escolha depende do diagnóstico, da profundidade e da interação entre o comprimento de onda e a melanina da própria pele. A plataforma reúne modos diferentes para pigmento e textura.
Como o fototipo muda a escolha
Fototipo descreve a tendência da pele a queimar e bronzear com o sol. Os fototipos IV a VI, chamados aqui de altos, bronzeiam com facilidade. Na avaliação de um laser, ele ajuda a estimar quanto pigmento natural da epiderme, a camada superficial da pele, pode competir com a mancha pela energia. A história também importa: uma pessoa com melasma, bronzeamento ou manchas após acne ou procedimentos pode ter uma resposta diferente de outra com o mesmo fototipo.
O exame diferencia melasma, lentigo, hiperpigmentação pós-inflamatória e pigmentação dérmica, além de identificar lesões que precisam de investigação antes de receber laser. A hiperpigmentação pós-inflamatória deixa uma marca no local antes inflamado, como o de uma espinha: a inflamação ativa as células que produzem melanina. 1, 2
Comprimento de onda e modo de pulso
A família Discovery Pico reúne diferentes fontes e modos de emissão. Os pulsos em picossegundos estão disponíveis em 1064 e 532 nm. Em modelos Plus que incluem a fonte Ruby, o comprimento de onda de 694 nm opera em Q-switched ou em modo fototérmico.
O pulso em picossegundos favorece a fragmentação por variações rápidas de pressão; o Ruby Q-switched usa pulsos mais longos, em nanossegundos, e o modo fototérmico trabalha pelo aquecimento. Portanto, o nome da plataforma não significa que toda aplicação use picossegundos.3, 4
A fragmentação deixa partículas menores de tinta ou pigmento, que o organismo remove gradualmente. A ponteira fracionada cria microáreas de renovação para tratar textura. É uma aplicação diferente da usada para clarear pigmento com energia uniforme dentro de cada ponto de laser.3
Escolha conforme pigmento e pele
O comprimento de onda precisa alcançar o pigmento com menor absorção indesejada pela epiderme. O 1064 nm tem menor absorção pela melanina superficial e maior penetração, por isso pode ser considerado em pigmento dérmico e tinta escura, como preta e azul-escura. O 532 nm tem maior absorção por melanina e pode atingir pigmento mais superficial, além de ser uma opção para tinta vermelha e laranja; em fototipo alto, a absorção pela pele ao redor pode causar lesão e nova pigmentação.6 O Ruby 694 nm também interage fortemente com melanina e pode ser usado para tintas azuis e verdes, mas sua indicação depende da tinta, da pele e do modo de pulso. 1, 2, 3, 4
Melasma requer estratégia diferente de uma tatuagem ou de um lentigo isolado. Fotoproteção e tratamento tópico continuam depois das sessões para reduzir a tendência de o melasma voltar; a mancha que reaparece leva a rever esse controle. O laser pode complementar o tratamento em casos selecionados, mas também pode agravar a pigmentação, sobretudo em pele mais pigmentada.7 Para manchas após acne, controlar a inflamação reduz novas marcas. 1, 5
Estado da pele antes da sessão
A sessão é planejada com a pele sem irritação ou bronzeamento recente; melasma em piora recebe controle clínico primeiro. Uma área limitada de tratamento pode ajudar a observar clareamento e tolerância antes de ampliar a aplicação.
O que esperar da resposta
A reação depende do alvo tratado. Um lentigo pode escurecer e formar uma crosta transitória antes de clarear.8 Vermelhidão e inchaço leve também podem acompanhar a recuperação. Na tatuagem, a comparação por cores mostra quanto pigmento resta após a pele cicatrizar e o organismo remover os fragmentos. Uma cor pode clarear antes de outra, exigindo mudar a onda ou o objetivo da próxima sessão.
Vermelhidão prolongada ou pigmentação nova pede reavaliar a reação antes de repetir a modalidade. Dor crescente, secreção ou bolhas extensas exigem avaliação da área tratada. Os cuidados da superfície estão detalhados em recuperação após laser.2
Referências
- Garg S, Vashisht KR, Garg D, Oberoi B, Sharma G. Advancements in Laser Therapies for Dermal Hyperpigmentation in Skin of Color: A Comprehensive Literature Review and Experience of Sequential Laser Treatments in a Cohort of 122 Indian Patients. Journal of Clinical Medicine. 2024;13(7):2116. doi:10.3390/jcm13072116. PMID:38610881.
- Sowash M, Alster T. Review of Laser Treatments for Post-Inflammatory Hyperpigmentation in Skin of Color. American Journal of Clinical Dermatology. 2023;24(3):381–396.
- Quanta System. Discovery Pico Series.
- U.S. Food and Drug Administration. 510(k) Summary K240983: Discovery Pico Family.
- American Society for Dermatologic Surgery. Melasma.
- American Academy of Dermatology. Skin conditions that lasers can treat.
- British Association of Dermatologists. Melasma.
- American Academy of Dermatology. What can get rid of age spots?