Herpes recorrente, melasma ativo, tendência a queloide e alergia mudam partes diferentes do plano dermatológico. O histórico de herpes pode levar a antiviral preventivo antes de procedimentos de renovação da pele; melasma em piora favorece controle clínico antes de calor ou inflamação; queloide pesa quando a técnica cria uma ferida; alergia exige investigar o componente responsável.
Herpes e prevenção por procedimento
Uma bolha ou o ardor que costuma anteceder as lesões de herpes no local indica reativação em curso; procedimentos eletivos na área devem esperar até a lesão estar completamente resolvida. O laser ablativo para renovação da face remove parte da superfície e rompe a barreira em área extensa e tem risco relevante de reativar herpes labial; a profilaxia antiviral faz parte do plano para esse procedimento. O histórico de crises e a realização de procedimentos ao redor dos lábios também orientam prevenção em peelings, microagulhamento e preenchimento perioral.1
Aciclovir e valaciclovir reduzem a multiplicação do vírus e são opções para tratar episódios e prevenir reativação em situações selecionadas. Na profilaxia, o medicamento começa antes do procedimento e cobre o período inicial de recuperação; o esquema acompanha a técnica, a recorrência e a função renal. Para quem já teve herpes desencadeado por um procedimento, a prevenção ganha peso mesmo em intervenções menores. A ruptura da barreira também pesa na decisão; uma técnica superficial ou distante da boca, por si só, não decide a necessidade de antiviral.1
Melasma e inflamação
Melasma que está escurecendo ou piora após calor e irritação merece controle antes de procedimentos que aquecem ou inflamam a pele. A inflamação pode estimular melanócitos — células que produzem pigmento — e deixar a mancha mais intensa. Nessa fase, a prioridade é reduzir atividade com tratamento tópico escolhido para a pele, como hidroquinona sob acompanhamento, e fotoproteção diária. Se o clareador provoca ardor ou descamação persistentes, ajustar a fórmula ou considerar uma opção mais suave, como o ácido azelaico, evita sustentar a irritação que pode escurecer a pele. Filtros com cor e óxidos de ferro ajudam também contra luz visível.2, 3, 7, 8
Quando não há escurecimento recente e a rotina é tolerada sem irritação, um peeling superficial pode ser considerado como complemento; lasers ficam para casos selecionados que não responderam ao tratamento clínico. Procedimentos mais profundos podem aumentar inflamação e hiperpigmentação, sobretudo em pele que pigmenta após irritação. O controle tópico e a manutenção continuam sendo a base, mesmo quando se decide tratar uma área focal.3, 4
Queloide e tipo de trauma
Queloide é uma cicatriz que cresce além dos limites do ferimento original; cicatriz hipertrófica fica elevada, mas permanece dentro deles. Localização, crescimento e comportamento de outras cicatrizes ajudam a distinguir uma lesão isolada de uma tendência recorrente. O histórico pesa mais para cortes, laser ablativo e peelings médios ou profundos, que provocam lesão maior do que uma técnica superficial ou sem ruptura da pele. A área também importa: peito, ombros e mandíbula podem ter mais tensão e propensão a cicatriz elevada.
No tratamento de um queloide já existente, lasers podem reduzir a cor e a altura. Infiltrações de corticoide dentro da cicatriz ajudam a amaciar e reduzir o tecido elevado; a pressão exercida por dispositivos específicos pode ajudar a controlar o crescimento e a recidiva, com uso acompanhado ao longo de meses. Essas abordagens podem ser combinadas, e têm finalidade diferente da renovação estética da pele em outra área.5
Alergia e substância responsável
Urticária e inchaço logo após um anestésico sugerem uma investigação diferente de uma placa avermelhada que coça que surgiu dias depois sob o adesivo do curativo. O produto usado, o intervalo até a reação e a distribuição das lesões ajudam a localizar o componente responsável. Irritação e alergia de contato podem parecer iguais. Na irritação, reduzir a exposição ao produto e recuperar a barreira cutânea são parte do tratamento; concentração e frequência de uso importam. Na alergia confirmada, é preciso evitar o componente responsável, inclusive em produtos de outras marcas. Em procedimentos, os itens mais úteis de identificar são anestésico local, antisséptico como clorexidina, adesivo, antibiótico tópico e o produto que será injetado ou aplicado.9
Se houve reação imediata generalizada ou dúvida de alergia a anestésico, a investigação pode incluir avaliação alergológica para escolher uma alternativa segura. Quando há suspeita de alergia de contato tardia, o teste de contato (epicutâneo) pode ajudar a identificar o alérgeno. Na escolha do material, trocar a marca sem conferir a composição pode manter o mesmo alérgeno.6, 10
Referências
- Vaghela D, et al. Guideline for the Management Herpes Simplex 1 and Cosmetic Interventions. Journal of Clinical and Aesthetic Dermatology. 2021;14(6 Suppl 1):S11–S14. Texto completo.
- Passeron T, Desai SR, Abdallah M, et al. Global consensus on the management of melanin hyperpigmentation disorders. Journal of the European Academy of Dermatology and Venereology. 2026;40(5):760–772. Texto completo.
- Sarkar R, Desai SR, Sinha S, et al. Delphi consensus on melasma management by international experts and pigmentary disorders society. Journal of the European Academy of Dermatology and Venereology. 2026;40(4):680–692. PubMed.
- Sarkar R, et al. Chemical Peels in Melasma: A Review with Consensus Recommendations by Indian Pigmentary Expert Group. Indian Journal of Dermatology. 2017;62(6):578–584. Texto completo.
- American Academy of Dermatology. Keloid scars: Diagnosis and treatment. AAD.
- Strickler AG, Shah P, Bajaj S, et al. Preventing Complications in Dermatologic Surgery: Pre-surgical Concerns. Journal of the American Academy of Dermatology. 2021;84(4):883–892. Texto completo.
- Castanedo-Cazares JP, Hernández-Blanco D, Carlos-Ortega B, Fuentes-Ahumada C, Torres-Álvarez B. Near-visible light and UV photoprotection in the treatment of melasma: a double-blind randomized trial. Photodermatology, Photoimmunology & Photomedicine. 2014;30(1):35–42. PubMed.
- American Academy of Dermatology. Melasma: Diagnosis and treatment. Fonte.
- British Association of Dermatologists. Contact dermatitis. 2025. Fonte.
- American Academy of Dermatology. Patch testing can find what’s causing your rash. Fonte.