Hialuronidase: quando e como tratar o preenchimento de ácido hialurônico

Entenda como a enzima reduz o gel, quando uma correção pode ser parcial, o tempo de reavaliação e o que muda diante de uma complicação vascular.

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Hialuronidase é uma enzima que quebra o ácido hialurônico do preenchedor. Pode ser usada para reduzir excesso, irregularidade ou edema mantido pelo gel e integra o tratamento urgente de algumas oclusões vasculares por ácido hialurônico. Ela não dissolve hidroxiapatita de cálcio, ácido poli-L-láctico, polimetilmetacrilato (PMMA) ou gordura; por isso, identificar o material e o problema vem antes da decisão.1, 2

Correção estética com hialuronidase

A hialuronidase pode causar reação alérgica. Antes de uma correção eletiva, o médico precisa conhecer reações anteriores à própria enzima e episódios de alergia grave a picadas de abelha ou vespa. Esse histórico pode exigir avaliação com alergista antes de decidir pela aplicação, especialmente se a alergia a picadas ainda não foi investigada ou tratada.5

Em uma correção eletiva, o médico localiza a área que incomoda, revê o histórico de produto e compara o volume atual com a anatomia original. Excesso localizado, irregularidade e efeito azulado por gel superficial podem permitir redução parcial. A enzima é aplicada na região-alvo. A quantidade necessária depende do tipo de gel e de quanto produto está concentrado no local; a resposta à primeira aplicação ajuda a definir se a correção será feita em mais de uma etapa.1, 3

A enzima começa a degradar o ácido hialurônico logo após a aplicação, mas o inchaço local pode esconder o contorno por algum tempo. Na dissolução eletiva, a equipe costuma reavaliar por volta de 48 horas: observa o volume residual e a simetria para decidir se aguarda ou se uma nova etapa é necessária. A hialuronidase também pode alcançar gel próximo ao ponto tratado e reduzir parte do volume que estava sustentando a área vizinha. Quando o depósito é profundo, irregular ou difícil de localizar, o ultrassom pode mapear o produto e orientar a aplicação.1

Edema tardio e nódulos

No edema tardio, o exame distingue retenção de líquido de inflamação ou infecção. Se o ácido hialurônico retém líquido sem sinais de infecção ou inflamação ativa, dissolver o produto pode reduzir o fator que mantém o inchaço. Um nódulo quente, vermelho ou doloroso exige primeiro avaliar infecção e inflamação; a hialuronidase não é tratamento inicial de uma infecção ativa. Nessa situação, drenagem, cultura e tratamento antimicrobiano podem ser necessários conforme o exame.3

Oclusão vascular é uma urgência

Dor intensa ou crescente, palidez, pele fria, desenho arroxeado em rede, ferida ou alteração da visão após preenchimento podem indicar fluxo sanguíneo comprometido. A suspeita exige atendimento imediato. Quando o material é ácido hialurônico, a hialuronidase integra o tratamento urgente: a equipe acompanha cor, temperatura e circulação da pele e pode repetir a aplicação se o fluxo continuar reduzido. Esse manejo busca restabelecer a circulação da pele e limitar a lesão do tecido. Qualquer alteração da visão exige também atendimento de emergência oftalmológica.2, 4

O que esperar depois

O objetivo pode ser reduzir apenas o excesso que incomoda, tentando preservar a sustentação que o gel ainda oferece ao contorno, ou dissolver uma área maior. Após a dissolução, depressões ou assimetrias preexistentes podem reaparecer; o edema local também altera temporariamente o contorno. Para novo preenchimento após dissolução eletiva, costuma-se aguardar pelo menos duas semanas e a resolução do edema; quando houve reação inflamatória ou complicação, o controle desse problema também precisa estar confirmado. Contorno, simetria e a queixa que permanece orientam se outro preenchimento acrescentaria benefício.1, 3

Se a queixa principal é uma olheira, a dissolução só ajuda quando o ácido hialurônico contribui para a alteração do contorno ou para o edema; pigmento, vasos, bolsa de gordura e flacidez pedem outro alvo.

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Referências

  1. Murray G, Convery C, Walker L, Davies E. Guideline for the Safe Use of Hyaluronidase in Aesthetic Medicine, Including Modified High-dose Protocol. J Clin Aesthet Dermatol. 2021;14(8):E69-E75.
  2. Murray G, Convery C, Walker L, Davies E. Guideline for the Management of Hyaluronic Acid Filler-induced Vascular Occlusion. J Clin Aesthet Dermatol. 2021;14(5):E61-E69.
  3. Baranska-Rybak W, et al. Late-Onset Reactions after Hyaluronic Acid Dermal Fillers: A Consensus Recommendation on Etiology, Prevention and Management. Dermatol Ther (Heidelb). 2024;14(7):1767-1785. doi:10.1007/s13555-024-01202-3.
  4. Walker L, Convery C, Davies E, Murray G, Croasdell B. Consensus Opinion for The Management of Soft Tissue Filler Induced Vision Loss. J Clin Aesthet Dermatol. 2021;14(12):E84–E94.
  5. Bertlich M, et al. Sensitization against medical hyaluronidase in patients with confirmed hypersensitivity against hymenoptera species and its clinical implications. Br J Dermatol. 2024;191(6):1000–1007.