Preenchimento com ácido hialurônico: gel, aplicação e resultado

O gel dos lábios precisa acompanhar o movimento; o do queixo, sustentar projeção. Anatomia, firmeza e retenção de água mudam a escolha do preenchedor.

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preenchimento com ácido hialurônico

O preenchimento com ácido hialurônico injeta um gel sob a pele para acrescentar volume, dar suporte ou suavizar uma depressão localizada. O resultado depende de qual tecido está causando a queixa, da região e das propriedades do gel; rugas de expressão, manchas e flacidez importante pedem outras estratégias.

Volume e escolha do gel

O ácido hialurônico é uma molécula que retém água. Nos preenchedores, ele forma um gel implantado no plano escolhido para projetar ou apoiar o tecido. A concentração e o modo como o gel é estruturado influenciam sua firmeza, elasticidade, coesão e interação com a região tratada. 1, 2

Essas propriedades têm efeitos diferentes no rosto. A elasticidade descreve quanto o gel resiste à deformação: um material que mantém melhor a forma pode dar projeção em uma área submetida à pressão. A coesão descreve como o gel se mantém unido; sua capacidade de se distribuir influencia a integração com os tecidos. Já a captação de água interfere no volume após a aplicação. Por isso, géis com o mesmo ingrediente podem produzir contornos diferentes.12

A escolha combina esse comportamento com a espessura e o movimento da região. Sob pele fina, um depósito muito aparente pode deixar relevo; em uma área que precisa de sustentação, um material muito deformável pode oferecer pouca projeção.2, 12

Indicação por região

Bochechas e sulco nasolabial

Perda de projeção da bochecha pode acentuar a sombra sobre a dobra que desce ao lado da boca. O exame distingue essa alteração de suporte de uma depressão localizada no próprio sulco. Essa diferença define se o gel será usado para apoiar o terço médio, suavizar uma depressão ou combinar as duas etapas.

Lábios

O lábio se estica, comprime e muda de forma ao falar e sorrir. Para acrescentar volume ou definir o contorno, interessa um gel que acompanhe esse movimento e se integre ao tecido, evitando um relevo rígido ou muito evidente. A espessura do lábio e o volume já existente também limitam quanto acrescentar: aumentar uma borda já projetada pode acentuar sua saliência, sem melhorar a proporção.2

Queixo e mandíbula

No queixo, o gel precisa manter projeção sob a pressão da pele e dos músculos; por isso, costuma-se buscar maior capacidade de sustentação do que em uma área de movimento delicado, como o lábio. O preenchimento pode melhorar uma retração localizada e parte da definição mandibular. Quando o contorno apagado vem principalmente de gordura abaixo do queixo ou excesso de pele, acrescentar gel aumenta volume sem corrigir a causa dominante.2

Sulco da olheira

Quando existe um sulco entre a pálpebra inferior e a bochecha, suavizar a diferença de altura pode reduzir a sombra. Se a cor escura vem principalmente de pigmento ou vasos visíveis através da pele, a correção de volume deixa esse componente presente. Bolsas salientes também têm uma estrutura diferente de uma depressão.5

A região tem pele fina e drenagem delicada. O ácido hialurônico retém água, e o volume acrescentado pode dificultar a drenagem local; em quem já apresenta edema recorrente, isso pode tornar o inchaço mais visível. Por essa razão, uma olheira com sulco bem definido e pouco edema é uma situação diferente de uma pálpebra frequentemente inchada.5

Preenchimento e bioestimulador: alvos diferentes

Juliana compara a reposição de suporte com o estímulo de colágeno e explica como o exame orienta a escolha entre os dois.

Dra. Juliana Toma · 2:44

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Quando associar outras técnicas

Linhas que surgem principalmente ao franzir ou sorrir têm relação com a contração muscular; a toxina botulínica atua nesse componente. Alterações de textura e pigmento podem pedir tratamentos de superfície, como peelings ou lasers. Quando a queixa reúne mais de um componente, o plano combina modalidades dirigidas a cada alvo. Veja as diferenças em tratamento de rugas e linhas de expressão.

Explicação da anatomia facial com apoio de uma ilustração
Anatomia facial explicada com material ilustrado.

Preenchimento anterior e ultrassom

O exame considera o volume que já existe, a mobilidade da região e qualquer inchaço ou nódulo antes de acrescentar gel. O ultrassom ajuda a localizar depósitos e a avaliar o material quando há dúvida sobre um preenchimento anterior ou uma alteração palpável.9

Um nódulo pode corresponder a concentração de gel, inflamação ou infecção. Dor, calor, vermelhidão e momento de aparecimento orientam a investigação. A conduta muda com a causa: uma infecção exige tratamento próprio; a hialuronidase degrada ácido hialurônico em situações selecionadas, mas não dissolve ácido poli-L-láctico (PLLA) ou hidroxiapatita de cálcio.3, 10

Alergias, composição do gel e medicamentos que aumentam sangramento também entram na seleção. Na gestação e amamentação, o preenchimento estético costuma ser adiado.11, 9

Como é a sessão

A avaliação define a área e o resultado buscado; o profissional então seleciona o gel e o plano de aplicação. Após higienizar a pele, o material é colocado com agulha ou cânula, conforme a anatomia e a técnica. Alguns produtos contêm anestésico local.6 Anestesia tópica ou local também pode ser usada conforme a região e o produto.7 O trajeto dos vasos também orienta a escolha entre cânula e agulha.2

O aumento de volume aparece de imediato, junto ao inchaço da aplicação. Depois que essa reação diminui, o retorno compara contorno, simetria e movimento ao falar ou sorrir. Uma depressão que permanece pode justificar ajuste; quando a primeira etapa já suavizou o sulco, acrescentar volume pode ser desnecessário. 7 O MD Codes organiza esse planejamento em pontos de aplicação identificados por região do rosto, como bochecha ou queixo.13

Quanto tempo dura

Preenchedores de ácido hialurônico são temporários: o organismo degrada e absorve o gel, e o efeito diminui com o tempo. Uma referência geral para o efeito é de seis a doze meses, com variação conforme formulação e região. Profundidade, movimento e quantidade aplicada também influenciam o curso.8 Quando o contorno volta a incomodar, o exame do volume atual e do gel residual orienta a nova aplicação.4

Recuperação

Vermelhidão, sensibilidade, inchaço e hematomas costumam diminuir nos primeiros dias e frequentemente se resolvem em uma a duas semanas.7 Dor crescente ou desproporcional, palidez, manchas arroxeadas em rede ou alteração visual após a aplicação exigem avaliação urgente, pois podem indicar interrupção do fluxo sanguíneo.3

Na oclusão vascular por ácido hialurônico, a equipe pode usar hialuronidase para tentar degradar o gel e restabelecer o fluxo.3

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Referências

  1. Wu GT, Kam J, Bloom JD. Hyaluronic Acid Basics and Rheology. Facial Plastic Surgery Clinics of North America. 2022.
  2. de la Guardia C, et al. Rheologic and Physicochemical Characteristics of Hyaluronic Acid Fillers: Overview and Relationship to Product Performance. Facial Plastic Surgery. 2022;38(2):116–123.
  3. Murray G, et al. Guideline for the Management of Hyaluronic Acid Filler-induced Vascular Occlusion. Journal of Clinical and Aesthetic Dermatology. 2021.
  4. U.S. Food and Drug Administration. Dermal Filler Do’s and Don’ts for Wrinkles, Lips and More. Reactions and temporary nature of most fillers.
  5. Anido J, et al. Recommendations for the treatment of tear trough deformity with cross-linked hyaluronic acid filler. Journal of Cosmetic Dermatology. 2021.
  6. U.S. Food and Drug Administration. FDA-Approved Dermal Fillers. Materiais e presença de lidocaína em algumas formulações.
  7. American Academy of Dermatology. Fillers: FAQs. Evolução das reações locais e resultado inicial.
  8. Mayo Clinic. Facial fillers for wrinkles. Duração geral do efeito de preenchedores de ácido hialurônico.
  9. Urdiales-Gálvez F, et al. Ultrasound patterns of different dermal filler materials used in aesthetics. J Cosmet Dermatol. 2021;20(5):1541–1548.
  10. Convery C, et al. Delayed-onset Nodules and Considering their Treatment following use of Hyaluronic Acid Fillers. 2021.
  11. U.S. Food and Drug Administration. Dermal Fillers (Soft Tissue Fillers). Indicação, seleção e recuperação.
  12. Fundarò SP, et al. The Rheology and Physicochemical Characteristics of Hyaluronic Acid Fillers: Their Clinical Implications. Int J Mol Sci. 2022;23(18):10518.
  13. de Maio M. MD Codes: A Methodological Approach to Facial Aesthetic Treatment with Injectable Hyaluronic Acid Fillers. Aesthetic Plast Surg. 2021.