Intradermoterapia: Principais indicações

Intradermoterapia

A intradermoterapia, também conhecida como mesoterapia, é um procedimento relativamente recente, originado na França. Ela apresenta grande eficácia em suas aplicações, sendo utilizada principalmente em tratamentos estéticos.

Consiste na inserção de substâncias na derme (camada da pele situada logo abaixo à camada visível, conhecida como epiderme) ou no tecido subcutâneo (camada situada logo abaixo à derme). Com isso, é possível criar uma alta concentração dessas substâncias na região, tornando seu uso mais eficiente e melhorando os resultados.

A principal vantagem é a inserção de grandes concentrações de fármacos exatamente no lugar em que são necessários. Isso é mais eficiente que o uso de abordagens sistêmicas, isto é, que atingem o corpo todo. Essas requerem uso de maior quantidade desses fármacos e a concentração deles no local desejado é menor.

O procedimento utiliza agulhas bem finas e curtas. A profundidade escolhida depende do local de aplicação, e o fato de serem finas impede que haja a formação de lesões ou cicatrizes no local, como ocorre no caso de injeções mais profundas.

Continue a leitura e saiba mais. 

Para que serve a intradermoterapia?

Ela é utilizada principalmente para o rejuvenescimento da pele, diminuição da gordura localizada e tratamento da celulite.

Rejuvenescimento da pele

O colágeno é uma das principais proteínas responsáveis pela manutenção da pele. É o que a mantém firme e elástica, ocasionando a aparência jovem que desejamos manter.

Sua produção se mantém estável até os 30 anos de idade, mantendo a saúde da pele, mas passa a diminuir a partir dessa idade. Após os 40 anos já é possível observar sinais de envelhecimento, como o surgimento de rugas e linhas de expressão, assim como a flacidez.

Esse processo de envelhecimento pode ser enfraquecido através do estímulo da produção de colágeno, processo que é realizado também através da intradermoterapia.

Nesse caso, o processo se baseia na injeção de bioestimuladores de colágeno, substâncias biodegradáveis e biocompatíveis que estimulam os fibroblastos, células responsáveis pela produção da proteína.

O aumento da produção leva a um retorno gradual da firmeza e elasticidade da pele, resultando em uma aparência visivelmente mais jovem. Há outros fatores que contribuem para a mudança da aparência da pele com a idade, especialmente do rosto, mas a intradermoterapia de colágeno por si já consegue ótimos resultados.

Colágeno

O colágeno também é responsável pela manutenção de outros tecidos do corpo, como o tecido muscular e ósseo, além de contribuir para a saúde arterial, para a saúde das articulações e para o crescimento saudável de unhas e cabelos.

Porém, como a intradermoterapia é localizada, ela age somente próximo ao local de aplicação, especificamente logo abaixo da superfície da pele. Portanto, não contribui para a saúde do corpo em outras regiões.

Nesse caso, é necessário ter hábitos mais saudáveis, especialmente quanto à alimentação, e ingerir suplementos, caso haja recomendação e acompanhamento médico. A adoção desses hábitos pode também contribuir para a saúde da pele, mas os bioestimulantes proporcionam um efeito mais intenso.

Substâncias usadas

As seguintes substâncias são aplicadas pela intradermoterapia para estimular a produção de colágeno. Entre parênteses, o nome comercial delas.

  • Hidroxiapatita de Cálcio (Radiesse);
  • Ácido Polilático (Sculptra);
  • Policaprolactona (Ellansé).

As três proporcionam aumento da produção de colágeno, mas diferem quanto a suas características. Tanto a hidroxiapatita de cálcio quanto a policaprolactona proporcionam também o preenchimento do local de aplicação, efeito perceptível logo após cada sessão.

As substâncias variam também quanto ao tempo em que cada uma se mantém no organismo. A policaprolactona é a mais duradoura, se mantendo por até quatro anos. O ácido polilático é o segundo mais duradouro, se mantendo por um ano e meio.

Maior durabilidade do bioestimulante implica em mais tempo de estimulação dos fibroblastos e, portanto, maior duração dos resultados do tratamento.

Independente da substância escolhida, os primeiros efeitos serão percebidos por volta da terceira semana após a primeira sessão, e os resultados finais, por volta de seis meses após o fim do tratamento.

As substâncias são aplicadas em uma a três sessões, espaçadas em um ou dois meses. A quantidade de sessões e o espaçamento, assim como a duração das sessões, depende de cada caso.

Redução de gordura localizada

Gordura localizada é a nomenclatura utilizada para se referir à gordura que se concentra em algumas partes do corpo, ao invés de se distribuir de forma mais homogênea.

Devido a fatores genéticos e hábitos diários (como má alimentação e sedentarismo), pode ocorrer o acúmulo de gordura em algumas partes do corpo, em especial o abdômen, os braços e as coxas. Por isso, ela pode estar presente mesmo em pessoas que estejam dentro do peso ideal.

O acúmulo de gordura no abdômen em especial indica a possibilidade de desenvolver problemas de saúde sérios no futuro. Ele indica a ocorrência de acúmulo de gordura em órgãos vitais do nosso corpo.

Por exemplo, ele está associado ao acúmulo de gordura no sistema vascular, isto é, nas veias e artérias. Esse acúmulo ocasiona o estreitamento dos vasos sanguíneos, o que torna mais difícil para o sangue escoar. Como resposta, o coração precisa bater com mais força, resultando no aumento da pressão arterial, o que chamamos de hipertensão.

O aumento do esforço do coração é um dos responsáveis pelo infarto do miocárdio, conhecido popularmente como ataque cardíaco. O infarto é decorrente da morte de células do coração devido ao bloqueio do fluxo sanguíneo.

O entupimento de vasos sanguíneos na cabeça é o responsável pelo acidente vascular cerebral (AVC), mais conhecido como derrame. Ele é causado pela interrupção do fornecimento de nutrientes para o cérebro, resultando na morte de células. Em alguns casos, o derrame pode também ser causado pelo rompimento de vasos, o que resulta na entrada de sangue dentro do crânio.

Uma alimentação saudável e exercícios físicos regulares são capazes de prevenir o acúmulo de gordura nessas regiões. Porém, após o acúmulo se formar, pode ser difícil removê-lo apenas com a mudança de hábitos.

De forma semelhante, somente remover as gorduras localizadas não é suficiente para melhorar a própria saúde. É preciso aliar o tratamento a uma mudança de estilo de vida. Dessa forma, também se previne que a gordura volte a se acumular.

Tratamento

Na intradermoterapia, uma combinação de substâncias é injetada nos locais em que há acúmulo de gordura, como forma de removê-la. As moléculas de gordura são transformadas em moléculas mais simples com o uso de enzimas, proteínas especializadas capazes tanto de quebrar quanto de unir moléculas.

Os produtos dessas reações são reabsorvidos pelo organismo, que os destina a diferentes partes do corpo. Parte é utilizada para nutrir os tecidos, outra parte é destinada ao fígado, e o restante é eliminado do corpo pelos rins. Dessa forma, a gordura é efetivamente removida do corpo.

Em geral, são necessárias duas a quatro sessões espaçadas em duas a quatro semanas. Assim como para o rejuvenescimento da pele, o número de sessões, espaçamento e duração dependem de cada caso.

Substâncias

Há diversas substâncias que podem ser utilizadas para a degradação da gordura localizada, e especialistas diferentes podem utilizar combinações diferentes. Algumas dessas substâncias são:

  • Desox-Sil: realiza a quebra e emulsão de moléculas de gordura. Recomendada para pessoas que estão dentro do peso ideal, assim como para pessoas que já passaram por outros tratamentos de retirada de gordura, como a lipoaspiração;
  • Cafeína: estimula a lipólise, quebra de moléculas de gordura promovida pelo próprio organismo;
  • L-Carnitina: transporta a gordura para as mitocôndrias das células, estrutura responsável pela produção de energia das mesmas;
  • Ioimbina: promove o aumento de consumo de energia pelas células, o que promove o uso da gordura local;
  • Pentoxifilina: promove a drenagem do sistema linfático e apresenta ação vasodilatadora.

Tratamento da celulite

A celulite, também conhecida pelo nome científico lipodistrofia ginoide (LDG), consiste no acúmulo de gordura logo abaixo da pele, ocasionando em seu infame aspecto ondulado. Não é uma doença, mas causa um efeito estético indesejado.

Em alguns casos pode causar incômodos e prejuízos localizados, em especial em estágios mais avançados. Porém, nem todas as pessoas que apresentam celulite atingem esses estágios, devido à influência de diversos fatores.

Ocorrem predominantemente em mulheres (casos em homens são raros) e começam a se formar após a puberdade. Acontecem com mais frequência em regiões mais afetadas pelo hormônio estrógeno, como nos quadris, nas coxas e nas nádegas, mas podem também ocorrer em outras partes do corpo, como nos braços e na nuca.

Sua presença, intensidade e distribuição se deve a uma variedade de fatores. A genética é um dos principais, mas problemas de circulação sanguínea, altos níveis de estrógeno, uso de pílulas anticoncepcionais e maus hábitos (como alimentação inadequada, sedentarismo e estresse) podem intensificá-la.

A celulite apresenta quatro graus:

  1. Em geral não é visível. Torna-se aparente apenas ao se aplicar pressão sobre a região, na forma de ondulações e pequenos furos;
  2. A celulite é visível sem a aplicação de pressão;
  3. Há a presença de nódulos na região;
  4. Há maior número de nódulos, ocorrência de fibrose (endurecimento local), inflamação, inchaço, redução da circulação e dor.

Quando há presença de nódulos e fibrose, pode também ser necessário o uso de outros procedimentos para removê-los ou atenuá-los.

Mesmo com a realização desses tratamentos, é também necessário adotar uma dieta e estilo de vida saudáveis para prevenir ou atenuar a formação de celulite nas regiões de aplicação.

Em geral são necessárias três a quatro sessões espaçadas em um mês.

Visto que a celulite é um tipo de gordura localizada, ela usa muitas das mesmas substâncias na intradermoterapia. A combinação de substâncias a ser utilizada, porém, depende do grau de celulite na região, e pode variar de um especialista para outro.

Alguns dos fármacos que podem ser utilizados são:

  • Silício orgânico: quebra gorduras e promove a hidratação das células;
  • Crisina: antioxidante e ansiolítico. Também reduz a produção de estrógeno;
  • Mesoglicano: medicamento antitrombótico, isto é, combate coágulos presentes na corrente sanguínea (trombos, causadores da trombose);
  • Asiaticosideo: apresenta ação anti-inflamatória e cicatrizante. Também estimula a circulação sanguínea.
Intradermoterapia

Antes e depois do tratamento

Antes de optar pelo tratamento, é preciso ter conhecimento das substâncias envolvidas. Caso haja alergia a alguma delas, não se deve prosseguir com ele. Deve-se discutir possíveis alternativas com os especialistas com quem consultar.

Também não é recomendado que ele seja realizado em pessoas cardíacas ou que apresentam doenças crônicas, nem durante o período de gestação ou amamentação. As aplicações também não podem ser realizadas em locais que apresentem doenças de pele, inflamação e infecção.

Para o tratamento em si, é preciso evitar o uso de anti-inflamatórios, anticoagulantes e Aspirina (ácido acetilsalicílico) nos três dias anteriores a cada sessão. É importante também estar presente com a pele já limpa, sem a presença de cremes, maquiagem ou outros tipos de produtos. As saunas também devem ser evitadas, para prevenir a vasodilatação causada pelo vapor.

Os possíveis efeitos colaterais são leves, consistindo apenas de vermelhidão, inflamação ou pequenos hematomas, e desaparecem naturalmente em até 48 horas. Caso surjam hematomas, gelo pode ser aplicado para diminuí-los.

Como o procedimento é pouco invasivo, pode-se retornar às atividades habituais no dia seguinte. Deve-se, porém, evitar exposição excessiva à luz solar, como banhos de sol. Deve-se também optar por roupas leves e confortáveis, para evitar atrito na região de aplicação.

Caso tenha interesse em realizar outro procedimento estético em um local que recebeu intradermoterapia, consulte anteriormente o profissional que a realizou.

Conclusão

A intradermoterapia é um procedimento estético seguro e eficaz. É minimamente invasiva, apresenta efeitos colaterais leves e não apresenta período de recuperação. Deve-se, porém, se atentar às recomendações do pré e pós-tratamento para que não ocorram efeitos adversos.

Devido às suas características, isto é, uso de agulhas curtas e finas para atingir as camadas logo abaixo da pele, ela se limita ao tratamento dessas regiões. Destacam-se suas aplicações para procedimentos estéticos como rejuvenescimento da pele, redução da gordura localizada e tratamento da celulite.

É importante salientar que o procedimento realizado deve estar aliado a hábitos saudáveis, como uma alimentação balanceada e exercícios físicos regulares, como forma de manutenção dos resultados. Destaca-se essa recomendação principalmente para os casos de redução de gordura e da celulite.

Este artigo se refere a situações gerais, em especial quanto ao uso de fármacos para o processo e seus resultados. Para mais detalhes, consulte com o especialista com quem planeja realizar o procedimento.

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Sobre o autor:

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CRM-SP: 156490 / RQE: 65521. Médica pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP/EPM). Residência Médica em Dermatologia pela UNIFESP. Pós-Graduação em Dermatologia Oncológica pelo Instituto Sírio Libanês (SP). Fellow em Tricologias, Discromias e Acne pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HC-FMUSP). Pós-Graduação em Pesquisa Clínica pela Harvard Medical School – EUA (Principles and Practice of Clinical Research).

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