Poros são as aberturas dos folículos que contêm pelos e glândulas de sebo; cicatrizes de acne alteram o relevo. Cravos, brilho, irritação e depressões podem parecer “poros dilatados” em uma foto, mas o tratamento muda quando o alvo é obstrução, irritação da superfície ou cicatriz.
O que o exame diferencia
Poros ficam mais aparentes nas áreas oleosas, como nariz e bochechas. A produção de sebo, o tamanho do folículo e a perda de elasticidade da pele ao redor também influenciam essa aparência.9 Filamentos sebáceos são conteúdo normal do folículo; comedões acrescentam pontos escuros ou pequenas elevações. Cicatrizes atróficas formam depressões: as estreitas e profundas lembram pequenos furos, as boxcar têm bordas mais nítidas e as rolling formam ondulações amplas. A luz lateral e o histórico de acne ajudam a avaliar a forma e o relevo.1
Uma mancha plana muda a cor; uma cicatriz muda o contorno. Marcas após acne podem ser pigmentares ou vasculares e sua tonalidade varia entre peles. A avaliação combina cor, história e relevo; a distensão suave da pele acrescenta informação sobre a mobilidade da depressão.2, 3
Ardor, vermelhidão e descamação após ácidos ou esfoliantes apontam também para irritação. Ela pode deixar a superfície áspera e destacar os poros. Nesse caso, reduzir os produtos irritantes e manter limpeza suave e hidratação tem prioridade sobre acrescentar outra esfoliação.6
Rotina para oleosidade e comedões
Quando há brilho e cravos, adapaleno ou outro retinoide tópico ajuda a regular a obstrução folicular; ácido salicílico também pode desobstruir o folículo. A escolha e a frequência são ajustadas à tolerância.4
Acne inflamada pede tratamento próprio. Reduzir lesões novas também previne marcas; por isso, procedimentos para textura entram depois que a atividade da acne está melhor controlada.4
O hidratante ajuda a tolerar o ressecamento causado por retinoides e ácido salicílico; a fórmula não comedogênica tem menor chance de favorecer cravos.14 A limpeza suave reduz a irritação, e o protetor solar ajuda a preservar a firmeza que a exposição solar prejudica — outro fator que torna os poros mais aparentes.6
Procedimentos conforme o relevo
O peeling superficial pode complementar a rotina quando o objetivo é remover células acumuladas e excesso de oleosidade na abertura folicular. É uma intervenção pontual no consultório; os tópicos continuam responsáveis pelo controle entre as sessões.11
Para cicatrizes, a indicação acompanha o formato: subcisão libera faixas de tecido fibroso que puxam a pele para baixo nas ondulações aderidas; o laser fracionado remodela bordas e superfície; cicatrizes estreitas e profundas podem precisar de tratamento dentro de cada depressão, como a aplicação médica pontual de ácido na técnica CROSS, para estimular reparo naquele trajeto. Microagulhamento produz pequenas perfurações que estimulam colágeno e podem suavizar irregularidades do relevo. Essas opções podem ser combinadas em etapas quando há mais de um tipo de cicatriz.1, 7, 8
Na subcisão, roxos e sensibilidade local podem acompanhar a liberação das aderências.12 No CROSS, surgem pequenas crostas nos pontos tratados: costumam aparecer após dois a três dias e se soltar nos três a sete dias seguintes.13 No microagulhamento, vermelhidão ou escurecimento transitório, ardor e inchaço costumam ceder em alguns dias a uma semana.7
Lasers fracionados criam pequenas zonas de tratamento entre áreas de pele preservada, estimulando remodelação. Para os poros, um dos objetivos é melhorar o tecido de sustentação ao redor das aberturas foliculares, além do controle da obstrução feito pela rotina tópica.10 O laser fracionado de picossegundos e o fracionado não ablativo podem reduzir a aparência de poros dilatados.
A escolha também pesa desconforto e recuperação: na comparação entre picossegundos de 1064 nm e não ablativo de 1565 nm, ambos reduziram os poros, mas o primeiro teve menos dor e menos escurecimento após as sessões. Essa diferença de desconforto e escurecimento foi observada nesses dois aparelhos; outros lasers fracionados podem ter outro perfil.5
Como acompanhar
O acompanhamento compara comedões, oleosidade, textura e depressões separadamente. Menos brilho e cravos, com poros menos evidentes, aponta para melhora da obstrução. Depressões persistentes direcionam a avaliação para aderência ou remodelação, conforme o relevo já identificado. A melhora é de aparência e textura: o folículo continua fazendo parte da anatomia da pele.
Veja como o exame da cicatriz aderida orienta a subcisão.
Referências
- DermNet. Acne scarring. Tipos de cicatriz, diferenças de relevo e alvos de procedimento.
- American Academy of Dermatology. Acne scars: overview. Diferença entre marca plana de cor e cicatriz de relevo.
- Callender VD, et al. Effects of topical retinoids on acne and post-inflammatory hyperpigmentation in patients with skin of color. Am J Clin Dermatol. 2022. Variação de aparência de eritema e pigmento entre tons de pele.
- American Academy of Dermatology. Updated guidelines for the management of acne. Retinoides, ácido salicílico e controle de acne.
- Qian C, et al. The comparison of the efficacy and safety of fractional 1064 nm Nd:YAG picosecond laser and nonablative fractional 1565 nm laser in the treatment of enlarged pores: A prospective split-face study. Lasers Surg Med. 2023;55(2):169–177.
- American Academy of Dermatology. What can treat large facial pores?; How to safely exfoliate at home.
- American Academy of Dermatology. Microneedling can fade scars, uneven skin tone, and more.
- Bhardwaj D, Khunger N. CROSS technique in the management of ice pick acne scars. J Cutan Aesthet Surg. 2010.
- Lee SJ, et al. Facial pores: definition, causes, and treatment options. Dermatol Surg. 2016;42:277–285.
- Dong J, Lanoue J, Goldenberg G. Enlarged facial pores: an update on treatments. Cutis. 2016;98:33–36.
- American Academy of Dermatology. Acne: diagnosis and treatment. Papel complementar dos procedimentos.
- DermNet. Subcision. Reação local.
- DermNet. TCA CROSS. Recuperação.
- American Academy of Dermatology. Moisturizer: why you may need it if you have acne.