Como diferenciar melasma, lentigo solar e mancha pós-inflamatória

Distribuição, borda e história ajudam a separar as causas de manchas. Veja o que dermatoscopia e lâmpada de Wood acrescentam e por que o diagnóstico muda o tratamento.

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Uma mancha marrom pode ser melasma, lentigo solar ou pigmentação deixada por inflamação — e mais de um processo pode aparecer no mesmo rosto. A distribuição e a história da pele ajudam mais a separar essas hipóteses do que a cor isolada. 1

O desenho e a história da mancha

No melasma, manchas acastanhadas ou acinzentadas costumam ocupar áreas correspondentes dos dois lados da face, como bochechas, testa ou buço. O quadro pode escurecer e clarear com exposição à luz, mudanças hormonais e irritação, com variações na intensidade da cor.

O lentigo solar geralmente é uma mancha individual, plana e bem delimitada em área cronicamente exposta — rosto, colo ou mãos. A história de sol acumulado orienta o exame, que também distingue lesões parecidas com lentigos. Uma mancha localizada que cresce, muda de contorno ou de cores, sangra ou forma uma ferida precisa ser examinada antes de receber clareador ou procedimento. 2

A hiperpigmentação pós-inflamatória (HPI) tende a surgir no ponto em que a pele inflamada ou lesionada cicatrizou. Acne, eczema, atrito, depilação, queimadura e procedimentos podem deixar marcas. O pigmento residual costuma ser castanho e pode ter tom acinzentado quando é mais profundo. Uma marca rosada ou avermelhada pode corresponder a eritema pós-inflamatório, ligado aos vasos, que pode coexistir com a pigmentação. Essa diferença muda o alvo do tratamento: reduzir melanina trata a marca pigmentada, enquanto a vermelhidão exige avaliar o componente inflamatório ou vascular. 3, 6, 7

O que o exame acrescenta

O diagnóstico começa pela distribuição, pelo aspecto e pela sequência dos acontecimentos: quando a mancha surgiu, se havia acne ou dermatite no local e como ela mudou. A dermatoscopia aproxima a imagem e pode revelar padrões de pigmento, vasos ou sinais que favorecem outra hipótese. Esses detalhes ajudam a distinguir uma área típica de melasma de uma lesão localizada que precisa de investigação própria. 3

A lâmpada de Wood pode realçar pigmento mais superficial em alguns casos e ajudar a estimar a profundidade do pigmento no melasma. Essa estimativa ajuda a prever a resposta: o pigmento superficial tende a clarear melhor do que o mais profundo. Em pele muito pigmentada, o realce pela lâmpada é pouco útil para classificar a profundidade. Nessa situação, a distribuição das manchas, a dermatoscopia e a história da pele têm maior peso na interpretação. 4, 8

Por que identificar a causa muda o tratamento

No melasma, o plano procura reduzir a produção de pigmento e limitar os estímulos que o reativam. Fotoproteção de amplo espectro — em muitos casos com filtro tonalizado e óxidos de ferro para também atenuar luz visível — costuma acompanhar ativos tópicos como hidroquinona, ácido azelaico ou uma combinação prescrita. A melhora é gradual e manutenção pode ser necessária. 1, 5

No lentigo solar, primeiro se confirma que a lesão é benigna; sendo um alvo localizado, podem ser considerados crioterapia, que congela a área; peeling, que renova a camada superficial; ou laser direcionado ao pigmento. Na HPI, controlar acne ou dermatite ativa reduz a formação de novas marcas; hidroquinona ou ácido azelaico podem ser escolhidos para o pigmento residual, conforme a tolerância. 2, 6, 7

Quando há áreas difusas e simétricas junto de marcas pontuais, o plano pode tratar cada componente por sua causa. Essa distinção também explica por que uma região clareia enquanto outra permanece: a resposta desigual pode refletir diagnósticos diferentes.

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Referências

  1. Ocampo-Candiani J, et al. Latin American consensus on the treatment of melasma. International Journal of Dermatology. 2025;64(3):499–512.
  2. American Academy of Dermatology Association. What can get rid of age spots?.
  3. Honigman A, Rodrigues M. Differential diagnosis of melasma and hyperpigmentation. Dermatological Reviews. 2023;4(1):30–37.
  4. Navya A, Pai V. Comparison of Dermoscope and Woods Lamp as A Tool to Study Melanin Depth in Melasma. Indian Dermatology Online Journal. 2022;13(3):366–369.
  5. American Academy of Dermatology Association. Melasma: Diagnosis and treatment.
  6. DermNet. Postinflammatory hyperpigmentation.
  7. Bae-Harboe YSC, Graber EM. Easy as PIE (Postinflammatory Erythema). The Journal of Clinical and Aesthetic Dermatology. 2013;6(9):46–47.
  8. DermNet. Melasma. Características e resposta conforme a profundidade do pigmento.