Tratamento a laser para manchas

O termo “mancha” é a nomenclatura popularmente usada para uma grande gama de focos de pigmentação que podem se desenvolver no corpo. Algumas estão presentes já durante o nascimento, sendo conhecidas como “marcas de nascença”. Outras podem se desenvolver ao longo da vida.

Em geral, essas manchas são benignas. Isto é, sua presença não implica necessariamente no desenvolvimento de complicações posteriores ou de doenças. Porém, sua presença tende a causar incômodo e pode prejudicar a autoestima, comprometendo a relação da pessoa com a comunidade ao seu entorno, tanto no ambiente pessoal quanto profissional.

Por isso, existe grande demanda por procedimentos que realizem a remoção dessas manchas, o que resultou no desenvolvimento de diversos tipos de tratamento.

Alguns tratamentos são mais invasivos. Em alguns casos, é possível realizar a remoção cirúrgica da mancha, que é um processo rápido, completo e relativamente seguro. Porém, processos mais invasivos apresentam maiores riscos e tempo de recuperação e podem deixar cicatrizes.

Por isso, é mais comum que se opte por procedimentos minimamente invasivos quando possível.

O tratamento a laser para manchas é um desses. É um procedimento seguro que, embora seja um pouco mais lento, obtém ótimos resultados deixando marcas mínimas, visto que não há necessidade de cirurgia ou inserção de agulhas, além de causar pouco incômodo.

Para você conhecer mais sobre esse procedimento, descreveremos aqui suas capacidades e para quais tipos de manchas é apropriado.

O tratamento a laser para manchas

Existem vários tipos de manchas que podem se desenvolver pelo corpo. As mais comuns são as chamadas “lesões pigmentadas”, depósitos de melanina que se concentram em determinada região. Nesse grupo se encontram as pintas, os nevos, o melasma, as manchas senis, entre outros.

Porém, outros tipos de substâncias também podem ser os responsáveis pela formação das manchas. Em determinadas circunstâncias, o sangue e os vasos sanguíneos podem gerar uma pigmentação indesejada. Encontram-se nessa categoria alguns tipos de olheiras, a rosácea, os vasinhos que podem surgir nas pernas, entre outros.

Embora essas sejam as mais comuns, as manchas podem ter diversas causas. Podem ser originadas por fungos (como com o pano branco), por células cancerígenas (como no caso do melanoma), ou até pela despigmentação, no caso de peles mais escuras (como ocorre devido ao vitiligo).

O uso do laser é apropriado para manchas formadas pela deposição de pigmentos. Isto é, não é efetivo para manchas formadas pela remoção de pigmentos, como no caso do vitiligo, mas é efetivo para a remoção de melanina e hemoglobina depositada na pele, tanto na epiderme (camada mais externa da pele) quanto na derme (camada de tecido conjuntivo situada logo abaixo à epiderme).

Isso se deve ao mecanismo de remoção das manchas utilizado pele laser: ele é baseado na destruição das substâncias responsáveis pela pigmentação. Não consegue, portanto, remover manchas causadas pela remoção de pigmentos.

O funcionamento do laser

Um laser é um feixe de luz de alta energia. Diferentes tipos de laser apresentam diferentes tipos de feixe, diferentes níveis de energia, e diferentes capacidades de penetração.

Essa alta energia concentrada é o que torna o laser útil para essa aplicação. Ao atingir a pele, o laser causa um súbito aumento de temperatura, que é capaz de degradar as substâncias atingidas por ele. O dano é localizado, portanto, não causa danos significativos ao entorno.

O laser também é cuidadosamente calibrado para minimizar danos colaterais e maximizar os danos ao objetivo. O tipo de laser e sua potência é escolhido para minimizar danos nos tecidos que envolvem o local tratado, e sua capacidade penetrativa é selecionada visando atingir apenas a camada necessária, não penetrando mais do que o necessário no tecido.

A remoção de pigmentos é mais difícil do que a remoção do tecido comum. Isto é, a remoção de manchas é um procedimento que requer maior energia do que a remoção de cicatrizes, por exemplo. Porém, o uso de feixes de maior energia é associado a efeitos colaterais mais intensos, portanto, essa não seria uma boa saída para superar essa questão.

Por isso, o que é feito neste caso é utilizar um laser pulsado ao invés de um laser contínuo. O laser pulsado se diferencia pela forma como o laser é criado: ao invés de ser emitido logo após ser gerado, a luz é mantida dentro de um reservatório especial para ser “carregada”. Dessa forma, sua energia aumenta.

A vantagem desse método é que é possível utilizar maior energia no procedimento, mas sem distribuí-la homogeneamente por toda a área. Pelo contrário: ela é concentrada no pigmento. Isso minimiza os danos aos tecidos da pele, facilitando a recuperação e tornando o procedimento mais confortável.

Vários tipos de laser podem ser utilizados, a depender do caso e da clínica. O laser de CO2 e o Er:YAG são dois lasers comumente usados para manchas superficiais.

O de CO2 é um pouco mais antigo e usa maior energia, o que gera efeitos colaterais um pouco mais intensos, mas também é o mais seguro de todos. O Er:YAG é mais novo e mais leve, mas isso não compromete a qualidade dos resultados.

O Nd:YAG é outro laser comum. Ele é semelhante ao Er:YAG, apresenta energia relativamente baixa, mas tem maior capacidade de penetração, sendo apropriado para manchas dérmicas.

O procedimento de remoção

O procedimento consiste na aplicação do laser sobre toda a extensão das manchas em cada sessão. Cada sessão visa remover o máximo possível da mancha, porém, visto que o procedimento envolve alta energia, ele não pode ser realizado continuamente por longos períodos, visto que isso pode resultar em complicações.

Portanto, o tratamento envolve a realização de múltiplas sessões, normalmente espaçadas em um mês. Cada sessão dura em média 40 minutos, a depender da extensão e do número de manchas, e 4 a 6 sessões podem ser necessárias.

Embora o procedimento envolva a danificação da pele e o uso de altas temperaturas, ele causa mínimo desconforto. A principal característica, comumente relatada pelos pacientes, é que é possível sentir o impacto dos pulsos do laser. Caso necessário, pode ser aplicado um anestésico tópico no local a ser tratado para minimizar o desconforto.

Leia também: Rejuvenescimento do colo: conheça os tratamentos

Resultados do Tratamento a laser para manchas

Devido à necessidade de múltiplas sessões, o efeito não é imediato. Porém, a cada sessão o clareamento da mancha é notável. Ao final do tratamento, a mancha estará completamente ou quase completamente removida.

O procedimento não gera cicatrizes nem deixa marcas. Pelo contrário, esse processo inclusive causa certo rejuvenescimento da pele, visto que os pequenos danos causados ao tecido estimulam a regeneração da derme e a produção de colágeno e elastina.

Porém, é importante saber que os resultados também dependem do tipo de mancha a ser removida. Algumas manchas podem ser facilmente removidas permanentemente, como no caso das manchas de acne e marcas de nascença, mas outras podem retornar após algum tempo, como no caso do melasma e de alguns nevos, como o nevo de Ota.

Porém, caso a mancha volte a se formar, é possível realizar o tratamento novamente, obtendo resultados semelhantes.

Efeitos adversos

Sendo um procedimento minimamente invasivo, os efeitos colaterais apresentam baixa intensidade. Em geral, é comum que haja vermelhidão, dor e inchaço no local tratado, que desaparecem em até 48 horas. Caso causem incômodo, pode ser aplicada uma compressa gelada uma vez por dia por 15 minutos no local.

Outros sintomas comuns são descamação e mudança da coloração, mas que também cessam em poucos dias.

Pós-tratamento

Para evitar complicações, é necessário também seguir as orientações de pós-tratamento. Sendo um tratamento minimamente invasivo, as orientações apresentam baixa complexidade, e não há necessidade de tempo de recuperação. É possível retornar às atividades diárias no mesmo dia.

Em geral, recomenda-se evitar exposição excessiva ao sol, aplicando protetor solar quando necessário sair durante o dia (com FPS mínimo de 30). Também deve-se evitar contato com agentes potencialmente irritantes, como água da piscina, água do mar e maquiagem.

Para auxiliar a regeneração do local, o dermatologista responsável pode indicar também o uso de medicamentos tópicos.

Contraindicações do Tratamento a laser para manchas

Embora seja um procedimento seguro e minimamente invasivo, o tratamento a laser para manchas também apresenta algumas contraindicações, assim como qualquer outro procedimento médico ou estético.

O tratamento não pode ser aplicado em local que apresenta inflamação, infecção ou alguma doença de pele. É necessário que a condição seja completamente sanada antes da realização de qualquer sessão, para evitar a ocorrência de complicações.

O procedimento também não pode ser aplicado em pessoas que façam uso contínuo de anticoagulantes ou Aspirina (ácido acetilsalicílico), nem em pessoas que apresentem dificuldade de coagulação sanguínea (coagulopatia).

Caso faça uso desses medicamentos, é necessário que o uso seja temporariamente cessado 3 dias antes de cada sessão. Consulte seu médico para saber se isso seria possível.

Também não é indicado para gestantes, lactantes, pessoas que apresentem câncer de pele ou doenças cardíacas.

Sobre as manchas

O tratamento a laser pode remover manchas causadas pela deposição de pigmentos. Dentre elas, duas se destacam: as manchas causadas pela melanina e as causadas pela corrente sanguínea.

Melanina

Existem diversos fatores que podem resultar no acúmulo de melanina, tanto na epiderme quanto na derme. Fatores genéticos são comuns, e são responsáveis, por exemplo, pela formação de pintas e marcas de nascença. Porém, fatores ambientais são também importantes em muitos casos.

A formação do melasma e as manchas senis são fortemente determinadas por fatores ambientais. Em especial, a exposição prolongada à luz solar, ao longo de muitos anos, favorece fortemente o desenvolvimento dessas condições.

Fatores hormonais também podem estar envolvidos. Algum desequilíbrio hormonal, por exemplo, devido à gravidez ou à puberdade, pode resultar na formação de manchas. O melasma pode se desenvolver devido a isso também, mas tende a se clarear espontaneamente após o equilíbrio hormonal voltar a ser atingido. O nevo de Ota, assim como nevos similares, também pode aparecer devido a essas condições.

Manchas sanguíneas

Em alguns casos, a mancha pode ser o resultado do acúmulo de vasos sanguíneos ou hemoglobina na derme, em especial, em locais em que a pele é mais fina. É o caso de alguns tipos de olheiras e dos vasinhos.

Nesses casos, o laser busca remover exatamente a hemoglobina acumulada e os vasinhos que estão visíveis.

Isso pode parecer estranho, mas não causa problemas na circulação. O fato de a hemoglobina ter se acumulado na pele indica que ela não é mais parte da circulação sanguínea. E os vasos sanguíneos estarem visíveis e com coloração escura indica que também não estão contribuindo para circulação, estão, na verdade, com o fluxo sanguíneo estancado.

O tratamento a laser, portanto, contribui para a melhoria da aparência da região sem prejudicar a circulação.

Retorno das manchas

Embora o tratamento a laser seja efetivo para a remoção das manchas, ele nem sempre resulta em uma remoção permanente.

Algumas manchas podem voltar a se formar espontaneamente após aparecerem pela primeira vez, como é o caso do nevo de ota e do melasma. Outras, podem retornar devido a fatores ambientais, como exposição ao sol, no caso das manchas senis. E o estilo de vida também influencia, especialmente no caso das olheiras e vasinhos.

Portanto, quando possível, é importante aliar a remoção de manchas a uma mudança de hábitos e outros tipos de tratamento, visando, com isso, também a prevenção do retorno das manchas, mantendo-se os resultados por mais tempo.

Leia também: Laser para melasma: saiba como funciona

Conclusão

O tratamento a laser para manchas é um tratamento seguro, eficaz e minimamente invasivo. Embora necessite de múltiplas sessões, os resultados são visíveis após cada uma, e o procedimento consegue realizar a remoção sem prejudicar a pele.

Sendo minimamente invasivo, ele também apresenta a vantagem de ocasionar efeitos colaterais de baixa intensidade, não apresentar tempo de recuperação, e ter um pós-tratamento pouco complexo. Seguindo-se cuidadosamente as orientações médicas, os riscos de complicações são mínimos.

O tratamento também causa pouco desconforto, e avanços contínuos na área estão resultando em tratamentos menos desconfortáveis e ainda mais efetivos, tornando o uso do laser uma ótima opção para diversos tipos de tratamento.

É importante ter em mente, porém, que o tratamento de remoção de manchas nem sempre é permanente. Dependendo da mancha, é possível que ela retorne após alguns meses ou anos após o fim do tratamento. Em alguns casos, porém, é possível prevenir o retorno dessas manchas.

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Sobre o autor:

CRM-SP: 156490 / RQE: 65521. Médica pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP/EPM). Residência Médica em Dermatologia pela UNIFESP. Pós-Graduação em Dermatologia Oncológica pelo Instituto Sírio Libanês (SP). Fellow em Tricologias, Discromias e Acne pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HC-FMUSP). Pós-Graduação em Pesquisa Clínica pela Harvard Medical School – EUA (Principles and Practice of Clinical Research).

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