Toxina botulínica para hiperidrose axilar

Toxina botulínica para hiperidrose axilar

A sudorese é um importante mecanismo do corpo. Sua função principal é contribuir para a regulação da temperatura do corpo. No caso, o objetivo é, em caso de aumento da temperatura corporal, prover uma forma de diminuí-la, através do seu mecanismo de evaporação do suor produzido.

Ela é, portanto, um mecanismo extremamente importante para a saúde do corpo e sua autorregulação. Em ambientes quentes e úmidos, como florestas tropicais, a alta umidade impede seu funcionamento correto, prejudicando nossa regulação térmica e criando a sensação da temperatura ser mais alta do que realmente é.

A sudorese, porém, pode ser desagradável. Pode umidificar boa parte do corpo, inclusive as roupas, e deixar um odor forte, a depender da pessoa. A reação comum por parte das pessoas frente a isso é tentar impedir a sudorese, especialmente em regiões do corpo como as axilas. Isso, porém, prejudica o funcionamento correto do corpo, e é desaconselhado.

Porém, é também verdade que determinadas pessoas apresentam níveis excessivos de suor, sendo o suor axilar o mais notável no dia a dia. Essa condição é denominada “hiperidrose axilar”. Nesses casos, é possível reduzir os níveis de sudorese usuais sem comprometer a formação de suor do corpo.

Um dos métodos mais utilizados atualmente para esse fim é através da injeção de toxina botulínica. A toxina botulínica, mais conhecida como Botox, é uma substância comumente utilizada para o tratamento de rugas, mas apresenta uma grande gama de usos devido às suas propriedades e mecanismos de ação no corpo.

Por isso, neste artigo vamos explicar como funciona o tratamento com toxina botulínica para hiperidrose axilar.

Tratamento com toxina botulínica para hiperidrose axilar

A hiperidrose pode ser categorizada em relação à sua abrangência no corpo:

  • Hiperidrose generalizada: acomete o corpo todo;
  • Hiperidrose focal: acomete apenas algumas áreas específicas do corpo.

A hiperidrose axilar é um tipo de hiperidrose focal, sendo uma das mais comuns, em conjunto com a hiperidrose na palma das mãos e na planta dos pés.

A hiperidrose também pode ser categorizada com relação às suas causas:

  • Hiperidrose primária: não é causada por outra condição;
  • Hiperidrose secundária: é causada por outra condição, como obesidade, menopausa, medicamentos, entre outros possíveis fatores.

Hiperidroses primárias focais são as mais comuns, sendo presentes em até 3% da população mundial. Para o caso de hiperidrose primária, especialmente focal, a toxina botulínica pode ser utilizada para diminuir a intensidade da sudorese.

O tratamento com Toxina botulínica para hiperidrose axilar consiste na injeção de pequenas quantidades da toxina nas glândulas responsáveis pelo suor. A presença da toxina prejudica o funcionamento delas, comprometendo sua habilidade de produzir suor quando requerido pelo sistema nervoso. Dessa forma, a sudorese é diminuída.

O procedimento é minimamente invasivo. Consiste no uso de uma agulha extremamente fina para facilitar sua inserção e diminuir as chances de interferir na corrente sanguínea, além de facilitar a recuperação. A agulha é inserida diretamente no interior da glândula sudorípara e quantidades mínimas da toxina botulínica são injetadas.

Sendo uma região sensível da pele, são aplicados anestésicos tópicos no local antes da realização do procedimento como forma de minimizar o desconforto causado pelas injeções.

Em geral, é necessária apenas uma sessão de até 60 minutos para a realização do procedimento.

Resultados

Os resultados começam a ser notados em até 48 horas após a realização do procedimento, não sendo, portanto, imediatos. A partir desse tempo, a redução nos níveis de sudorese é notável, sendo consideravelmente menor que os níveis usuais.

Caso a redução na sudorese não tenha sido satisfatória, é possível realizar uma sessão de revisão 15 dias após a primeira sessão.

O efeito, porém, é temporário. Pode durar entre 5 e 8 meses, a depender da pessoa. A toxina botulínica é, claro, uma toxina, portanto, o corpo busca eliminá-la ao notar sua presença. Processos naturais também podem causar sua degradação.

Sendo a Toxina botulínica para hiperidrose axilar um tratamento simples e minimamente invasivo, é possível realizá-lo novamente após o término dos efeitos para obter os mesmos resultados, com a mesma duração.

Efeitos adversos da Toxina botulínica para hiperidrose axilar

O tratamento realizado por profissional capacitado e sem a ocorrência de imprevistos, o procedimento resulta em efeitos colaterais mínimos. Pode haver vermelhidão, inchaço e leve ardor e irritação no local, mas os sintomas se mantêm por até 48 horas, em geral.

É importante saber, porém, que a toxina botulínica é realmente tóxica, e a aplicação incorreta pode resultar em efeitos adversos mais graves.

A aplicação incorreta pode acarretar em dificuldades de movimento dos braços e resultar em uma aparência “caída” na região, no melhor dos casos, ou problemas generalizados de utilização dos músculos, no pior casos. Problemas generalizados indicam um início de botulismo, doença potencialmente letal.

Portanto, é importante monitorar a evolução dos efeitos da injeção da toxina durante os primeiros dias. Caso ocorram efeitos adversos de alta intensidade, como os descritos, é necessário procurar atendimento médico imediatamente.

Toxina botulínica para hiperidrose axilar

Pós-tratamento

Não há muitas recomendações de pós-tratamento, caso o tratamento ocorra como esperado. Em geral, recomenda-se apenas evitar ambientes quentes e a prática de exercícios físicos intensos durante as primeiras 48 horas. Isto é, evitar estimular a sudorese durante esse período.

Contraindicações

Embora seja um procedimento minimamente invasivo e não apresente tempo de recuperação, ele apresenta algumas contraindicações.

A aplicação de Toxina botulínica para hiperidrose axilar não é indicada para grávidas e lactantes, nem para pessoas que apresentem algum tipo de doença autoimune ou alergia a algum dos componentes da fórmula.

Embora casos de alergia à toxina botulínica sejam raros, o produto é comumente injetado em conjunto com outras substâncias para facilitar sua aplicação. Portanto, é importante ter conhecimento dessas substâncias para averiguar a possibilidade de reações alérgicas.

O tratamento só pode ser realizado em pele saudável. Caso o local apresenta infecção, inflamação ou alguma doença de pele, o procedimento não pode prosseguir, sendo necessário aguardar até que a condição seja resolvida.

Sobre a toxina botulínica

O termo “toxina botulínica” é o nome dado ao conjunto de toxinas produzidos pela bactéria Clostridium botulinum. Os subtipos A e B são tóxicos aos seres humanos, sendo uma das substâncias mais tóxicas conhecidas. Em condições normais, a toxina é responsável por causar o botulismo, doença caracterizada por fraqueza muscular, cansaço e visão turva, apresentando alta letalidade.

Porém, seu uso controlado apresenta diversas aplicações médicas e estéticas, apresentando décadas de história.

Sua primeira aplicação foi para o tratamento do estrabismo. Estrabismo é a nomenclatura dada para uma condição ocular, em que um dos olhos apresenta dificuldade de se alinhar com o olho, se mantendo virado para a direita ou para a esquerda.

O estrabismo é o resultado de alguns músculos de um olho se manterem mais contraídos do que outros. Portanto, a aplicação de alguma substância que os relaxasse, com ação localizada, permitiria o alinhamento correto deles.

Estudos sobre essa área de aplicação se iniciaram no final da década de 60, apresentando grande sucesso. Por isso, o tratamento foi aprovado em 1973, sendo então utilizado em larga escala.

No fim da década de 80, ela foi testada também para o tratamento de rugas. Sendo as rugas dinâmicas o resultado da contração de diversos músculos do rosto, algo que se torna mais visível com a idade, a ação relaxante da toxina também poderia contribuir para isso.

Os estudos obtiveram sucesso, permitindo também mais essa aplicação para a substância. Aplicação que apresentou tanto sucesso que popularizou o uso da toxina e, em especial, a marca Botox, que se tornou sinônimo desse procedimento.

Embora atualmente exista uma maior gama de procedimentos disponíveis para os mais diversos tratamentos estéticos, muitos deles também minimamente invasivos, a toxina botulínica ainda se mantém popular e muito usada, visto que seus efeitos e aplicações são bem documentados e estudados.

Funcionamento da toxina botulínica

O efeito da toxina é o resultado da forma como interage com os mecanismos de transmissão de neurotransmissores do corpo.

Neurotransmissores são substâncias utilizadas pelo sistema nervoso para controlar as ações do corpo. Sempre que pensamos, movemos músculos, nos alimentamos, entre outros, estamos emitindo ou estimulando a emissão de diversos neurotransmissores do sistema nervoso central para os outros tecidos, através do tecido nervoso (isto é, os nervos).

Como esses neurotransmissores são os responsáveis por transmitir esses comandos, o prejuízo na transmissão ou criação dos mesmos impede que os tecidos recebam os comandos.

O que a toxina botulínica faz é impedir que os tecidos do corpo recebam um neurotransmissor chamado acetilcolina.

Nos músculos, a acetilcolina é responsável por causar a contração dos mesmos. Por isso, quando a toxina está presente, os músculos relaxam e torna-se muito difícil ou impossível contraí-los. Devido a isso, o botulismo causa fraqueza e cansaço, pois aumenta-se a dificuldade de contrair os músculos.

Isso é especialmente perigoso para a respiração, visto que ela depende da contração do diafragma, que também é um músculo.

No caso das glândulas sudoríparas, a presença da acetilcolina é o que a estimula a produzir e emitir o suor. Portanto, a injeção da toxina nas glândulas diminui ou impede a produção de suor, por isso, ela é aplicada para o tratamento dessa condição.

Devido a esses fatores, quando realizado por profissional capacitado, o tratamento é benéfico e minimamente invasivo. Porém, a toxicidade da substância é algo a se ter mente, e deve-se ficar atento para possíveis efeitos adversos de alta intensidade, para se obter assistência médica logo no início dos sintomas.

Diagnóstico de hiperidrose axilar

Antes da realização do tratamento, é necessário antes investigar as causas da hiperidrose. O tratamento com toxina botulínica é mais efetivo para a hiperidrose primária focal, visto que seu efeito é localizado. Caso a hiperidrose seja resultante de algum outro fator, a solução mais efetiva, no caso, seria agir nesse fator.

Há alguns fatores que serão considerados nesta análise. Entre eles, destacam-se:

  • Tempo: a hiperidrose deve estar presente por pelo menos 6 meses, já estando presente desde a juventude ou adolescência;
  • Causa: não deve ter causa aparente. Isto é, se os sintomas se iniciaram após o uso contínuo de certo medicamento ou o desenvolvimento de alguma condição, então provavelmente se trata de hiperidrose secundária. Analisa-se também o histórico familiar, visto que sua origem seria hereditária;
  • Frequência: a sudorese excessiva ocorre pelo menos uma vez na semana, não sendo necessariamente causada por esforço muscular. Sua ocorrência é simétrica, isto é, atinge ambos os lados do corpo igualmente. Prejudica as atividades diárias, ocorrendo, por exemplo, durante o trabalho. Porém, não ocorre durante o sono.

Podem ser realizados testes para analisar o nível de hiperidrose, que são úteis também para a identificação da área a ser tratada.

Um teste comum consiste na aplicação de uma solução alcoólica de iodo na região. Após a solução aplicada secar, é adicionado amido de milho.

Com a geração de suor, ocorre uma reação química entre o iodo, o amido e o suor, modificando a coloração da região (antes, fortemente alaranjada). Os locais que apresentam a coloração nova são os que apresentam maior facilidade de sudorese. O processo todo leva apenas alguns poucos minutos. E pode ser facilmente limpo posteriormente.

Conclusão

A toxina botulínica é um procedimento minimamente invasivo e que obtém resultados rapidamente. Embora seja muito mais usada para o tratamento de rugas dinâmicas faciais, apresenta uma grande gama de aplicações, sendo o tratamento da hiperidrose axilar um dos mais comuns.

O tratamento é geralmente seguro. Resulta em considerável melhora dos sintomas ao mesmo tempo que resulta em efeitos colaterais de baixa intensidade.

Porém, é importante ter em mente que se trata de uma toxina altamente tóxica. Portanto, é importante que o tratamento seja realizado por profissional altamente qualificado. Além disso, é necessário estar atento também a possíveis sintomas de intoxicação pela toxina, como fraqueza muscular e cansaço.

Embora atualmente os riscos sejam muito baixos, sempre há a possibilidade de acontecerem erros e imprevistos durante a aplicação da substância.

O caráter minimamente invasivo e a rapidez dos resultados são os principais pontos fortes do tratamento. Porém, sua duração é também muito limitada, durando, em geral, por volta de seis meses. Felizmente, o tratamento pode ser realizado novamente sempre que necessário, obtendo-se resultados semelhantes e com duração semelhante.

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Sobre o autor:

CRM-SP: 156490 / RQE: 65521. Médica pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP/EPM). Residência Médica em Dermatologia pela UNIFESP. Pós-Graduação em Dermatologia Oncológica pelo Instituto Sírio Libanês (SP). Fellow em Tricologias, Discromias e Acne pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HC-FMUSP). Pós-Graduação em Pesquisa Clínica pela Harvard Medical School – EUA (Principles and Practice of Clinical Research).

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