Toxina botulínica: conheça o tratamento

Toxina botulínica

A partir dos 40 ou 50 anos, começam a surgir as marcas de envelhecimento. Esse processo se torna muito mais visível no rosto, visto que é a parte do corpo mais visível e mais exposta ao sol. É também, portanto, a parte do corpo que tende a envelhecer primeiro.

Devido a esse processo, as áreas médicas e estéticas buscam a várias décadas métodos de combater e desacelerar o envelhecimento. Disso, surgiram vários tipos de tratamentos, cada um com diferentes características e resultados.

Desses estudos, surgiu o tratamento a base de toxina botulínica, popularmente conhecida como Botox. Esse é um dos tratamentos estéticos mais conhecidos, sendo inicialmente considerado um processo revolucionário e, posteriormente, adquirindo certa infâmia, estando associado a visuais mais “plásticos”.

Porém, mesmo com o desenvolvimento de novos tipos de tratamentos, a toxina botulínica continua sendo uma importante aliada das áreas médica e estética. Por outro lado, devido às suas características, é muito importante que seja aplicada somente por profissional capacitado.

Neste artigo, falaremos um pouco mais sobre o tratamento e suas características.

O que é a toxina botulínica?

Toxina botulínica é o nome dado à classe de toxinas produzida pela bactéria Clostridium botulinum. Essas mesmas toxinas, em especial, os sorotipos A e B, são os responsáveis pelo botulismo, doença rara, mas que apresenta alta letalidade.

Essa toxina se encontra na classe das neurotoxinas. Isto é, sua ação envolve o comprometimento do de alguma parte do sistema nervoso. Mais especificamente, ela bloqueia a comunicação entre o cérebro e os músculos.

Quando a toxina age de forma sistêmica, ela causa dificuldade de locomoção, de fala, e cansaço crônico, além de visão turva, sintomas comuns do botulismo. Porém, quando aplicada localmente, apenas em um músculo específico, ela causa o relaxamento do mesmo.

É exatamente esse relaxamento que a proporcionou aplicações clínicas de diversos tipos.

Estudos clínicos de possíveis aplicações da toxina começaram no final da década de 60. O objetivo na época era encontrar uma alternativa menos invasiva para o tratamento do estrabismo.

O estrabismo é uma condição ocular caracterizada pela maior contração de certos músculos de um olho em comparação aos outros músculos desse mesmo olho, resultando em um desvio desse olho em relação ao outro. A injeção da toxina botulínica (especificamente, do subtipo A puro) em pequenas quantidades permitiu o relaxamento desses músculos, melhorando o estrabismo.

Os resultados desse estudo foram publicados em 1973, e ainda nessa década, o FDA (Food and Drug Administration), órgão regulamentador americano equivalente à Anvisa, aprovou seu uso no tratamento do estrabismo.

Devido ao conhecimento dessa capacidade relaxante, além do sucesso do tratamento ocular realizado, os primeiros estudos estéticos começaram a ser realizados no fim da década de 80. O tratamento foi primeiramente usado para complementar um processo de lifting, e obteve sucesso em harmonizar o rosto. Disso, ficou evidente sua aplicação na área estética.

Nessa época, a empresa Allergen já havia registrado a marca Botox para sua aplicação da toxina, na época, para o tratamento do estrabismo. Seu uso em tratamentos estéticos popularizou a marca, a ponto de atualmente esse nome comercial ser sinônimo do tratamento estético realizado com a toxina botulínica.

Como funciona?

A toxina botulínica age primordialmente nas vesículas de neurotransmissores das células nervosas. Sua presença impede que a célula libere a acetilcolina, neurotransmissor responsável por causar a contração dos músculos. Portanto, sem a presença desse neurotransmissor, os músculos relaxam.

Esse mecanismo de ação, quando age sistemicamente, impede a contração dos músculos do corpo todo, incluindo os músculos do diafragma. Se o diafragma apresenta dificuldade ou impossibilidade de contrair, a respiração é fortemente prejudicada.

Essa toxina é altamente tóxica mesmo em pequenas quantidades. Por isso, a aplicação dela em qualquer tratamento deve ser feita por profissional altamente qualificado. As quantidades da toxina utilizada para os tratamentos são muito menores do que as letais.

Por isso, quando feitos corretamente e utilizando substâncias de alta pureza, são completamente seguros. A toxina também é estudada a muito tempo, e já existem medicamentos para neutralizá-la em caso de intoxicação, aumentando a segurança do tratamento.

É importante saber também que, sendo uma toxina, o corpo busca conter sua ação sempre que sua presença é notada no corpo. Portanto, os efeitos dos tratamentos realizados tendem a ter duração apenas temporária.

Toxina botulínica e rejuvenescimento

A principal aplicação da toxina botulínica ainda é para o rejuvenescimento do rosto.

O Botox é utilizado no rosto para a suavização das rugas e linhas de expressão. Em especial, é utilizada para o tratamento das rugas dinâmicas, isto é, as rugas formadas pelos movimentos normais do corpo e que se acentuam durante esses movimentos. Se encontram nessa categoria as rugas formadas ao redor dos olhos, da boca e da testa.

A formação dessas rugas apresenta múltiplos fatores. Um deles, é a perda da elasticidade e firmeza da pele durante o envelhecimento. A diminuição da produção de colágeno e elastina, que se inicia a partir dos 30 anos, torna essa região mais flácida, requerendo menos esforço para ser deformada pelos músculos.

Outro fator é a diminuição da presença de tecido adiposo e muscular em alguns locais. Essa perda resulta em um aspecto mais magro e na formação de sulcos no rosto, acentuando o relevo e, portanto, as rugas.

Por isso, com o passar do tempo, a influência dos músculos da face na sua aparência se torna mais visível. Isso origina as rugas dinâmicas: rugas que surgem da contração dos múltiplos músculos envolvidos em qualquer movimento do rosto. É um processo natural e inevitável.

Porém, nem todos os músculos envolvidos nesses movimentos são necessários para que eles ocorram. Além disso, com o tempo, essas rugas dinâmicas acabam se “congelando”, isto é, se mantendo no formato que apresentam durante o movimento, não cessando quando o movimento cessa. Surgem então as rugas estáticas.

A toxina botulínica é utilizada justamente para amenizar essas rugas dinâmicas, melhorando o aspecto do rosto durante seus movimentos usuais, e também desacelerando esse processo de formação das rugas estáticas.

Isso é feito justamente pela injeção da toxina nos músculos responsáveis pelas rugas dinâmicas, sem prejudicar os movimentos do rosto. Essa injeção impede o músculo de contrair, impedindo assim a formação das rugas dinâmicas.

O tratamento normal requer apenas uma sessão de 30 minutos. Os resultados se tornam visíveis em até 2 ou 3 dias após a sessão, sendo então possível averiguá-los. Caso necessário, uma sessão de revisão pode ser realizada para melhorar os resultados por volta de 15 dias após a sessão.

Os efeitos comumente duram até 6 meses, sendo possível realizar o tratamento novamente após esse período, obtendo resultados semelhantes.

Toxina botulínica e preenchimento

É importante também diferenciar o tratamento com Botox e os tratamentos de preenchimento e estimulação da produção de colágeno. Ambos visam amenizar as rugas e linhas de expressão, mas o fazem de diferentes formas, o que os tornam mais apropriados para diferentes tipos de rugas e diferentes idades.

A toxina botulínica ameniza as rugas através da amenização da contração dos músculos. Isto é, ela diminui a capacidade dos músculos do rosto de formar o relevo característico das rugas dinâmicas.

Dessa forma, sua principal função é agir nas rugas dinâmicas. Após as rugas se transformarem em rugas estáticas, o Botox já não é mais tão efetivo. Portanto, ele é mais eficaz como uma forma de prevenir e desacelerar a formação das rugas estáticas, mas não é eficaz em tratá-las.

Por isso, os tratamentos com Botox normalmente se iniciam durante a juventude e o início do processo de envelhecimento, quando as rugas dinâmicas começam a surgir.

O preenchimento e o estímulo à produção de colágeno, por outro lado, buscam fortalecer e preencher a derme. Dessa forma, a flacidez e os sulcos da pele, mecanismos que permitem a formação e das rugas estáticas, são amenizados, o que resulta em uma amenização das mesmas.

O colágeno contribui também para a prevenção desses tipos de rugas, visto que o fortalecimento da derme contribui para evitar que surjam as condições que favoreçam isso. Porém, seu efeito não é tão visível durante a juventude quanto após os 40 ou 50 anos de idade.

O preenchimento, por outro lado, só pode ser aplicado após os sulcos se formarem, se não, pode resultar em uma aparência deformada do rosto.

Portanto, esses tratamentos não são concorrentes, mas complementares, sendo usados em diferentes fases da vida. Durante a juventude, o uso do colágeno e do Botox contribui para desacelerar o envelhecimento e manter a aparência jovem do rosto. E, após os sinais de envelhecimento se mostrarem mais visíveis, o preenchimento e o colágeno agem para rejuvenescer o rosto.

Leia também: Rejuvenescimento do colo: conheça os tratamentos

Toxina botulínica

Efeitos adversos

O tratamento é minimamente invasivo, isto é, não envolve qualquer tipo de procedimento cirúrgico. A aplicação é feita através de seringas, sendo a toxina injetada diretamente no interior dos músculos.

Por isso, após uma aplicação de sucesso, os efeitos colaterais são mínimos. Normalmente, podem surgir pequenos hematomas, dor, leve inchaço e vermelhidão nos locais em que a agulha foi aplicada, e pode ocorrer leve dor de cabeça. Os sintomas costumam cessar em até 48 horas.

Para evitar complicações e garantir a qualidade dos resultados, recomenda-se que nos primeiros dias após cada sessão seja evitada a realização de exercícios físicos intensos, a exposição do local tratado ao sol e o uso de relaxantes musculares.

Logo após as sessões, também deve-se evitar abaixar a cabeça, aplicar pressão sobre o local, massagear o local (mesmo de leve) e também embarcar em aviões durante as primeiras 4 horas.

Complicações de maior gravidade

O principal problema, porém, é quando a toxina não é aplicada corretamente ou consegue entrar na corrente sanguínea. Nesses casos, é possível que aconteçam complicações de diversos níveis de gravidade.

Uma das mais comuns é o prejuízo do funcionamento dos músculos da face. Disso, pode-se resultar em pálpebras caídas, paralisia dos músculos ao redor do local tratado, ou paralisia de um lado inteiro do rosto.

Isto é, caso não seja feito corretamente, o tratamento com Botox pode, ao invés de melhorar a aparência do rosto, causar consideráveis prejuízos a ela.

Além disso, caso a toxina entre na corrente sanguínea, especialmente em quantidades relativamente altas, há o risco de ocorrência de botulismo, que é potencialmente letal.

Portanto, o procedimento deve ser feito apenas com profissional altamente capacitado para evitar complicações. Deve-se atentar, porém, que nenhum tipo de procedimento é perfeito, e mesmo com profissionais experientes é possível que acidentes aconteçam.

Além disso, alguns fatores podem variar de uma pessoa para outra, e algumas pessoas podem ser mais suscetíveis a intoxicação pela toxina botulínica do que outras.

Portanto, nos primeiros dias após a aplicação, é importante se atentar aos resultados e acompanhar o próprio estado de saúde. Caso perceba alguma dificuldade de movimento muscular, no rosto ou no corpo, procure atendimento médico.

Contraindicações da toxina botulínica 

Sendo um tratamento minimamente invasivo, ele apresenta poucas contraindicações.

Em geral, não é recomendado para grávidas, lactantes, pessoas que apresentem algum tipo de doença autoimune, e pessoas que apresentem alergia a algum dos componentes da fórmula. Embora o componente principal do Botox seja a toxina botulínica, essa substância é comumente injetada em conjunto com outras substâncias para facilitar sua injeção.

Além disso, o tratamento também não é indicado para pessoas que estão fazendo uso de antibióticos ou anti-inflamatórios.

Conclusão

A aplicação de toxina botulínica é um procedimento seguro, minimamente invasivo e que gera ótimos resultados. Sua principal aplicação no meio estético é a amenização e remoção das rugas dinâmicas, isto é, das rugas que se formam durante os movimentos do rosto, e que se acentuam com a idade.

Esse tratamento é especialmente importante para a prevenção das rugas estáticas, isto é, as rugas que se mantém independente do movimento, pois as rugas dinâmicas tendem a evoluir para estáticas.

Quando o tratamento é realizado por profissional capacitado, ele apresenta baixíssimo risco. Porém, é importante se atentar aos resultados e à saúde do corpo após a aplicação para o caso de ocorrer algum efeito adverso grave. Nessa situação, deve-se procurar atendimento médico o quanto antes possível.

O tratamento com Botox também é complementar a outros procedimentos que visam eliminar rugas, como tratamentos de preenchimento e de estímulo à produção de colágeno. O Botox, no caso, é um dos principais aliados para a desaceleração do envelhecimento durante a juventude.

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Sobre o autor:

CRM-SP: 156490 / RQE: 65521. Médica pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP/EPM). Residência Médica em Dermatologia pela UNIFESP. Pós-Graduação em Dermatologia Oncológica pelo Instituto Sírio Libanês (SP). Fellow em Tricologias, Discromias e Acne pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HC-FMUSP). Pós-Graduação em Pesquisa Clínica pela Harvard Medical School – EUA (Principles and Practice of Clinical Research).

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