Rejuvenescimento facial: conheça os tratamentos

Rejuvenescimento facial

Dentre as diferentes partes do corpo, o rosto normalmente é o primeiro a demonstrar os sinais de envelhecimento. Isso se deve principalmente por ser a parte mais exposta e visível: é a que é vista com mais frequência, e a mais exposta à radiação ultravioleta do sol. Devido a isso, existe grande demanda por tratamentos de rejuvenescimento facial.

O envelhecimento da face é um processo complexo, por isso, geralmente envolve a necessidade de múltiplos tratamentos serem realizados. Três processos principais são responsáveis por gerar o aspecto envelhecido que conhecemos: a perda da firmeza da pele, a perda de camadas de tecido adiposo e muscular, e o surgimento de manchas.

A perda da firmeza é resultado da diminuição da produção de colágeno e elastina. Essa produção começa a diminuir a partir dos 30 anos de idade, e os efeitos começam a ser notados a partir dos 40 ou 50 anos.

O colágeno e a elastina são as principais proteínas que compõem a derme, camada de tecido conjuntivo responsável por prover sustentação à pele. Com a diminuição da produção dessas substâncias, esse tecido não consegue se regenerar com tanta qualidade como anteriormente, tornando a pele mais flácida e menos elástica.

A perda de tecido adiposo e muscular é um processo que acontece pelo corpo todo, resultando em um aspecto mais magro. No rosto, porém, esse processo é mais visível, visto que também resulta na formação de sulcos e na intensificação das rugas e linhas de expressão.

As manchas comumente surgem devido à exposição ao sol, isto é, ao processo de fotoenvelhecimento. Porém, fatores hormonais e genéticos, entre outros, também contribuem para a formação delas.

Existe uma grande gama de tratamentos de rejuvenescimento facial disponíveis, e todos eles agem para combater pelo menos um desses problemas.

Tratamentos para rejuvenescimento facial

Como existem diversos tipos de tratamentos disponíveis, neste artigo focaremos em alguns dos mais procurados: tratamento a laser, peeling e bioestimuladores de colágeno. São todos tratamentos minimamente invasivos, portanto, são muito seguros e acessíveis.

É importante saber, porém, que nenhum tratamento estético apresenta efeito permanente. No caso dos tratamentos descritos, os efeitos duram geralmente por volta de dois anos. Felizmente, podem ser realizados novamente após esse período caso desejado.

Para dotar maior durabilidade aos efeitos, e também desacelerar o envelhecimento, é importante que os tratamentos sejam combinados com a adoção de hábitos saudáveis e o cessamento de hábitos não saudáveis.

A adoção de uma dieta balanceada, a ingestão de alimentos ricos em colágeno (como as carnes) e o uso diário de protetor solar contribuem para a manutenção da saúde da pele, assim como a realização de exercícios físicos.

O sedentarismo, o fumo e a ingestão excessiva de diversas substâncias (como álcool, sal, açúcar e gordura), por outro lado, aceleram o envelhecimento, visto que forçam o corpo utiliza energia e nutrientes para se recuperar dos danos causados por esses hábitos.

Lasers faciais

Lasers são feixes de luz de alta energia. Essa alta energia os confere uma alta capacidade destrutiva, o que os torna vantajosos para essa aplicação. Os lasers utilizados em procedimentos estéticos são cuidadosamente calibrados para que esse potencial destrutivo cause apenas os danos desejados.

O objetivo do uso do laser é aplicar essa alta energia para a destruição de parte do tecido. A parte destruída pode ser tanto depósitos de melanina que causam uma pigmentação indesejada, como no caso de manchas, quanto o tecido conjuntivo da pele, quando busca-se rejuvenesce-la.

A destruição dos depósitos de melanina permite que a proteína seja degradada e posteriormente absorvida pelo corpo. Dessa forma, a pigmentação é removida, e a pele volta a ter o aspecto anterior. A calibração do laser permite que o tecido ao redor do pigmento sofra danos mínimos, resultando em efeitos colaterais pouco intensos.

No caso do rejuvenescimento da pele, o objetivo é estimular uma regeneração mais intensa dela. Nesse tipo de regeneração, há maior estimulação da produção de colágeno e elastina e, com isso, recobra-se a firmeza e elasticidade que ela apresentava.

Embora envolva essa danificação da pele, os tratamentos a laser apresentam baixo ou nenhum tempo de recuperação, e causam pouco incômodo durante o procedimento. Mesmo assim, apresentam resultados notáveis, ainda que demore alguns meses para os resultados finais tornarem-se visíveis.

Dentre os possíveis efeitos colaterais, há a ocorrência de vermelhidão, dor e inchaço no local tratado. Os sintomas geralmente cessam em até 48 horas, e compressas geladas podem ser utilizadas para tratá-los, caso desejado. Também pode ser aplicado um anestésico tópico no local antes do tratamento caso a pele seja sensível.

Em geral, o tratamento a laser requer múltiplas sessões, normalmente espaçadas em um mês. O número de sessões, espaçamento e duração de cada sessão dependem do tratamento e das características do paciente.

Existem diversos tipos de laser que podem ser utilizados, sendo a escolha deles dependente do consultório e das características do paciente e do tratamento:

  • Laser de CO2: o mais antigo e mais confiável. É um laser de baixa capacidade de penetração, sendo ideal para a remoção de manchas. Apresenta efeitos colaterais um pouco mais intensos, mas seus procedimentos e resultados são muito melhor documentados.
  • Er:YAG: laser de baixa penetração, assim como o de CO2. Porém, apresenta menor intensidade, sem perda da qualidade dos resultados. Devido à menor intensidade, apresenta efeitos colaterais menos intensos.
  • Nd:YAG: semelhante ao Er:YAG, mas com maior capacidade de penetração. Por isso, é mais apropriado para o rejuvenescimento da pele.

Peeling

O termo “peeling” é um termo utilizado para se referir a procedimentos que buscam remover total ou parcialmente a epiderme, a camada mais externa da pele. O nome é derivado da língua inglesa, originado do verbo to peel, que significa “descascar” ou “descamar”.

O objetivo desse procedimento é estimular a regeneração da pele, processo que contribui para rejuvenesce-la através do estímulo da produção de colágeno e elastina. Como o processo envolve a abrasão da epiderme, pode também ser utilizado para a remoção de manchas.

Existem dois tipos de peeling: o peeling físico e o peeling químico.

O peeling físico age na epiderme principalmente através do atrito. Isso pode ser feito tanto de forma manual, por exemplo, pelo uso de lixas e cremes especiais, como através de dispositivos especializados, como no caso do peeling de cristais e do peeling de diamante.

Consiste em um tratamento de ação mais superficial e, portanto, pouco danoso. Apresenta baixo tempo de recuperação e efeitos colaterais pouco intensos, contanto que as orientações de pré- e pós-tratamento sejam cuidadosamente seguidas.

A famosa esfoliação é também um tipo de peeling físico. No caso, o termo “esfoliação” comumente se refere ao peeling que pode ser feito em casa, com o uso de cremes abrasivos, lixas ou buchas. Apresenta menor intensidade que o peeling realizado por profissionais especializados, mas essa baixa intensidade também permite que seja realizado diariamente, contribuindo para a saúde da pele.

O peeling químico, por outro lado, utiliza algumas substâncias químicas para realizar uma ação mais profunda. Em geral, são utilizadas misturas de ácidos cuidadosamente preparadas, visando minimizar a possibilidade de danos para as camadas inferiores da pele.

A profundidade do tratamento é calibrável: diferentes misturas resultam em diferentes profundidades possíveis. Em geral, tratamentos mais profundos resultam em regenerações mais intensas e mais completas, contribuindo para uma renovação mais profunda da pele. Por outro lado, também apresentam maiores riscos de complicações e maiores tempos de recuperação.

Portanto, o peeling químico, especialmente o profundo, só deve ser realizado seguindo orientação médica especializada.

Bioestimuladores de colágeno

Bioestimuladores de colágeno são substâncias biocompatíveis que apresentam capacidade de estimular a produção de colágeno e elastina. Esse tratamento se difere dos anteriores por estimular a produção dessas proteínas sem causar danos na pele.

O tratamento geralmente consiste na infusão de alguma dessas substâncias bioestimuladoras nas camadas inferiores da pele. A degradação dessas substâncias forma alguns produtos que estimulam diretamente a ação dos fibroblastos, células responsáveis pela produção de colágeno e elastina. Com isso, ocorre regeneração do tecido conjuntivo no local em que os bioestimuladores foram injetados.

O tratamento utiliza microcânulas ao invés de agulhas tradicionais. Microcânulas são agulhas curtas, finas e com pontas arredondadas. Seu comprimento reduzido facilita sua inserção, visto que a infusão não é tão profunda quanto para injeções usuais. Seu reduzido diâmetro e pontas arredondadas contribuem para a minimização dos danos.

Agulhas comuns apresentam ponta afiada para facilitar sua penetração através de diversos tecidos. Muitas injeções são feitas na musculatura, tecido mais denso e mais resistente. Porém, essa ponta também causa alguns leves danos nos tecidos, por isso ocorre sangramento no processo.

Com as microcânulas, não há danificação do tecido, e o mesmo preenche o furo formado logo após a remoção da agulha. Dessa forma, não ocorre sangramento, não há vazamento da substância injetada, e a mesma se mantém de forma mais fixa no local aplicado.

Além do estímulo à produção de colágeno, várias das substâncias bioestimuladoras apresentam também efeito preenchedor. Isto é, sua aplicação cria volume na região aplicada, compensando a perda de tecido no local. Esse efeito é um importante aliado para o tratamento de rugas, linhas de expressão e sulcos faciais.

O tratamento é também minimamente invasivo, com baixo risco de complicações e efeitos colaterais pouco intensos. Em geral, apenas uma sessão é necessária, mas sessões adicionais podem ser realizadas para corrigir possíveis falhas do preenchimento.

Dentre os bioestimuladores, destacam-se:

  • Ácido hialurônico: uma das substâncias mais antigas e mais testadas. É naturalmente produzida pelo corpo, e a diminuição da sua produção é uma das causas da diminuição da produção de colágeno e elastina. Gera um efeito preenchedor ao ser aplicada.
  • Radiesse: uma dos produtos mais famosos para bioestimulação de colágeno, sendo composta por hidroxiapatita de cálcio. Também apresenta efeito preenchedor.
  • Sculptra: nome comercial do ácido polilático. Apresenta efeito mais duradouro que o Radiesse, mas geralmente não apresenta efeito preenchedor tão notável.
  • Ellansé: policaprolactona. Destaca-se por apresentar o efeito mais duradouro, geralmente permanecendo por até quatro anos no organismo. Também apresenta efeito preenchedor.

MD Codes

O MD Codes é um procedimento de rejuvenescimento facial que apresenta grande destaque internacional. Foi criado pelo cirurgião plástico brasileiro Dr. Maurício de Maio, e consiste em uma sistematização do procedimento de infusão do ácido hialurônico.

Como o ácido hialurônico é usado há mais tempo, há maior gama de pesquisas envolvendo sua aplicação. Portanto, seus resultados são muito melhor conhecidos e documentados.

O MD Codes (abreviação de Medical Codes, inglês para “Códigos Médicos”) surge então como uma forma de codificar e padronizar esse procedimento.

Ele consiste em um processo de tomada de decisão que considera os melhores locais de aplicação para determinados fins (por exemplo, correção dos “pés-de-galinha” ou do “bigode chinês”), assim como melhores dosagens e métodos de aplicação, em conjunto com características específicas da pessoa, como etnia, formato do rosto, idade e gênero.

Além disso, define também um código para comunicar os procedimentos de forma simples, eficaz, e direta, evitando possíveis ambiguidades ou desentendimentos durante a comunicação científica do tratamento. Isso facilita a divulgação de pesquisas e promove a melhoria contínua do tratamento.

Portanto, o MD Codes é atualmente um dos melhores tratamentos de preenchimento e rejuvenescimento facial. A desvantagem, claro, é que não remove as manchas do fotoenvelhecimento, algo que deve ser complementado posteriormente por meio de outro tratamento.

Conclusão

O rejuvenescimento facial é uma área que apresenta ampla gama de tratamentos e pesquisas, e várias abordagens podem ser usadas, conjunta ou separadamente, para tratar os diferentes aspectos do envelhecimento.

Os tratamentos descritos são minimamente invasivos e apresentam baixo tempo de recuperação (embora o peeling químico profundo requeira um tempo maior), e os resultados duram por volta de dois anos, em geral.

Todos agem pelo menos para a melhoria do aspecto da pele, na forma do estímulo à produção de colágeno e elastina. Alguns, porém, também conseguem combater outros aspectos do envelhecimento, como manchas (laser e peeling) e a perda do preenchimento (bioestimuladores de colágeno e MD Codes). Para um rejuvenescimento facial completo, portanto, é necessário combinar tratamentos diferentes.

Existem, claro, vários outros tratamentos que podem ser realizados, com diferentes graus de invasibilidade e rejuvenescimento. Os tratamentos descritos, porém, destacam-se por sua maior acessibilidade e por serem mais procurados.

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Sobre o autor:

CRM-SP: 156490 / RQE: 65521. Médica pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP/EPM). Residência Médica em Dermatologia pela UNIFESP. Pós-Graduação em Dermatologia Oncológica pelo Instituto Sírio Libanês (SP). Fellow em Tricologias, Discromias e Acne pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HC-FMUSP). Pós-Graduação em Pesquisa Clínica pela Harvard Medical School – EUA (Principles and Practice of Clinical Research).

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