MMP para estrias: conheça o tratamento

MMP para estrias

O MMP é um tratamento recente que já demonstra obter ótimos resultados. Atualmente sua principal aplicação é no tratamento da calvície, sendo utilizado em conjunto com outras abordagens para estimular o crescimento do cabelo.

Porém, o MMP é um tratamento flexível e, portanto, apresenta uma grande gama de aplicações. Entre suas possíveis aplicações, destaca-se também o tratamento de estrias, que contribui para uma melhor regeneração e rejuvenescimento da pele no local.

O MMP se destaca por ser um tratamento eficiente, minimamente invasivo e que causa pouco desconforto, tanto durante quanto após o procedimento. Isso, em conjunto com os ótimos resultados que apresenta, o tornou um tratamento altamente procurado.

Neste artigo explicaremos como funciona o MMP para estrias.

MMP para estrias

A sigla MMP significa “Microinfusão de Medicamentos na Pele”. O procedimento consiste no uso de um dispositivo semelhante a uma máquina de tatuagem para a inserção de pequenas quantidades de medicamento na pele.

O dispositivo apresenta microagulhas, agulhas de diâmetro e comprimento reduzido, com dimensões suficientes para adentrar a derme, camada intermediária da pele situada logo abaixo à epiderme, camada mais externa.

O objetivo do procedimento é atravessar a epiderme para depositar os medicamentos diretamente no local a ser tratado. Isso o torna muito mais vantajoso que o uso de medicamentos tópicos: a epiderme é uma camada pouco permeável, portanto, medicamentos tópicos não conseguem depositar grandes quantidades de medicamento abaixo da pele, tornando-os pouco eficientes.

Essa infusão direta na epiderme os torna uma ótima opção para o tratamento dos diferentes tipos de estrias.

As estrias são comumente classificadas em três categorias:

  • Vermelhas ou roxas: são as estrias formadas recentemente, que ainda estão em processo de cicatrização;
  • Brancas superficiais e estreitas: estrias antigas, já cicatrizadas, mas que são menos visíveis, visto que são superficiais e estreitas;
  • Brancas largas e profundas: estrias antigas que apresentam sulcos visíveis e mais amplos.

Devido às suas diferentes características, é necessário diferentes abordagens para o tratamento de estrias vermelhas e estrias brancas, o que implica no uso de diferentes medicamentos.

Para estrias vermelhas, o objetivo é estimular a cicatrização correta da região. A estria se forma devido à inabilidade da derme de acompanhar o estiramento da epiderme, formando sulcos, seguido pela inabilidade da derme de se regenerar completamente e preencher esses sulcos.

Portanto, o MMP para estrias vermelhas busca estimular a regeneração correta da epiderme no local. Para isso, podem ser utilizados medicamentos como:

  • Asiaticoside: estimula a ação dos fibroblastos, células responsáveis pela produção de colágeno e elastina. Essas duas proteínas são alguns dos principais componentes da derme, sendo responsáveis por prover firmeza e elasticidade a ela;
  • Ácido glicólico: substância extraída da cana de açúcar que apresenta alto potencial regenerativo. Promove a regeneração celular e o estímulo à produção de colágeno e elastina. É usada também para o peeling químico;
  • Ácido hialurônico: substância naturalmente produzida pelo corpo, responsável por estimular a ação dos fibroblastos. Quando injetada no corpo, produz também um efeito preenchedor, o que contribui para diminuir os sulcos das estrias;
  • Silício: agente hidratante que também estimula a ação dos fibroblastos.

Para as estrias brancas, por outro lado, além de estimular a regeneração da derme, é importante também estimular a circulação no local, visto que ela pode ser prejudicada pela presença das estrias, especialmente estrias profundas.

Além dos medicamentos descritos anteriormente, podem ser usados também:

  • Buflomedil: medicamento vasodilatador. Estimula a circulação sanguínea no local, o que também estimula a remoção do tecido conjuntivo indesejado que contribui para o aspecto da estria. Além disso, promove a drenagem do sistema linfático, contribuindo para melhorar o sistema imunológico no local;
  • Cobre: estimula a regeneração correta da derme, prevenindo a formação de depósitos indevidos de elastina, o que contribui para melhorar o aspecto do resultado.

Os medicamentos descritos são apenas alguns dos mais comuns. Em geral, utiliza-se uma mistura deles, com diferentes proporções, a depender da pessoa e do caso. O dermatologista é o responsável por selecionar a mistura a ser usada, e pode se valer de outras substâncias, especialmente caso haja sensibilidade a algum componente comumente utilizado.

O MMP para estrias geralmente requer de quatro a oito sessões, espaçadas em duas a quatro semanas cada uma. O número de sessões, seu espaçamento e a duração de cada sessão variam de acordo com a pessoa, o tipo de estria, e área a ser tratada, entre outros possíveis fatores.

O tratamento causa desconforto mínimo, de forma semelhante ao processo de realização de uma tatuagem permanente. Porém, caso desejado, pode ser aplicado um anestésico tópico para diminuir o desconforto.

Contraindicações do MMP para estrias

Embora seja seguro, o MMP para estrias apresenta algumas contraindicações, assim como qualquer outro procedimento médico ou estético. Como mencionado anteriormente, ele é contraindicado para pessoas que apresentem alergia a algum dos componentes da fórmula. Caso não seja possível substituir os componentes, não é possível prosseguir com o tratamento.

Além disso, o procedimento também não é indicado para gestantes, lactantes, pessoas que apresentam dificuldade de coagulação sanguínea (isto é, coagulopatia), nem para pessoas que façam uso contínuo de anticoagulante ou de Aspirina (ácido acetilsalicílico).

Efeitos colaterais do MMP para estrias

Caso sejam seguidas as orientações fornecidas pelo dermatologista, o MMP apresenta efeitos colaterais leves e baixo risco de complicações, visto que é um tratamento minimamente invasivo.

Efeitos colaterais comuns são vermelhidão, dor leve e inchaço, que podem surgir após cada sessão. Porém, desaparecem em até 48 horas. Caso provoquem incômodo, pode ser aplicada uma compressa de água gelada por 15 minutos uma vez por dia. Pode ocorrer descamação do local aplicado também, como parte do processo de regeneração da pele.

Devido à baixa intensidade dos efeitos colaterais, não há necessidade de tempo de recuperação. É possível voltar às atividades habituais no mesmo dia ou no dia seguinte.

Após o tratamento

É importante seguir as orientações de pós-tratamento para garantir a obtenção de bons resultados e evitar complicações.

Em virtude do agulhamento realizado, a pele se torna mais sensível, por isso, alguns cuidados devem ser tomados. Por exemplo, deve-se evitar expor o local tratado ao sol. Caso seja necessário, utilizar protetor solar com FPS de pelo menos 30.

Deve-se também evitar esfregar e pressionar a região nos primeiros dias após cada sessão. Deve-se ajustar a posição ao dormir para evitar pressionar a região durante o sono também. Isso visa garantir que os medicamentos se mantenham no local aplicado e que a epiderme se regenere corretamente. O dermatologista pode também receitar alguns medicamentos para auxiliar essa regeneração.

O tratamento se baseia no estímulo de processos naturais do corpo, em especial na regeneração estimulada da derme. Devido a isso, os resultados demoram alguns meses para atingirem seu estado final.

O preenchimento produzido pelo ácido hialurônico ou outra substância similar pode ser notado imediatamente. Porém, a remoção completa das estrias pode demorar até seis meses após o fim do tratamento, sendo o clareamento delas perceptível por volta da terceira semana após a primeira sessão.

Sobre o MMP

O MMP consiste na infusão de pequenas doses de um medicamento ao longo de determinada área através de um dispositivo de microagulhamento.

Para a realização do procedimento, o dermatologista primeiramente prepara a fórmula, e em seguida a deposita na ponta das agulhas. A perfuração da pele pelas agulhas é o que permite então a deposição dos medicamentos na derme, em pequenas quantidades. O medicamento é reposto no dispositivo da mesma forma durante o procedimento caso se esgote. Em geral, não são utilizadas agulhas tubulares.

Embora envolva um dispositivo de microagulhamento, o tratamento não deve ser confundido com o tratamento por microagulhamento, visto que apresentam consideráveis diferenças.

No caso, o objetivo principal do MMP é a deposição de medicamentos diretamente na derme, buscando evitar que a epiderme comprometa a distribuição do mesmo. O microagulhamento, por outro lado, busca causar leves danos na epiderme e na derme para estimular seu rejuvenescimento.

Em geral, não há utilização de medicamentos no microagulhamento, embora anestésicos tópicos também possam ser utilizados.

O MMP se assemelha à intradermoterapia, embora ambos utilizem metodologias diferentes. O MMP utiliza o dispositivo de microagulhamento, que automaticamente distribui o medicamento em pequenas doses ao longo da área aplicada. A intradermoterapia, por outro lado, utiliza agulhas únicas, sendo o processo de distribuição realizado manualmente pelo aplicador.

A formação das estrias

As estrias são resultado de uma expansão muito rápida da pele. Em determinadas circunstâncias, a derme não consegue acompanhar a estiragem das camadas a sua volta e se rompe. Após esse rompimento, não consegue se regenerar novamente, originando os sulcos característicos das estrias.

Esse rompimento então ocasiona um leve sangramento na região, resultando na coloração avermelhada e arroxeada. A cicatrização irregular do local, isto é, sem regeneração da derme, é o que origina as tiras brancas das estrias posteriormente.

Embora sejam comuns, sua ocorrência depende de diversos fatores. Primeiramente, ser mulher é o fator principal, visto que ocorre com mais frequência em mulheres do que em homens. Deve-se também haver ocorrido alguma situação de crescimento rápido da pele, por exemplo, devido à puberdade, à gravidez ou à musculação.

Além disso, fatores genéticos e situacionais também apresentam grande influência na formação de estrias. O histórico de formação de estrias na família indica a existência de uma propensão genética a formá-las, portanto, aumenta-se as chances do estiramento provocar estrias.

O desequilíbrio hormonal é outro fator de destaque. Alterações hormonais de elevada intensidade podem prejudicar a saúde da derme e sua regeneração. Por isso, é comum que as estrias surjam durante a puberdade, a gravidez e a musculação. Estima-se inclusive que 90% dos casos de estrias sejam derivados da gravidez.

O estresse é também um fator importante. O estresse resulta na liberação do hormônio cortisol, hormônio que auxilia no gerenciamento de situações de estresse, mas que é danoso quando presente no sangue de forma contínua.

Na derme, o cortisol causa a hiper-hidratação da derme, facilitando a absorção de água e dificultando sua remoção. Esse processo fragiliza esse tecido, facilitando que se rompa durante o crescimento da pele.

Os corticoides, medicamentos que cumprem muitas funções semelhantes ao cortisol, podem também ocasionar essa hiper-hidratação, e, portanto, facilitar o surgimento de estrias.

Devido a esses fatores, entre outros, deve-se aliar o tratamento das estrias à adoção de hábitos saudáveis. Dessa forma, além das estrias atualmente presentes serem tratadas, também se contribui para a prevenção de estrias futuras.

A redução do estresse é um dos principais objetivos a serem visados. A adoção de hábitos que contribuem para a redução do estresse, como prática regular de exercícios físicos e a realização de atividades relaxantes como yoga e meditação, diminuem as chances de reincidências das estrias.

De forma semelhante, a adoção de uma alimentação balanceada e rica em colágeno contribui para a saúde da derme. Uma derme mais forte e com maior potencial regenerativo é menos propensa a se romper e, portanto, a formar estrias.

Deve-se também eliminar hábitos não saudáveis da rotina para obter melhores resultados. O sedentarismo, o cigarro, e os excessos (por exemplo, de álcool, açúcar, sal e gordura) contribuem para a fragilização da derme e comprometimento da sua capacidade de regeneração, facilitando a formação das estrias.

Conclusão

O MMP para estrias é um tratamento seguro, minimamente invasivo e, consequentemente, que apresenta efeitos colaterais leves e não apresenta necessidade de tempo de recuperação. Seguindo-se as orientações do dermatologista responsável, é possível obter ótimos resultados sem risco de complicações.

O procedimento consiste na inserção direta de medicamentos no interior da derme, camada intermediária da pele. Dessa forma, é muito mais eficiente que o uso de medicamentos tópicos, pois evita as dificuldades de absorção proporcionadas pela epiderme.

Esse método se mostra muito vantajoso para o tratamento de estrias, pois permite a inserção direta de medicamentos que estimulam a regeneração do local. Dessa forma, o processo de regeneração da derme é mais rápida e eficiente, obtendo-se melhores resultados.

Para evitar o reaparecimento da estrias posteriormente, é importante também que o procedimento de remoção de estrias seja acompanhado da adoção de hábitos saudáveis. Dessa forma, aumenta-se a saúde da derme, o que permite que responda melhor ao estiramento da pele.

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Sobre o autor:

CRM-SP: 156490 / RQE: 65521. Médica pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP/EPM). Residência Médica em Dermatologia pela UNIFESP. Pós-Graduação em Dermatologia Oncológica pelo Instituto Sírio Libanês (SP). Fellow em Tricologias, Discromias e Acne pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HC-FMUSP). Pós-Graduação em Pesquisa Clínica pela Harvard Medical School – EUA (Principles and Practice of Clinical Research).

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