Laser para estrias

Laser para estrias

Ter estrias é natural. Há a chance delas serem formadas sempre que a pele estica muito rápido. Elas podem ter várias origens, como gravidez, crescimento muito rápido durante a adolescência, grande ganho de peso ou musculatura em pouco tempo, e também podem ser um efeito colateral de alguns remédios.

Porém, sua presença também pode ser desagradável. Tendem a ter uma coloração avermelhada ou arroxeada quando são recentes, e com o tempo ficam um pouco mais discretas, mas ainda assim são visíveis.

Ter hábitos saudáveis, como uma boa alimentação e prática de exercícios físicos, contribui para prevenir o surgimento de estrias. Porém, quando já estão presentes, sua aparência e textura podem causar incômodo. Por isso, é comum a procura por tratamentos para remoção de estrias.

O uso de laser para estrias é um dos métodos de remoção disponíveis no mercado. Lasers apresentam uma grande gama de aplicações na medicina e na área de tratamentos cosméticos, e se mostram seguros e eficazes, apresentando efeitos colaterais leves, portanto são uma boa opção para a remoção de estrias.

Uso de laser para estrias

A estria é o resultado do rompimento da camada de sustentação da pele, a derme, composta de fibras de colágeno e elastina. Essas fibras são as responsáveis pelo aspecto firme e elástico da pele, por isso sua ausência muda sua aparência.

Além disso, o colágeno e a elastina também são responsáveis pelo preenchimento da pele, e sua ausência também ocasiona nas depressões das estrias.

Nesse aspecto, as estrias se assemelham a cicatrizes atróficas, cicatrizes caracterizadas pela regeneração das camadas externas da pele sem a regeneração do tecido conjuntivo de colágeno e elastina. Cicatriz atrófica é o tipo de cicatriz formado pela acne.

Os tratamentos de estrias visam, portanto, estimular o corpo a recompor esse tecido, através da estimulação da produção de colágeno e elastina.

Há três tipos de estrias:

  • Vermelhas ou roxas: estrias formadas recentemente;
  • Brancas superficiais e estreitas: estrias antigas que apresentam sulcos estreitos e pouco profundos;
  • Brancas largas e profundas: estrias antigas que apresentam sulcos mais amplos e profundos.

O uso de laser é indicado para cicatrizes brancas superficiais e estreitas. Essas são estrias que apresentam menor diferenciação em relação ao tecido à volta dela, e a perda de tecido é menor. A atuação do laser é predominantemente superficial, portanto é mais apropriada para esses casos.

Quando a estria está avermelhada ou arroxeada, significa que aquele local apresenta inflamação e está em processo de cicatrização. O uso de laser para estrias não é recomendado para esses casos, visto que gera certo nível de estresse no local.

Porém, estrias recentes são também mais fáceis de serem tratadas. Métodos caseiros, como esfoliação e hidratação, contribuem para uma melhor recuperação. No entanto, também há medicamentos específicos que podem ser utilizados, e você pode conversar com seu médico para saber mais.

As estrias brancas largas e profundas requerem o uso de tratamentos mais invasivos, pois necessitam de maior estímulo da produção de colágeno e elastina.

Alguns desses tratamentos são a subcisão, que consiste em estimular a recomposição da derme causando pequenos danos com uma agulha, e a dermoabrasão, uma esfoliação mais agressiva e profunda.

O tratamento

O tratamento consiste em utilizar um laser fracionado como forma de estimular o corpo a recompor o tecido conjuntivo abaixo das estrias.

Em geral, lasers são feixes únicos de luz que apresentam alta energia. Os primeiros lasers utilizados na medicina apresentavam essa característica. Porém, o uso de feixes únicos está associado a tempos mais longos de recuperação, pois são mais agressivos, e por isso foram substituídos pelos lasers fracionados.

Em um laser fracionado, o feixe único de luz é dividido em múltiplos feixes menores. Com isso, a energia é melhor distribuída sobre o local de aplicação, e os efeitos colaterais são mais leves.

O objetivo do uso do laser é causar pequenos danos superficiais na pele. A alta energia dos feixes é utilizada para aumentar rapidamente a temperatura na superfície da pele e em algumas camadas inferiores, causando a morte das células do local sem ocasionar sangramentos ou outros tipos de dano em outras partes do corpo.

Em resposta a esses danos, o corpo ativa seus mecanismos de regeneração, inclusive os mecanismos de formação do tecido conjuntivo que sustenta a pele. Por isso, ao longo do período do tratamento e dos meses subsequentes, as estrias passam a ser preenchidas, e com isso se tornam menos visíveis.

Assim como ocorre em outros tipos de tratamento a laser, nem sempre ocorre a remoção total da estria. É possível que permaneçam algumas marcas sutis no local onde estavam presentes. Porém, a melhora da aparência é notável.

O tratamento em geral é realizado em cinco ou mais sessões, com duração de até uma hora cada, espaçadas em um mês. Contudo, a duração do tratamento varia de acordo com a pessoa e com os locais a serem tratados.

Antes e depois do tratamento a laser para estrias

O tratamento não é indicado para pessoas com problemas cardíacos, pessoas grávidas ou que estão amamentando. Não é possível realizar o tratamento em pele que não esteja saudável, isto é, que apresente feridas em cicatrização, inflamação, infecção, ou qualquer tipo de doença de pele em local a ser tratado

Também não é recomendado para partes da pele que apresentem sensibilidade à luz, visto que o laser é um tipo de luz. Caso faça uso contínuo de anticoagulantes ou Aspirina (ácido acetilsalicílico), é necessário parar temporariamente o uso a partir de três dias antes de cada sessão. Consulte com seu médico para saber se isso seria possível.

O tratamento com laser para estrias em geral não causa dor, mas pode causar desconforto em pessoas que apresentam pele mais sensível. Nesse caso, é possível o uso de anestésicos tópicos para tornar o procedimento mais confortável.

As sessões podem gerar efeitos colaterais leves, como vermelhidão, inchaço e ardência. Caso ocorram, é recomendado aplicar uma bolsa de água morna no local até que cessem os sintomas.

O procedimento também torna a pele mais sensível à luz. Portanto, na primeira semana, recomenda-se evitar exposição excessiva à luz do sol (banhos de sol, por exemplo) e utilizar protetor solar se for necessário se expor ao sol (com FPS de no mínimo 30).

A formação de estrias

Durante episódios de expansão muito rápida da pele, por exemplo durante a puberdade, gravidez, ou devido à musculação ou aumento de peso, é possível que haja ruptura da derme, camada da pele situada logo abaixo à epiderme (camada mais externa da pele).

O rompimento da derme ocasiona um leve sangramento logo abaixo da epiderme, o que causa o tom avermelhado ou arroxeado inicial das estrias. Após algum tempo o local cicatriza, e ocorre um atrofiamento da região e descoloração, gerando as estrias brancas.

Porém, devido à ocorrência do sangramento e cicatrização, não é possível reformar completamente a derme, e o local acaba por não apresentar o mesmo aspecto da pele ao redor.

Nem todo crescimento repentino gera estrias. A formação de estrias está associada à presença de cortisol no sangue, hormônio produzido como resposta ao estresse. O cortisol estimula a absorção de água na derme, o que a torna mais frágil, e portanto mais propensa a se romper quando esticada.

Por isso, o uso de corticoides também pode ocasionar em estrias, visto que são substâncias semelhantes ao cortisol e apresentam funções semelhantes.

A formação de estrias também está associada a alterações hormonais, como as que ocorrem durante a puberdade, a gravidez e a musculação, por isso estrias podem aparecer durante esses períodos. Estima-se que 90% das mulheres desenvolvem estrias durante a gravidez.

Ser mulher e apresentar histórico de propensão na família também aumenta as chances de estrias serem formadas. Algumas condições raras, como a Síndrome de Ehlers-Danlos (que causa hipermobilidade e hiperelasticidade), também podem favorecer a formação de estrias.

A melhor forma de preveni-las é, portanto, mantendo hábitos saudáveis, como boa alimentação e realização de exercícios físicos. Também é preciso evitar o estresse, tanto mental quanto físico. Isto é, deve-se balancear a rotina para evitar ter preocupações a todo momento, e deve-se priorizar exercícios mais leves, como os aeróbicos, ao invés de exercícios mais pesados, como o CrossFit.

Em caso de problemas com a alimentação ou estresse, consulte um profissional especializado, como um nutricionista, psicólogo ou psiquiatra, para obter recomendações mais adequadas ao seu dia a dia.

Sobre o laser

A palavra “laser” é uma abreviação do termo em inglês light amplification by stimulated emission of radiation, que pode ser traduzida como, “amplificação de luz por emissão estimulada de radiação”. Ele basicamente consiste em um feixe concentrado de luz de alta energia.

O uso desse feixe de luz o dá duas propriedades. Primeiro, torna ele extremamente preciso. O feixe é muito fino e atravessa o ar na velocidade da luz, o que garante que atingirá exatamente o lugar desejado. Segundo, a alta energia o dá propriedades destrutivas, pois uma grande concentração de energia em uma região muito pequena leva a rápidos aumentos de temperatura.

No caso de tratamentos médicos e estéticos, essa propriedade destrutiva é benéfica. É exatamente a danificação da pele e dos tecidos logo abaixo dela que incentivam o corpo a produzir colágeno e elastina e com isso melhorar a aparência das estrias.

Diferentes lasers apresentam diferentes potências, e os com aplicação médica e estética são cuidadosamente calibrados para suas aplicações.

Lasers também podem apresentar diferentes capacidades de penetração no tecido, de acordo com os métodos utilizados para a geração do feixe. Os utilizados para tratamento de pele são projetados para ter baixa capacidade de penetração, garantindo que afetem a pele sem afetar os órgãos ou a corrente sanguínea da pessoa.

Inclusive, o processo de remoção a laser de estrias, assim como de cicatrizes e outros processos a laser realizados na pele, não resultam em sangramento durante nem após as sessões.

Há dois tipos de lasers que podem ser utilizados neste tratamento.

Um é o laser de CO2 fracionado.

Esse laser foi um dos primeiros a serem utilizados em tratamentos cosméticos e já apresenta certa reputação. Ele envolve feixes de maior energia, o que resulta em efeitos colaterais um pouco mais fortes, mas ainda bem toleráveis. Por outro lado, por ser mais antigo, também já é bem mais testado e robusto que alguns lasers mais novos.

O nome “laser de CO2” é um nome popular que deriva da forma com que o laser é gerado: ele utiliza gás carbônico misturado com outros gases para obter um feixe com a capacidade de penetração desejada.

Outro laser muito usado, e um pouco mais novo, é o laser de érbio:YAG (também conhecido pelo nome em inglês Erbium:YAG ou pela abreviação Er:YAG).

Assim como o laser de CO2, ele apresenta baixa capacidade de penetração, mas apresenta energia menor. Devido a isso, os efeitos colaterais são brandos, mas sem prejudicar a qualidade dos resultados. Esse laser é inclusive utilizado para o tratamento de cáries também.

O laser de érbio:YAG gera seu feixe a partir de um cristal conhecido como “granada de ítrio e alumínio” (cuja sigla em inglês é YAG) com átomos do elemento érbio adicionados, para controlar o nível de penetração.

Conclusão

O uso de laser para estrias é um processo seguro e minimamente invasivo, com efeitos colaterais leves e baixo tempo de recuperação. Já é utilizado a vários anos com sucesso e está em constante melhoria. Porém, deve-se seguir as recomendações de pré- e pós-tratamento para evitar a ocorrência de complicações.

As estrias são um produto natural do nosso corpo e não são malignas. Mas, caso incomodem, podem ser prevenidas seguindo um estilo de vida saudável, tratadas durante sua formação para obter um melhor resultado, ou também removidas posteriormente utilizando laser ou outros procedimentos.

Caso tenha interesse neste tipo de tratamento, procure um especialista. Este artigo apresenta uma visão geral sobre este tipo de procedimento, e questões específicas devem ser discutidas com um médico, inclusive quanto à duração do tratamento e recomendações relacionadas a ele.

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Sobre o autor:

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CRM-SP: 156490 / RQE: 65521. Médica pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP/EPM). Residência Médica em Dermatologia pela UNIFESP. Pós-Graduação em Dermatologia Oncológica pelo Instituto Sírio Libanês (SP). Fellow em Tricologias, Discromias e Acne pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HC-FMUSP). Pós-Graduação em Pesquisa Clínica pela Harvard Medical School – EUA (Principles and Practice of Clinical Research).

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