Micose: saiba o que é e como tratar

micose

Micose é o nome dado a qualquer tipo de infecção causada por fungos. Acontece principalmente nos pés, onde recebe o nome de “frieira” ou “pé de atleta”. É o resultado da formação de um ambiente favorável para a proliferação dos fungos, que se aproveitam disso para se desenvolver e se multiplicar nos tecidos do corpo.

Em geral, acomete apenas os tecidos mais externos do corpo, se estendendo lateralmente ao invés de profundamente. Pode causar incômodos como dor, ardência e coceira no local, e também incômodos estéticos, como descamação e deformação das unhas. Em pessoas imunocomprometidas, porém, pode se aprofundar no corpo e causar complicações graves, assim como facilitar o surgimento de infecções bacterianas.

É importante a consulta e acompanhamento de um dermatologista para correta identificação da doença em questão, assim como a identificação do agente causador da mesma, para a correta determinação do tratamento a ser realizado.

A micose é também conhecida pela sua alta capacidade de reincidência, especialmente em pessoas imunocomprometidas. Portanto, a identificação correta da doença e do fungo causador são muito importantes para a prevenção de futuros casos.

O que é a micose?

A micose é uma infecção por algum tipo de fungo. Pode acontecer em diversas partes do corpo, mas é mais comum no pé.

Ela apresenta cinco tipos principais:

  • Frieira: o tipo mais comum. Se desenvolve nos pés, especialmente na região entre os dedos, ocasionando descamação, coceira, e até rachaduras e bolhas. Sua presença também contribui para a ocorrência da onicomicose;
  • Onicomicose: também conhecida como “micose de unha”, ocorre especialmente nas unhas do pé, mas pode ocorrer também nas unhas da mão. Gera uma mudança da coloração das unhas e pode ocasionar também em deformação e degradação completa das mesmas;
  • Pitiríase versicolor: também conhecida como “pano branco” e “micose de praia”. Causa manchas brancas na pele, pois bloqueia a produção de melanina pelo corpo;
  • Candidíase: infecção pelos fungos da família Candida. Normalmente ocorre no interior da boca ou nas genitais. É caracterizada pela formação de bolhas brancas dolorosas;
  • Tinha (ou Tinea): também conhecida como pitiríase rósea e dermatofitose (quando ocorre no corpo). Consiste na formação de manchas brancas ou acastanhadas na pele que apresentam relevo e bordas avermelhadas. Pode aparecer também no corpo, sendo este o caso mais comum de tinha.

Existe uma grande variedade de famílias e espécies de fungos envolvidas nessas infecções. Por isso, a micose apresenta também diferentes causas e tratamentos.

Causas

Em geral, a micose é causada pela combinação de dois fatores: a presença de uma ambiente favorável para a proliferação de fungos (quente, úmido e seco) e o enfraquecimento do sistema imunológico no local.

Frieira e onicomicose

No caso desses dois tipos de micose, a principal causa é o uso de calçado fechado por longos períodos. O calçado, em conjunto com a meia, causa a retenção de calor nos pés, o que incentiva a produção de suor. A partir disso, surge um ambiente úmido, escuro e quente.

Com isso, outros fatores podem agir para debilitar o sistema imunológico no local. Por exemplo, a realização de exercícios físicos intensos pode ocasionar em microfraturas nas unhas, abrindo espaço para infecções.

Por outro lado, pessoas que passam muito tempo paradas e usando tênis também apresentam propensão à micose. Passar longos períodos parado ou realizando movimentos leves, seja em pé ou sentado, prejudica a circulação nos membros inferiores, o que debilita a resistência imunológica nos pés.

Essa proliferação dos fungos também os torna mais contagiosos. Portanto, o compartilhamento de objetos utilizados no pés e nas mãos, como cortadores de unha, pode ocasionar no contágio e desenvolvimento da micose.

Pitiríase versicolor

Essa infecção apresenta o nome popular “micose de praia”, pois, as condições que facilitam seu desenvolvimento são formadas principalmente durante banhos de sol. A umidade gerada pelo suor e pela oleosidade da pele, em conjunto com o calor intenso, favorecem sua ocorrência.

Ela se diferencia dos outros tipos de micose por apresentar sintomas sutis. Em geral, não gera coceira ou vermelhidão. Seu sintoma principal é a aparência de uma região mais clara ou mais escura que a pele ao redor. Se torna mais perceptível após um banho de sol, pois pode adquirir coloração igual à da pele e não escurece com o bronzeamento.

Isso ocorre por sua presença afetar os melanócitos, células produtoras da melanina, proteína responsável por gerar a coloração escura da pele. Portanto, a região afetada não responde ao bronzeamento da forma esperada.

Candidíase

Fungos do gênero Candida estão naturalmente presentes no nosso corpo a todo momento. Em geral, são inofensivos. Porém, em situações de baixa imunidade, é possível que eles aproveitem a oportunidade para se multiplicar e infectar os tecidos.

Os locais onde a candidíase tende a ocorrer são o interior da boca e a genital. Duas regiões em que já está presente e estão frequentemente úmidas, quentes e escuras. Porém, também pode ocorrer em outras partes do corpo, inclusive nos órgãos internos, ainda que isso seja menos comum.

Embora seja comum em pessoas imunossuprimidas, por exemplo, que apresentam diabetes ou AIDS, também pode se aproveitar de situações de baixa imunidade, como durante a recuperação de uma gripe, presença e tratamento de câncer e uso prolongado de antibióticos.

É também comum que ocorra em bebês, caso em que é mais conhecida como “sapinho”.

Tinha

Os fungos causadores da tinha, em geral, não estão presentes no nosso dia a dia. Porém, contato com o solo, animais e pessoas que portem o fungo ou estejam infectados com ele podem ocasionar no contágio, especialmente em pessoas imunossuprimidas.

Esses fungos se alimentam de queratina, proteína que faz parte de nossa pele, pelos e couro cabeludo, proporcionando resistência a eles.

Por isso, a infecção da tinha no couro cabeludo frequentemente resulta em alopecia, isto é, queda de cabelo. Além disso, pode causar vermelhidão, dor, coceira e descamação no local afetado.

No corpo, formam manchas de cor clara com bordas avermelhadas e relevo. Podem ocasionar também queda dos pelos e coceira.

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Tratamentos para micose

Visto que existem diferentes tipos de micose, e elas afetam diferentes partes do corpo de diferentes formas, o tratamento de cada uma também varia.

No caso da frieira, em geral, são utilizados cremes antimicóticos. Os cremes são aplicados diretamente na região afetada ao longo de alguns dias, até que a infecção cesse. É importante seguir as recomendações do dermatologista e da bula para aplicá-lo corretamente.

Caso a infecção tenha se agravado, é possível que antibióticos também sejam receitados, visto que nesse caso é possível que ocorra uma infecção bacteriana.

A onicomicose é semelhante: geralmente receita-se o uso de um creme antimicótico a ser aplicado nas unhas afetadas.

Porém, esse creme é mais efetivo em cessar a reprodução dos fungos do que em efetivamente eliminá-los, visto que ele apresenta dificuldade em penetrar na unha. Nesse caso, o que realmente elimina a infecção é o crescimento e corte da mesma ao longo do tempo. Por isso, o tratamento pode durar de seis meses a um ano.

Alguns tratamentos alternativos estão sendo desenvolvidos, visando diminuir esse tempo de tratamento. Destaca-se, por exemplo, o tratamento a laser, que atualmente consegue eliminar a infecção na metade do tempo. Deve-se, porém, consultar o seu dermatologista para saber se o tratamento seria adequado para o seu caso.

A pitiríase versicolor tende a ser tratada com loções de sulfeto de selênio, também aplicadas diretamente no local afetado. O medicamento geralmente é aplicado diariamente por uma ou duas semanas, e depois é aplicado semanalmente por um mês, visando impedir seu retorno.

Em alguns casos é possível utilizar um medicamento oral ao invés do medicamento tópico. Neste caso, o tratamento dura de uma semana a 10 dias.

De forma semelhante, a candidíase também é tratada por medicamentos tópicos quando possível. Em geral, o medicamento é utilizado duas ou três vezes por dia por até duas semanas. Porém, isso varia de acordo com o medicamento.

Em alguns, especialmente quando a infecção se mostra recorrente, pode ser receitado o uso de medicamentos orais.

No caso da tinha, os casos presentes na pele em geral são tratados por medicamentos tópicos, e o tratamento pode durar até um mês. Caso a infecção não responda aos cremes usados ou apresente alta severidade, é necessário o uso de medicamentos por via oral.

Para o couro cabeludo, em geral, utiliza-se uma combinação de medicamento por via oral e o uso de um shampoo de sulfeto de selênio.

Prognóstico

Os medicamentos utilizados tendem a ser suficientes para a cura da infecção, e após isso, o corpo consegue se regenerar completamente. Isso inclui a onicomicose (a partir do início do tratamento, a unha que cresce apresenta aspecto saudável) e a tinha no couro cabeludo (após o tratamento, o cabelo volta a crescer).

Porém, após a ocorrência de uma primeira infecção fúngica, aumentam-se as chances dessa infecção reincidir após o fim do tratamento. Isso se mostra especialmente frequente para a onicomicose e para a candidíase.

Como essas condições apresentam cura, essa situação pode ser contida através do início precoce dos tratamentos em caso de reincidência. Porém, isso também requer a necessidade de acompanhamento médico constante e adoção de cuidados para tentar prevenir a reincidência.

Isso é especialmente importante para pessoas que apresentam comprometimento do sistema imunológico, incluindo pessoas idosas, que estão constantemente em situações de estresse, que apresentam desequilíbrios hormonais, que têm câncer, entre outras.

Porém, o comprometimento do sistema imunológico também pode resultar em complicações graves. Por exemplo, é possível que a micose invada os tecidos e órgãos internos do corpo e que infecções bacterianas se aproveitem das feridas criadas para causar infecções sistêmicas.

Portanto, nesses casos, o tratamento precoce e acompanhamento médico são cruciais para um bom prognóstico.

Em todo caso, é importante também agir para a prevenção, para evitar reincidências. Embora sejam mais comuns em pessoas imunossuprimidas, podem acontecer com qualquer pessoa.

A principal ação para prevenção consiste na mudança de hábitos. É importante cuidar para manter o sistema imunológico saudável por todo o corpo. Isso implica em manter uma dieta equilibrada, para ter os nutrientes necessários para isso, e realizar exercícios físicos com frequência, para se manter saudável e cuidar da própria circulação sanguínea.

Outros hábitos também podem ser adotados especificamente para a prevenção da micose. Como ela precisa de ambientes úmidos para se desenvolver, adotar o hábito de manter os pés e as genitais secos também contribui para a prevenção.

Isso implica, por exemplo, em não usar o mesmo calçado por dois dias seguidos (e secá-lo bem), usar meias de algodão, e não passar longos períodos utilizando traje de banho. Não compartilhar utensílios usados nos pés e no cabelo também contribui para impedir a proliferação da micose.

Conclusão

Micose é a nomenclatura dada a toda infecção de origem fúngica. Isso significa que apresenta uma grande gama de agentes causadores, sintomas, locais passíveis de serem afetados e formas de tratamento.

Dentre as possíveis micoses, destacam-se cinco: frieira, onicomicose, pitiríase versicolor, candidíase e tinha. Todas ocasionam em modificação do tecido externo do corpo, especialmente a pele, e causam algum tipo de desconforto, ainda que seja apenas estético.

Em geral, são plenamente curáveis através do uso de medicamentos tópicos ou orais. O prognóstico tende a ser favorável, com recuperação completa do local afetado.

Porém, existe a possibilidade da doença evoluir para um caso grave, ocasionando em complicações sérias. Isso pode acontecer tanto devido à passagem do fungo para os tecidos internos do corpo quanto pelo surgimento de infecções bacterianas oportunistas. Esses casos graves são mais comuns em pessoas imunocomprometidas.

Existe também a possibilidade de reincidência, especialmente no caso da onicomicose e da candidíase. Sendo notada a reincidência, é importante ter acompanhamento médico adequado para tratar a infecção logo em seus estados iniciais, encurtando assim o período de tratamento.

O tratamento da micose deve também ser aliado à mudança de hábitos para prevenir a reincidência. Deve-se fortalecer o sistema imunológico com a adoção de uma dieta equilibrada e realização de exercícios físicos, evitar contato com pessoas infectadas e também impedir que regiões pouco expostas se mantenham úmidas por longos períodos.

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Sobre o autor:

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CRM-SP: 156490 / RQE: 65521. Médica pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP/EPM). Residência Médica em Dermatologia pela UNIFESP. Pós-Graduação em Dermatologia Oncológica pelo Instituto Sírio Libanês (SP). Fellow em Tricologias, Discromias e Acne pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HC-FMUSP). Pós-Graduação em Pesquisa Clínica pela Harvard Medical School – EUA (Principles and Practice of Clinical Research).

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